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História de Jean Charles vira filme

O produtor e diretor britânico Stephen Frears, responsável pelo premiado filme “A Rainha”, filmará a história do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia londrina, que o confundiu com um terrorista na estação do metrô de Stockwell em 22 de julho de 2005.

A história, de acordo com a produtora Mango Filmes, se concentra nos eventos anteriores à morte de Jean Charles. O produtor do filme, Henrique Goldman, declarou que será uma história “humana”, e não um filme político.

O filme analisará o impacto que o assassinato teve na comunidade brasileira de Londres. O projeto havia sido inicialmente oferecido para a BBC, mas a emissora pública recusou a proposta. “A previsão é começar o filme neste verão. Esperamos que as filmagens estejam terminadas para o Festival de Cinema de Berlim do próximo ano”, afirma Goldman.

Os espectadores poderão decidir por eles mesmos entre o que é bom ou mal, sem necessidade que nós assumamos uma verdade absoluta”, explicou Frears à BBC.

“Jean Charles trouxe um grupo de primos brasileiros a Londres. Ele gostaria de continuar vivendo no Brasil, ainda que estivesse, à época, na Inglaterra. Jean pagou para que os primos viessem. Por isso trouxe o Brasil com ele. Nós falamos com gente que esteve diretamente vinculada à sua vida”, disse Goldman.

Para o produtor, o filme, que ainda não tem um título definitivo, “retratará como a vida dos primos de Jean Charles mudou depois destes eventos trágicos”.

“Creio que todos sabemos algo sobre a história [de Jean Charles], mas poucos sabem quem ele era e quem sofreu com sua morte. É isto que queremos contar no filme”, disse, acrescentando que a produção não se focará nos erros da polícia britânica.

“Penso que tratar das ações da polícia britânica é muito chato. A polícia brasileira é muito mais interessante. Neste mesmo ano, a polícia do Brasil matou duas mil pessoas e não teve que pedir perdão. E por isso não me parece que a polícia britânica seja interessante, não importa o quanto eles tenham sido desonestos no caso”, continuou o diretor.

A morte de Jean Charles aconteceu um dia depois de uma série de ataques ao sistema de transportes londrino, que não causaram mortes porque os explosivos não detonaram.

Depois de uma grande investigação, a promotoria pública determinou que não há evidências suficientes para acusar formalmente aos quatro policiais que participaram da morte de Jean Charles. Mas os promotores acusaram a Polícia Metropolitana por ter violado as leis de segurança.

Segundo Goldman, a história do filme começa no momento em que o eletricista brasileiro abandonou seu país para viajar a Londres, três meses antes de sua morte. A história se desenvolve por vários meses depois da morte de Jean Charles.

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