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Ginecologistas são os médicos mais acusados de assédio

Ginecologistas e obstetras do sexo masculino, na faixa dos 45 a 56 anos, são os profissionais de medicina mais acusados de assédio sexual, segundo um estudo apresentado na Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). Eles estavam presentes em 95% dos 403 casos em várias regiões do País, analisados por Júlio Cézar Meirelles, professor do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Por especialidades, o estudo mostra que os casos de assédio ocorreram em ginecologia/obstetrícia (20,6%), clínica médica (8,2%), ortopedia e traumatologia (7,9%), psiquiatria (5,5%), cirurgia plástica (3,5%) e pediatria (2,7%). A maior ocorrência foi na Região Sudeste: em São Paulo ocorreram 45% das denúncias e no Rio de Janeiro, 16%.

Meirelles fez o estudo com o objetivo de buscar formas de prevenção contra o problema. Ele levou em consideração oito variáveis: idade, sexo, especialidade, local onde ocorreu o fato, reincidência, tipo de delito, artigo de enquadramento e resultado do julgamento.

Parafilia
“É inegável que esses profissionais possuem sérios desvios de conduta. Trata-se de uma pulsão incontrolável conhecida como parafilia, o que não significa uma doença declarada, apesar de essas pessoas necessariamente não serem normais”, disse ele.

“A maioria dos casos ocorre em grandes centros urbanos, pois o médico se sente um anônimo na multidão, acredita estar protegido em seu consultório e acaba agindo por impulso. O profissional acha que a solidão de um consultório particular pode torná-lo menos vulnerável a qualquer tipo de punição”, conta.

O estudo analisou ainda o julgamento dos processos e verificou que em apenas 4,2% dos casos houve condenação.

“É preciso ressaltar que mais da metade dos casos não foi sequer a julgamento. Mesmo assim, há um baixo nível de condenação por conta dos conflitos subjetivos que se criam. A paciente acusa e o médico insiste em dizer que o assédio sexual não ocorreu, o que acaba dificultando o trabalho do julgador”, afirma o pesquisador.

Reincidência
A reincidência esteve presente em 15,6% dos casos. Para Meirelles, o ideal não é punir, mas evitar que o abuso aconteça.

“É preciso que as escolas médicas e os conselhos regionais de medicina invistam na prevenção. A criação de cursos sobre ética médica e a proibição de que o médico atenda sem uma pessoa auxiliar no consultório seriam algumas ações urgentes”, disse.

O pesquisador conta que os resultados da pesquisa serão publicados em um livro, que será lançado nos próximos três meses.

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Gazeta Admininstrator
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