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O Brasil sofre com a agonia da VARIG

Mais um capítulo da luta desesperada de salvar a VARIG será vivido nesta semana , dia 19 de julho, quando estará acontecendo o leilão, do qual poderá emergir duas empresas: a “Nova Varig”, basicamente saneada e com potêncial para se reestruturar, e a “Velha Varig”, cujo potêncial de sobrevivência é uma grande icógnita.

E enquanto o noticiário se encarrega das múltiplas especulações envolvendo a Varig Log, TAP, consórcios internacionais e até mesmo boatos de renovados interesses da TAM e Gol, eu penso na trajetória da VARIG e mais ainda, no impacto que a lenta agonia da empresa vem causando.

Certamente empresas são empresas e o modelo capitalista que escolhemos – gostem dele ou não – tem suas regras. O Brasil e seu “falso capitalismo” sempre praticou uma política de protecionismos e “arranjos” para evitar a quebra de grandes corporações. E quando se trata de Varig, bota “grande nisso”.

Crescendo monumentalmente nos anos 60, especialmente após a debacle da Panair do Brasil (numa dos mais nebulosos processos de perseguição do regime militar brasileiro), a Varig foi das empresas que mais se beneficiou do rígido controle da economia durante os anos da ditadura militar. Se tornou a quinta maior empresa aérea do mundo e a “número 1” em qualidade de serviços de bordo, sendo por muitas décadas uma referência de excelência.

A Varig, entretanto, foi vítima da mesma “praga” que abateu seguidamente gigantes da aviação mundial como a Eastern, Braniff e Panam. Isso sem esquecer das brasileiras Vasp e a Transbrasil: o mesmo “modelo” de administração ultrapassada e pesada, centrada em poder familiar em vez de ser regida pelas regras do mercado.

O que faz do “caso Varig” ser um pouco mais especial é justamente a aura de gigantismo em torno da marca. Relendo um artigo da antológica revista “Realidade” – que marcou época no Brasil a partir do fim dos anos 60 – vejo que em 1972, “Varig” era a marca comercial brasileira mais conhecida e respeitada no mundo.

A empresa voava para dezenas de destinos mundiais, seu centro de manutenção atendia às mais importantes empresas do planeta e seu complexo de treinamento de pilotos era modelo para toda a América Latina. Uma imagem de pura excelência e tecnologia de ponta.

Como é que uma estrutura assim se acaba? Ou melhor: como é que uma estrutura assim era possível existir num país de terceiro mundo?

As respostas devem ser procuradas no próprio modelo de concentração de privilégios que gerou o monopólio das rotas internacionais por décadas. E na “acomodação”, essa doença fatal – curiosamente, muito comum – que ataca as superestruturas corporativas que não se “reinventam” continuamente. Centenas de livros têm sido escritos sobre isso, mas o conhecimento do problema está ainda muito longe de motivar essas corporações a não cair nessa armadilha.

O Brasil sente uma compreensível nostalgia com essa lenta agonia da “gigante do ar”, mas do outro lado vê que as lições do gerenciamento anacrônico foram sabiamente aprendida pela nova geração de empresas aéreas brasileiras.

Nossa esperança é que a solução a ser encontrada a partir desta quarta-feira,19, (se é que a novela vai mesmo ter algum final por agora ) venha centrada em possibilidades reais de estabilidade, para a empresa e para o mercado como um todo. Certamente muita gente vai perder o emprego e a ameaça de vaporização do fundo de pensão da empresa é mais do que real. É lamentável. A debacle de grandes corporações é sempre um grande trauma porque em muitos aspectos mexe negativamente com milhares de famílias.

A história da Variga representa Nirvana e pesadelo de uma corporação alçada ao auge do sucesso por elementos reais e outros nem tanto assim. Sua ascenção e sucesso foram exemplos de qualidade brasileira. Sua queda uma “chamada à razão” para que não se brinque com as imperdoáveis leis do capitalismo.

De qualquer maneira, todos torcemnos para que a “estrela brasileira de norte a sul” não passe a ser apenas uma referência bucólica nos livros de História, como se tornou a Panam ou no caso brasileiro, “as asas da Panair”, hoje, na memória nacional, apenas uma frase bonita numa canção de Milton Nascimento.

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Gazeta Admininstrator
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