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Flórida e Califórnia suspendem execuções após erro

O governador da Flórida Jeb Bush suspendeu todas as execuções no Estado depois de um médico dizer que os oficiais da prisão erraram na inserção das agulhas quando um assassino condenado foi executado na semana passada.

Separadamente, um juiz federal na Califórnia estendeu uma moratória sobre as execuções no Estado mais populoso dos Estados Unidos, declarando que o método de injeção letal utilizado viola a emenda da Constituição que proíbe castigos cruéis.

Na Flórida, o médico William Hamilton disse que a execução do porto-riquenho Angel Nieves Diaz durou 34 minutos – o dobro do usual – e exigiu uma segunda dose porque as agulhas ficaram presas na sua carne em vez de injetar o coquetel letal nas veias.

“Todas as drogas agiriam de maneira mais lenta no corpo se não estivessem indo para um vaso sanguíneo, já que levam mais tempo para serem absorvidas”, disse o médico Kent Garman, professor da Universidade de Stanford.

Um condenado continuaria consciente por um tempo maior e provavelmente sentiria uma crescente dificuldade para respirar e uma dor causada pela angina, a interrupção do fluxo sanguíneo para o coração, disse.

A Suprema Corte americana vem mantendo as execuções – por meio de injeção letal, enforcamento, pelotão de fuzilamento, cadeira elétrica e câmara de gás – apesar da dor que possam causar, mas deixou sem resposta a questão de se a dor é inconstitucionalmente excessiva.

Bush criou uma comissão para examinar o processo de injeção letal devido ao caso de Diaz, e suspendeu a assinatura de qualquer autorização de pena de morte até que os resultados da investigação sejam divulgados, em 1º de março.

O governador disse que quer assegurar que o processo não constitua uma punição cruel, como alguns opositores à pena de morte declararam após a morte de Diaz. A Flórida tem 374 pessoas na fila da pena de morte.

Na Califórnia, o juiz Fogel disse que o caso trouxe à tona a discussão de se as três drogas de execução administradas pela Prisão Estadual San Quentin são tão dolorosas que “ofendem” a proibição de castigos cruéis. Para o juiz, a resposta é “sim”.

A Califórnia está sob uma moratória às execuções desde fevereiro, quando Fogel cancelou a execução do estuprador e assassino Michael Morales devido a preocupações de que os condenados pudessem sofrer mortes dolorosas.

Fogel descobriu evidências significativas de que os últimos seis homens executados em San Quentin poderiam estar conscientes pois ainda estavam respirando quando as drogas mortais foram administradas.

Na Flórida, o exame médico contradisse a explicação dada pelas autoridades penitenciárias, que disseram que Diaz precisou da segunda dose por causa de uma doença do fígado que impediu seu organismo de assimilar rapidamente as drogas administradas. Segundo Hamilton, apesar de haver registros de que Diaz tinha hepatite, seu fígado aparentava estar normal.

As execuções no Estado não costumam levar mais de 15 minutos, com o condenado ficando inconsciente e paralisado em três a cinco minutos. Mas Diaz aparentava estar se mexendo 24 minutos após a primeira injeção.

Como resultado dos químicos terem entrado em contato com a carne, os dois braços de Diaz apresentavam queimaduras.

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Gazeta Admininstrator
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