Brasileiros relatam momentos de medo em caçada a irmãos em Boston

photo_1366417125932-1-0A longa semana de drama, tensão e medo vivida pelos moradores de Boston e região terminou com uma caçada implacável aos dois irmãos suspeitos pelos atentados que mataram três pessoas e feriram mais de 180 perto da linha de chegada da maratona da cidade.

Vinte e seis mil atletas participaram da Maratona de Boston. Mais de quatro horas depois, milhares de pessoas ainda corriam. Muita gente gravava vídeos e tirava fotos sem saber que, mais tarde, essas imagens ajudariam a polícia a identificar os autores do atentado.

Duas explosões aconteceram quase na linha de chegada. Um corredor chegou a ser derrubado pelo impacto da primeira explosão. Com a morte de três pessoas e centenas de feridos, a polícia pediu aos moradores que não saíssem às ruas.

Quase no fim da tarde, o presidente Barack Obama prometeu: “vamos até o fim, e vamos achar quem fez isso e por que fez isso”.

O brasileiro Caio Ferraz foi assistir à maratona e tirou uma foto perto da linha de chegada.

No mesmo local onde 15 minutos depois explodiu a primeira bomba. Caio, por sorte, não estava mais lá.

Ele havia caminhado uns 50 metros, procurando um lugar melhor para ver os competidores.

“De repente veio aquele barulho ensurdecedor, um calor alto, uma fumaça enorme, e uma multidão de pessoas desesperada na minha direção. Eu fiz o mesmo que todo mundo fez: saí correndo. Você perde o chão, perde a noção, você treme, você perde totalmente a noção do tempo, do que vai acontecer logo em seguida”, conta Caio.

À noite, o número de mortos sobe para três. Fragmentos encontrados na cena do crime levam a polícia a concluir que pelos menos um dos explosivos estava dentro de uma panela de pressão.

O outro estaria num contêiner de metal ainda não identificado. E as bombas estavam dentro de mochilas – uma preta e a outra clara.

Além do material explosivo e do detonador eletrônico, as bombas tinham pregos e bolinhas de metal.

“Ele quis simular como se fosse uma granada gigantesca – tem o mesmo efeito. Colocar objetos próximo da carga com o fim de produzir metralha, ou seja, fragmentos, só tem um objetivo: potencializar o perigo da explosão, causar mais danos, causar mais mortes”, afirma o major Diógenes Lucca, especialista em segurança.

As autoridades pedem ajuda à população. Qualquer detalhe, qualquer imagem pode ajudar.

São necessários três dias, até o FBI divulgar imagens dos suspeitos – antes das explosões.

A divulgação faz a polícia receber imagens de todo tipo. Inclusive uma que mostra o rosto de um dos suspeitos, uma mochila no chão e o menino de 8 anos morto no atentado.

Só que as autoridades ainda não têm o nome deles. Mas é questão de tempo.

Duas horas depois, informações anônimas identificam os suspeitos: Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, e Tamerlan Tsarnaev, de 26.

Dois jovens imigrantes que estão legalmente nos Estados Unidos. O mais jovem, estudando numa das melhores universidades do país.

Mais tarde, em Cambridge, cidade que fica ao lado de Boston, um policial morre depois de levar vários tiros dentro do carro de patrulha.

Ainda sem saber quem atirou nele e por que, outros policiais vão ao local do assassinato.

Perto dali, os irmãos Tsarnaev roubam um carro e sequestram o motorista.

Passam em lojas de conveniência pra tirar dinheiro com o cartão dele. Trinta minutos depois, eles liberam o dono do carro num posto de gasolina em outra cidade, Watertown. Ele chama a polícia, que localiza o carro, e começa uma perseguição.

Os irmãos Tsarnaev jogam explosivos nos policiais: uma granada e cinco bombas artesanais. Duas das bombas não explodem. Eles acabam encurralados. Saltam do carro e atiram.

Moradores registram o confronto. “Estão acontecendo explosões e tiros na rua”, disse uma moradora.

O irmão mais velho, Tamerlan, corre na direção dos policiais. Tem explosivos presos ao corpo e um detonador. Recebe vários tiros e cai. Ele é levado a um hospital, onde morrerá mais tarde.

