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Milhares de pessoas ocupam ruas para pedir a reforma migratória

Milhares de pessoas de todas as partes dos Estados Unidos exigiram hoje o fim das deportações de imigrantes ilegais e a legalização dos que não tem documentos.

Carregando bandeiras dos EUA e de países latino-americanos e gritando palavras de ordem como “Sim se pode” ou “Bush, escuta o povo está na luta” os manifestantes participaram de protestos em pelo menos 90 cidades que tem uma grande quantidade de imigrantes para pressionarem o Congresso a aprovarem uma reforma migratória integral ainda este ano.

Na Flórida, como em outros anos, foi reduzida a mobilização de imigrantes no 1° de maio. Houve manifestações, reunindo algumas centenas de indocumentados, em Miami, Lake Worth, Belle Glade e West Palm Beach.

A data escolhida para a realização do movimento foi o primeiro de maio, dia no qual boa parte do mundo celebra o Dia do Trabalho, para destacar as contribuições dos trabalhadores imigrantes ao crescimento econômico do país.

No entanto, diferentemente de 2006, quando foram estimuladas pela proposta republicana que transformava os imigrantes ilegais em delinqüentes, as marchas de hoje, salvo em Chicago e Los Angeles, careceram do fervor do ano passado.

Em Chicago, a Polícia calculou que cerca de 150.000 pessoas saíram às ruas para exigirem a legalização da situação dos imigrantes ilegais. Mesmo assim, este número esteve muito abaixo dos cerca de 700.000 manifestantes do ano passado.

Nesta cidade, as atenções estão no caso da mexicana Elvira Arellano, que se refugia desde o ano passado em uma igreja metodista junto com seu filho de oito anos e que nasceu nos EUA.

Seu caso representa o drama vivido por milhares de famílias clandestinas em todo o país e que, justamente por falta de documentos, estão sujeitas à deportação e à separação de seus familiares, afirmam os ativistas.

Em Los Angeles, os primeiros números divulgados pela Polícia davam conta de cerca de 2.000 pessoas no coração da cidade. O número é muito diferente dos 650.000 manifestantes do ano passado. Na cidade, as manifestações foram encerradas com a intervenção da Polícia, que disparou balas de borracha contra os participantes.

No entanto, o temor de batidas e a fragmentação dos grupos organizadores explica em parte a pouca participação dos latinos em Washington que, com apenas 300 pessoas, não conseguiram encher um importante parque da capital que é do tamanho de um campo de futebol.

Os imigrantes não saem porque “a repressão e as batidas estão tendo um impacto, o que é visto não apenas nesta marcha, mas também nas escolas, nos parques e nas clínicas, que não freqüentam por temor de serem deportados”, declarou o médico salvadorenho Juan Romagoza, diretor da Clínica do Povo.

“Estão prometendo a reforma há anos e o Congresso não acerta a situação”, disse.

O médico resumiu assim a inércia do Congresso em resolver o problema da imigração ilegal nos EUA, sem oferecer uma “anistia” que desagradaria os conservadores, mas que beneficiaria os imigrantes ilegais que cumprem um mínimo de requisitos.

As manifestações, aparentemente, não comoveram o Departamento de Segurança Nacional (DHS), responsável pelo cumprimento das leis de imigração.

O diretor do DHS, Michael Chertoff, disse à emissora “CNN” que as autoridades têm que aplicar as leis por igual, embora os imigrantes ilegais tenham filhos que nasceram nos EUA.

No entanto, expressou sua esperança de que o Congresso aprove uma lei de reforma migratória “justa e razoável” este ano, tal como foi pedido pelo presidente George W. Bush.

Bush afirmou muitas vezes – e o fará de novo em uma igreja evangélica na próxima quinta – que o país precisa de um plano de trabalhadores hóspedes, o reforço da segurança fronteiriça e a legalização de boa parte da população ilegal.

Existe a expectativa de que o Senado comece a debater várias propostas em meados deste mês, mas os democratas afirmam que Bush deve investir mais capital político no assunto.

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Gazeta Admininstrator
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