Os filhos dos valadarenses que nasceram quando seus pais eram imigrantes em outros países estão crescendo na cidade mineira. Seus pais, que emigraram nas décadas de 80 e 90, agora retornaram à cidade, trazendo os filhos de dupla cidadania.
De acordo com o jornal “O Estado de São Paulo”, o empresário André Ferreira da Costa, de 45 anos, viveu essa situação. Ele se mudou para os EUA em 1986, e viveu por anos em Nova York e Nova Jersey, até decidir ir para Flórida, onde abriu uma empresa de pintura em sociedade com o irmão. Ele teve três filhos nos EUA – hoje, os meninos estão com 11, 18 e 19 anos – e todos têm cidadania americana. “A adaptação deles ao Brasil foi meio difícil, mas aos poucos se acostumaram”, diz o empresário.
Em 2009, André voltou definitivamente para o Brasil, no auge da crise econômica internacional. A empresa na Flórida viu o quadro de funcionários cair de 300 para 15 em apenas seis meses. Ele mandou toda a família de volta e voltou depois de um ano, quando vendeu tudo que tinha.
Um pouco mais afastado do centro de Governador Valadares, no bairro São Raimundo, a pequena Virginia Brasileiro Correia, de 4 anos, atende o pedido da mãe em inglês para buscar o ventilador, mas as broncas são em bom português. A menina nasceu nos Estados Unidos e morou com os pais no Estado de Connecticut. Segundo a mãe, Edna Lucia Brasileiro, de 33 anos, que viveu por 13 anos nos Estados Unidos, Virginia não sofreu muito com a volta.
Edna enfrenta, até hoje, problemas com o contêiner com os móveis que embarcou dos Estados Unidos e está parado na Receita.
Os relatos de retorno dos valadarenses dos países em crise se espalham pela cidade. A identificação com o exterior é tanta que no dia 4 de julho, quando é comemorada a independência dos Estados Unidos, a cidade comemora o Dia do Imigrante.