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Os verbos têm direitos?

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duvida-2Vou começar o texto de hoje com uma pergunta: como você conjuga o verbo abolir na primeira pessoa, no tempo presente? Com o verbo “andar”, você diria:
“Eu ando”. Então, com o verbo abolir, você diz: “Eu…??”

E se o exemplo fosse para o verbo colorir? Você diria:
“Eu….??”

Conjugar verbos deveria ser uma tarefa muito simples e comum entre os falantes nativos de uma língua. Afinal, todos os dias, centenas de vezes, na fala e na escrita, conjugamos verbos. Há verbos que são usados mais de cinquenta vezes em um único dia. Portanto, não deveríamos ter dúvida, certo? Errado! Recebo dezenas de mensagens sobre o assunto. Por isso, hoje, quero falar sobre os verbos defectivos.

Estes verbos são aqueles que apresentam uma ausência em determinadas conjugações e formas verbais. A palavra defectivo significa algo que está incompleto, imperfeito. No caso do verbo, é aquele que não se conjuga em todas as formas possíveis. Veja os exemplos.

Verbo ABOLIR
EU – ______
TU – aboles
ELE – abole
NÓS – abolimos
VÓS – abolis
ELES – abolem

Verbo ADEQUAR
EU – ______
TU – _______
ELE – ______
NÓS – adequamos
VÓS – adequais
ELES – _______

Verbo COLORIR
EU – ______
TU colores
ELE colore
NÓS colorimos
VÓS coloris
ELES colorem

As formas ausentes se justificam por uma questão sonora. Os sons das supostas flexões, como no caso dos verbos colorir e abolir ficariam, por exemplo: “EU COLORO” ou “EU ABOLO”. Para evitar essa dissonância, esses verbos não possuem conjugação em determinadas pessoas, isto é, possuem ausência de conjugação. São os tais verbos defectivos.

Como fazemos para resolver a questão? Do ponto de vista gramatical, o indicado é usar formas equivalentes que não alterem o significado da expressão. Veja algumas possibilidades

a) No lugar de “Eu ______ (colorir) o caderno”, você pode usar:
“Eu pinto o caderno” ou “Eu cubro com cores o caderno”

b) No lugar de “Eu ______ (abolir) a pena de morte”, você pode usar:
“Eu anulo a pena de morte” ou “Eu elimino a pena de morte”

Com as substituições sugeridas, o sentido permanece igual.

Porém, como eu sempre digo aqui na coluna, as regras de um idioma podem mudar. E isso está acontecendo com um verbo defectivo, na Língua Portuguesa. O verbo adequar, citado como um exemplo de verbo defectivo no texto de hoje, já possui conjugação completa de acordo com o dicionário Houaiss.
Para este dicionário, já são consideradas válidas as formas EU ADÉQUO, TU ADÉQUAS, ELE ADÉQUA, NÓS ADEQUAMOS, VÓS ADEQUAIS, ELES ADÉQUAM.

Há outros verbos que geram dúvidas.

Como você conjugaria os verbos RIR, EXPELIR e PERSUADIR? O correto é: “EU RIO, EU EXPILO e EU PERSUADO”.
O que você achou dessas formas? Estranhas, normais? Com certeza, a conjugação de verbos em Língua Portuguesa é motivo para polêmicas e dúvidas. Já recebi mensagens de alguns brasileiros, que vivem no interior de grandes Estados, que perguntaram se existe o verbo PONHAR, com o sentido de colocar. Como você conjugaria esse verbo? Será que ele existe? Este vai ser o tema de no próximo texto. Até lá!

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Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
Graduado em Jornalismo, Radialismo e Letras, Rodrigo Maia é especialista em Língua Latina e mestre e doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP. Atua há 16 anos em redações de jornalismo, em grandes emissoras de TV. Atualmente é colunista da Rede Record e biógrafo na Companhia Editora Nacional (IBEP). Há 12 anos, ministra aulas de Língua Portuguesa na PUC-SP, na Faculdade Belas Artes e no Centro Universitário Ítalo-Brasileiro. Como pesquisador, atua no Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa, na USP. Nos Estados Unidos, é membro da American Organization of Teachers of Portuguese. Participe! Mande suas dúvidas para o e-mail rodrigo@gazetanews.com. Quero fazer os textos dessa coluna de acordo com o que os leitores precisam e querem saber. Espero sua mensagem!
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