Dzhokhar Tsarnaev consegue voltar pro carro, furar o bloqueio e fugir, passando por cima do irmão caído.

A brasileira Adriana Cardoso mora na rua onde Tamerlan foi atingido. Já estava dormindo em casa, com a família, quando ouviu o barulho de uma explosão. Depois, de tiros. Era o confronto da polícia com os irmãos Tsarnaev.

Assim que amanheceu, ela registrou a movimentação dos homens do FBI na rua onde mora.

“Aqui foi onde que o corpo foi baleado e onde o irmão mais novo conseguiu fugir, onde ele terminou ali perto da casa da minha irmã”, lembra Adriana Cardoso.

Luciana e Márcia estavam voltando da casa da irmã, Adriana. Quando chegaram no estacionamento, deram de cara com a megaoperação da polícia que estava à caça de Dzhokhar.

Elas também registraram o momento de terror que passaram. Falam em inglês com um policial, que pede que elas saiam dali.

O desespero das duas irmãs foi grande – primeiro – porque elas ficaram presas no estacionamento, no meio do fogo cruzado. Depois porque as três filhas da Márcia e o marido dela estavam na casa, que tinha sido ocupada pelos agentes do FBI.

“Os policiais todos começaram a subir pra cá, mais de 50 homens, e os tiros acontecendo e a gente só ficou com medo de ter uma bala perdida”, conta Luciana.

“Eu vi a morte muito perto de mim, tanto pra mim e pras minhas filhas, porque eu poderia ter levado um tiro dentro do carro, e quanto às minhas filhas aqui uma bala perdida aqui também”, diz Márcia.

Os agentes passam a procurar Dzhokhar de casa em casa. Dois mil policiais e soldados participam das buscas.

Nenhum morador pode sair, como conta em um vídeo a brasileira Marfisa Queiroz, que vive em nos Estados Unidos há sete anos.

“A cidade está fantasma. Todo mundo obedecendo à ordem das polícias de não sair”, diz Marfisa.

À noite, um morador de Watertown descobre um homem ensanguentado dentro do barco da família, que está no quintal, e avisa à polícia.

Imagens aéreas feitas com uma câmera especial confirmam a denúncia. A mancha branca é a de um corpo humano.

As equipes cercam o local e brasileiros, que moram lá, são testemunhas do cerco.

A casa de Márcia e Wellington fica quase frente ao terreno onde o suspeito estava escondido. Da varanda é possível ver o barco.

A casa virou uma base de operações para o FBI. Dzhokhar está armado e reage ao cerco.

Wellington e as três filhas tiveram que ser retirados da casa pelos policiais.

“Eu estava muito angustiado dentro da casa, essas casas são de madeira, não é alvenaria, uma bala atravessa quatro casas dessa tranquilo se não pegar um material forte pra reter a velocidade dela”, revela Wellington Guimarães.

Outro brasileiro, Vinicius Valério, também mora quase frente para o esconderijo de Dzhokhar.

Ele estava com amigos e todos tiveram que correr para o porão. “Ficamos deitados aqui, bem aqui no chão, e esperando o momento. Mesmo no porão da casa, deitamos no chão, porque era muito tiro, e o medo. Não tem explicação”, diz Vinicius.

Às 20h45, 21h45 no Brasil, a polícia informa que finalmente Dzhokhar foi capturado – vivo e ferido.

Foi levado imediatamente para um hospital. E a população, feita refém ao longo de quase 24 horas, pode enfim ganhar as ruas e comemorar.

Na noite da captura, torcedores de um dos times de baseball da cidade de Nova York cantaram a música que é símbolo do time de Boston.

Fantástico: Depois que tudo passou, qual o sentimento agora?
Márcia: Feliz demais e grata a Deus por essa experiência que eu passei e estar bem agora com a minha família, minhas filhas, todo mundo, e os vizinhos também.

Dzhokhar Tsarnaev só será interrogado quando estiver em condições. Mas as autoridades já decidiram que ele não terá direito a um advogado nesses primeiros dias depois da captura.

O caso ainda não está encerrado – falta saber o motivo do atentado e se existe ligação dos irmãos Tsarnaev com grupos terroristas.

As informações são do “Fantástico”.

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