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Mundial de Poker atrai brasileiros aos EUA

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Bruno Foster, o único brasileiro a chegar na mesa final do Main Event.

Por Roger Ramos

A cidade de Las Vegas sedia desde maio a 48ª edição do maior torneio de Poker do mundo, a WSOP – World Series of Poker. O evento é o mais esperado do ano pelos jogadores profissionais e recreativos do esporte. Durante 49 dias são realizados 74 torneios, sendo que o Main Event acontece entre os dias 8 e 17 de julho. Estima-se que mais de 300 brasileiros, entre profissionais e amadores, participem do campeonato.

A inscrição (BUY-IN) para cada torneio varia de $75 a $50,000 e um percentual arrecado deste valor é destinado à premiação. No ano passado, o Main Event, com Buy-in de $10,000, contou com 6.737 jogadores inscritos, o que gerou uma premiação total de 63,3 milhões. Mais de mil jogadores foram premiados nesse evento, que teve como campeão o Qui Nguyen, que levou prêmio de 8 milhões.

O Brasil já teve três representantes que venceram torneios paralelos ao Main Event: Alexandre Gomes em 2008, André Akkari em 2011 e Thiago Decano em 2015. Cada um conquistou um bracelete, que equivale a uma medalha de ouro nas olimpíadas, além do prêmio em dinheiro. Um outro brasileiro também se destaca no meio profissional do Poker, sendo o único do país a ter participado de uma mesa final do Main Event da WSOP, em 2014. Trata-se de Bruno Foster, brasileiro natural de Santos/SP mas “naturalizado Cearense”, como ele se define, que ficou na oitava colocação e faturou o prêmio de 947 mil dólares. O Gazeta News conversou com exclusividade com Foster, que também participa da 48ª edição do WSOP. Confira ao lado o bate-papo.

Gazeta News: Como é a rotina de um jogador profissional de Poker?
Bruno Foster: É dura, corrida, nós jogamos 8 a 9 horas por dia e ainda precisamos separar um tempo para estudar. No meu caso, que sou um jogador muito mais live (jogadores que preferem jogar ao vivo contra os oponentes em vez de jogos online), tenho as viagens, espera em aeroportos, distância da família, investimento… É dureza, não é essa facilidade que se vende, mas é uma vida boa, eu faço o que amo, sou super feliz, mas não é fácil.

GN: Você enfrenta discriminação no Brasil por ter seguido essa carreira?
BF: Enfrentei muita no começo; tinha muita discriminação. Hoje não mais, pois todas as pessoas que me cercam, as pessoas que me conhecem sabem dos meus resultados, acompanham minha carreira. Hoje eu brigo muito mais contra o preconceito geral para que as pessoas entendam o esporte da forma clara como ele é. Da família nunca enfrentei preconceito, pois desde a primeira vez que falei para os meus pais eles sempre confiaram em mim, sempre me apoiaram.

GN: Para aquelas pessoas que tem intenção de se profissionalizar no esporte, qual conselho você daria?
BF: Trabalhe com algo paralelo no começo, tenha o poker como atividade conjunta. Você não vai iniciar ganhando dinheiro, vai quebrar, vai ser difícil, então é bom você ter uma renda extra, algo que garanta os momentos ruins que passará. O poker requer inscrição, requer investimento. Você não pode deixar de sustentar sua família, deixar faltar alimentação em casa para fazer a inscrição em um torneio. Então, para que isso não atrapalhe sua vida, tenha um controle do seu caixa, tenha uma renda extra para que o jogo se torne sustentável.

GN: Recomenda-se que além da prática o jogador esteja sempre aprimorando a teoria do Poker. Como você estuda essa teoria?
BF: Eu estudo atuando como coach (ensinando a iniciantes) e praticando com outros coachers. Aqui mesmo nos EUA vou fazer um “coaching“ na semana que vem. Eu faço aqui e depois transfiro o que aprendi para as minhas turmas no Brasil. Sempre que eu ensino, eu acabo aprendendo também. Outra forma é analisando mãos (cada rodada jogada), vendo vídeos, trocando ideias com amigos, profissionais e assim evoluo bastante.

GN: Quem é o seu ídolo no esporte?
BF: Sem sombra de dúvidas meu ídolo no esporte, no Brasil, é o André Akkari.

GN: Quantos torneios você já disputou esse ano na WSOP?
BF: Já disputei 9 esse ano até agora na WSOP, mas pretendo disputar mais.

GN: Esses torneios paralelos servem de aquecimento para o Main Event? Como é a preparação mental para disputar o torneio principal?
BF: Serve para você entrar no jogo, ir aquecendo para você jogar o Main Event. Lógico que eu também busco a parte financeira desses torneios, pois não é possível sobreviver sem isso, faz parte do jogo, faz parte da nossa vida. Mas com certeza serve, sim, de aquecimento intelectual para você chegar bem preparado.

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