A brasileira Dandara Peraro de Sousa, de 18 anos, já tinha uma convicção do que quer desde cedo: trabalhar como voluntária na África. Ela ficou sabendo sobre o Institute for International Development (IICD) através da filha de uma amiga de sua mãe, terminou o ensino médio no Paraná e embarcou para uma experiência que irá mudar sua vida.
Dandara está em Michigan desde novembro de 2011, em uma das sedes do IICD. De acordo com ela, o Instituto tem sete localidades. A de Michigan se concentra na preparação de voluntários para trabalharem em projetos sociais na África. As demais ficam em outras partes do mundo e preparam voluntários para a Índia e América Latina.
Os programas de voluntariado duram ao todo 18 meses. Nos primeiros seis meses, voluntários são preparados por professores, – que geralmente são veteranos de programas passados que passam por um curso de formação, – e estudam questões contemporâneas como a globalização, interesses econômicos, necessidades de consumo e questões humanitárias, combinados com trabalhos práticos, atividades de reparos da escola e desenvolvimento sustentável. Nesse momento formam-se trios de voluntários com os mesmos interesses e que queiram ir para o mesmo país africano.
Os próximos seis meses são de trabalho de campo. Os projetos incluem educação, conscientização e prevenção do HIV/AIDS, cursos para futuros professores em zonas rurais, atividades educativas para crianças de um orfanato, ou trabalhar com famílias para que elas possam melhorar sua situação socioeconômica.
Depois de passados os seis meses em campo, os voluntários voltam e passam seis meses no instituto fazendo a divulgação das experiências obtidas através da mídia, entrevistas, internet e viagens, para finalmente receberam um certificado.
Os projetos são uma parceria estabelecida entre o IICD e a Humana People to People – The International Humana People to People Movement, – que lidera os projetos em cada país e recruta os voluntários. “A humana trabalha com as pessoas em cada região, e geralmente tem um residente local para nos receber e ensinar sobre o local específico em que estamos”, explica Dandara.
Dandara ficará esses 18 meses longe da família e do Brasil. Ela conta que a saudade é o mais difícil, mas que o Skype, por exemplo, ajuda muito nessas horas. Já em relação à comunicação, – o que ela pensou ser o maior obstáculo antes de sair de sua casa, em Londrina, – ela se surpreendeu.
Ela está usando o português muito mais que imaginou, além do inglês que aprendeu em anos de curso no Brasil. Dandara conta que, como a língua oficial em muitos países africanos é o português, os programas atraem muitos brasileiros, ou pessoas que queiram aprender português. Em seu grupo, no momento, de 15 pessoas, cinco são brasileiros (três do Espírito Santo, um de São Paulo e Dandara, do Paraná). Outra grande parte é de coreanos e colombianos. Em média, a cada grupo que se inicia, tem pelo menos dois brasileiros. A idade varia bastante, segundo Dandara, que diz ser a mais nova do grupo, e o mais velho tem 33 anos.
Ela conta que em uma semana, um coreano do seu grupo já está falando “bom dia” e palavras básicas.
“Não achei que fosse usar tanto o português”, conta.
O programaPelo fato de o programa atrair tantos brasileiros, Dandara está ajudando também a atrair novos voluntários.
Os voluntários pagam $4900 dólares para participar do programa, o que inclui a hospedagem e alimentação durante os 18 meses com o IICE. Eles são responsáveis pelo transporte para o instituto, e faz parte do programa a arrecadação de fundos para a viagem à África. Os voluntários entram nos EUA com visto de turista e trazem cartas de recomendação do IICD.
“Geralmente, o IICE recebe doação de roupas e revende, como forma de arrecadar fundos, mas alguns voluntários desenvolvem outras formas de conseguir dinheiro. Alguns saem na rua e entram em lojas explicando o projeto e pedindo doações”, disse Dandara.
São iniciados três grupos por ano, que partem em fevereiro, maio e agosto. Dandara se prepara para sair em agosto. “Sinto-me bem segura. Não acho que será fácil, mas sei que não estou indo só para passar informação. Tenho muito para aprender onde quer que eu vá”, avalia.
Para mais informações sobre o projeto, entre em contato pelo e-mail: iicdbrasil@iicdmichigan.org. Ou acesse os sites: www.iicdmichigan.org, www.humana.org.
Acompanhe também o blog de Dandara: dandaraps.blogspot.com.