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A humanidade é muito estranha

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Sempre digo que não tenho ideologias, pois a ideologia não acorda cedo e nem trabalha até tarde no seu lugar para colocar o pão na sua mesa. A ideologia como o conjunto de ideias e do pensar humano sobre determinada causa pode servir de base intelectual para estudos e pesquisas, para projetos e geração de identidades individuais e coletivas, mas sozinha não modifica a realidade humana enquanto o ser humano não utiliza os seus pensamentos, conclusões e atos para o bem próprio e comum.

Nas áreas políticas não sou capitalista e nem comunista, mas declaro que há ótimas ideias no socialismo inicial que de alguma forma já foram introduzidas no nosso cotidiano mundial como, por exemplo, o compartilhamento de espaços de trabalho e de ferramentas; a jornada de trabalho que respeita (e deve respeitar) o tempo de descanso e estudo do trabalhador; a remuneração justa; a educação e a saúde pública de alta qualidade para todos, entre outros exemplos que fazem parte da realidade e da luta em muitos países. No capitalismo temos a ideia de liberdade individual, de propriedade privada e as cores do alegre mercado.

Por outro lado, eu não aceito a selvageria egoísta do capitalismo e nem o isolamento frio do comunismo, mas aceito a ideia original e orgânica de mercado, onde a troca justa e a meritocracia são respeitadas. O mercado não é comunista e nem capitalista, o mercado surge na história da humanidade quando o homem deixa de ser nômade e passa a ser sedentário com terreno fixo para plantar, comercializar os seus produtos com a sua vizinhança no desenvolvimento de novas ferramentas para plantar melhor em busca de novos conhecimentos para aprimorar a qualidade de vida.

As condições atuais de mercado é que limitam a qualidade de vida e o bem comum de todos. A eterna ideia de acumulação e de demasia do lucro acima do tempo e do espaço do homem está prejudicando o pouco de civilização que ainda temos no contexto da ética e da sobrevivência. Nos tempos atuais, se um indivíduo ou instituição precisa de um empréstimo para pagar os seus funcionários e manter o funcionamento de sua casa ou empresa em tempos de maré baixa, no final do contrato do empréstimo ele terá pago três ou quatro vezes a mais do valor do montante inicial, sobrecarregando o tempo de retorno de seu trabalho e de sua sobrevivência.

Portanto, a manipulação proveniente dos interesses particulares nas ideologias políticas e o excesso de juros podem configurar a forma de um homem se sobrepor ou subjulgar o outro homem. A ideia de domínio, manipulação e preconceito exerce uma profunda mácula nas relações humanas e na relação do homem com a natureza. E numa sociedade onde o indivíduo não é educado ou incentivado a compreender a situação, a dor e o lugar do outro, nos encontramos num terreno não somente dividido por plantações privadas, mas dividido por guerras e incompreensões.

Quem planta ou empresta dinheiro tem o direito de ter o seu lucro honesto, mas não exploratório que, em cadeia, sobrecarrega pequenos e médios empreendedores, universitários em início de carreira, mulheres que precisam trabalhar em casa e trabalhar fora ganhando menos do que os homens para ajudar a pagar as despesas de casa, consumidores em geral e o ciclo tributário de um país gerando crises econômicas cíclicas.

Independente das ideologias passionais (seja de direita, centro e esquerda) o homem do século XXI precisa aprender a querer ganhar menos para conseguir ganhar mais coletivamente nos termos do mercado e de uma sociedade justa, mas, sobretudo, no termo da qualidade da vida humana e do respeito aos recursos naturais. Ganhar menos não é sinônimo de ganhar nada, digo ganhar menos compreendendo que a economia é a ciência da escassez e que o céu não é o limite para todo mundo, mas a nossa resguarda comum. Sendo possível multiplicar riquezas e respeitar a propriedade privada de cada um mantendo os direitos e o bem-estar comum na educação, saúde, e remuneração justa para homens e mulheres. O mal do homem é querer trabalhar somente para ficar rico, ao invés de trabalhar para viver melhor.

Sempre será mais fácil multiplicar riquezas onde todos vencem e possuem uma vida respeitosa e fraterna livre da ideia da manipulação e do domínio. Pode parecer utopia, mas é um dos caminhos que ainda temos para a humanidade não enlouquecer no século XXI. Estudar, trabalhar e ganhar junto com todos, mantendo políticas públicas de amparo social.

Consideramos que aquele mesmo homem que começou a plantar, se tornou sedentário, construiu mercados, reinos e desbravou mares, hoje aquele mesmo homem quer pisar em Marte e colonizar o sistema solar carregando milhares de miseráveis nas costas e calçando um histórico de guerras no passado e rumores de guerras no presente; vendendo água engarrafada, ao mesmo tempo, em que polui rios e mares em todo o mundo. Realmente, a humanidade é muito estranha, e essa estranheza é a pior das ideologias.

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Fernando Rebouças
Fernando Rebouças
Fluminense, da cidade de Niterói-RJ, desde a infância desenha e cria os personagens da turma do "Oi! O Tucano Ecologista", publicadas em diversos jornais e revistas renomados. Os personagens também viraram gibi e e-books.
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