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O preço do sonho e o peso da pressão

Dois importantes episódios em destaque no noticiário que afeta diretamente a vida de uma imensa maioria dos imigrantes brasileiros indocumentados, chamam a atenção esta semana. Primeiro, a cada vez mais intensa e consistente campanha das autoridades de Imigração para “orientar” empresários a identificar imigrantes indocumentados que se apresentam para postos de trabalho.

O que chegou até a ser visto como uma potencial “queda-de-braço” entre os milhares de empregadores que históricamente se beneficiam da farta mão de obra ilegal – barata e “atemorizada” – e as autoridades da Imigração, está se transformando uma “cooperação”. Não sei exatamente até que ponto essa “cooperação” seja real ou mais um ato de propaganda e marketing do governo. Vale tudo, em ano eleitoral, para mostrar serviço à maioria dos eleitores norte-americanos. Afinal, para eleitores norte-americanos, em amostragem pesquisada pela CNN/Newseeek há duas semanas, revelam que a preocupação com a imigração ilegal está em terceito lugar no índice de preocupação nacional, atrás apenas da Guerra no Iraque e da alta dos combustíveis.

Nesse “vale-tudo”, o que parecia impossível há alguns anos – a cooperação entre empresários que alimentam o sucesso de suas empresas com a contratação de indocumentados pagando muitas vezes um terço do salário-mínimo – está sendo mostrada pela mídia como um esforço no sentido de coibir essa prática.
No dia a dia dos 12 milhões de imigrantes que seguem vivendo ilegalmente nos Estados Unidos este é um dos mais poderosos instrumentos de pressão, já que, o emprego, o salário, o dinheiro em última análise, é a razão número 1, apontada por mais de 85% dos imigrantes, para estarem ou permanecerem aqui nos Estados Unidos.
Isso apesar de não obterem Carteira de Motorista, nenhum benefício social, viverem sob constante mêdo de serem presos e deportados. A existência de emprego e garantia de um pagamento no final da semana, mantém a ilusão do “sonho americano”.

Se houver, de fato, resultado positivo nessa “cooperação” entre as autoridades da Imigração e os empresários, o nível de pressão sobre os ilegais vai atingir um de seus níveis mais altos.
Um bom exemplo de que a necessidade por documentação e habilitação para postos de trabalho é a preocupação “número 1” dos imigrantes, pode ser dado através de um exemplo dos mais infelizes e tristes. Como pode ser visto em reportagem do Gazeta desta mesma edição, um grupo de brasileiros acabou sendo preso ao ser surpreendido pela polícia do Estado de Illinois, na semana passada, quando se dirigiam ao Estado de Winsconsin (região dos lagos, fronteiriça com o Canadá) atraídos pela “notícia” de que condados daquele estado estavam emitindo “Drivers License” sem necessidade de comprovante de processo imigratório.

Essa “notícia” vinha circulando há cerca de 2 meses e um grande grupo de brasileiros já havia se aventurado. Não há notícias comprovadas sobre quem realmente obteve o sonhado documento, mas por outro lado, o incidente com o grupo preso em Illinois revela o quanto perigoso e ilusório pode ser esse tipo de “risco”.
O grupo, capitaneado por um agente que, ele mesmo, estava dirigindo para Winsconsin com uma Carteira Internacional – que atualmente só é aceito pelas autoridades em casos especiais e claramente envolvendo turistas – acabou sendo parado por excesso de velocidade e o caso se transformou em imigratório ao ser revelado que nenhum dos integrantes da caravana tinha documentação para estar nos Estados Unidos.

Além de ser mais um “case” a alimentar a longuíssima lista de tentativas para obtenção de documentos, esse incidente também expõe mais uma vez até que ponto os indocumentados são capazes de ir. Não há limite quando se trata de tentar a Driver’s Licence. Como, há 10 anos atrás, não havia limite para se tentar um Social Security, hoje um documento inatingível para que não tem um processo em busca de permanência legal.
Depois da euforia desencadeada pela ilusória perspectiva que teríamos uma legalização massiva ainda este ano, o que os imigrantes ilegais estão de fato percebendo, é que o sonho parece muito mais distante agora e que todos os esforços estão sendo feitos para, simultâneamente, desencorajar quem planeja entrar ilegalmente nos Estados Unidos, e complicar ao máximo a vida dos que aqui estão ilegalmente.

O recado para os brasileiros indocumentados é simples: mesmo sabendo que a tortura de não ter documentos é muitas vezes maior do que a razão, muito pior é embarcar em falsas promessas, mentiras, golpes e outras artimanhas, na esperança de mnimizar suas limitações de vida por aqui. O momento segue sendo dos mais difícies. O pior que se pode fazer é acrescentar ao estresse já vivido, mais episódios de desilusão, gerados pela falsa idéia de que esse grave problema será resolvido com “jeitinhos”.

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Gazeta Admininstrator
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