DESDE 1994 SERVINDO À COMUNIDADE BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS.

Filme de Fernando Meirelles abre Festival de Londres

O Brasil ganhou um inesperado papel de destaque na Festival de Cinema de Londres, que começa nesta quarta-feira. O filme que abre a mostra foi dirigido por Fernando Meirelles e a mostra traz ainda quatro produções do Brasil.
A produção multinacional O Jardineiro Fiel é o filme que inaugura a 49ª edição do Festival de Cinema de Londres, com direito a noite de gala e tapete vermelho para Meirelles e os britânicos Ralph Fiennes e Rachel Weisz, que encabeçam o elenco.

Os longas brasileiros na mostra são Cidade Baixa, Cinema, Aspirinas e Urubus,Estamira e Quase Dois Irmãos.

Antes mesmo de sua estréia em circuito oficial, O Jardineiro Fiel vem colhendo diversos elogios da crítica britânica. Para o jornal Guardian, o filme é um dos “imperdíveis” da mostra, ao lado de outros badalados, como Mandalay, o mais recente de Lars von Trier.

Há poucos anos a mostra de cinema de Londres exibiu Cidade de Deus, o que, segundo o próprio Fernando Meirelles, ajudou a carreira internacional do filme. O longa se tornou um sucesso de bilheteria na Grã-Bretanha e chegou a ser eleito o filme do ano, por publicações especializadas, como a revista Empire.

“Foi uma grande notícia poder abrir o festival com o filme de Fernando. Nós exibimos Cidade de Deus no ano em que o filme foi produzido e mantivemos contato com Fernando nos últimos anos”, disse à BBC Brasil a diretora artística do festival, Sandra Hebron.

A diretora do festival elogiou a adaptação feita pelo cineasta de um livro do mestre dos romances de espionagem John Le Carré. “Fernando trouxe uma visão estrangeira à obra, o que torna o filme bem mais interessante do que se ele tivesse sido feito por um diretor britânico.”

Opção

Sandra Hebron disse que não foi uma jogada arriscada escolher como filme de abertura a primeira produção internacional de Meirelles, em um festival que traz obras de grandes “medalhões” do cinema internacional, como Takeshi Kitano, Lars von Trier e Steven Soderbergh.

“Fernando já havia rodado outros filmes antes de O Jardineiro Fiel, e não tenho preconceitos. Muitos festivais elegem processos políticos para escolher o filme de abertura. Tive a oportunidade de optar pelo filme que realmente adoro. Apesar de ser seu primeiro filme estrangeiro, ele se mostra seguro e conta com o mesmo fotógrafo com quem trabalhou em Cidade de Deus (Cesar Charlone), que captou belíssimas imagens da África.”

De acordo com Derek Malcolm, crítico de cinema do Evening Standard, Fernando Meirelles “fez um belo trabalho, ao adaptar um livro difícil de John Le Carré”.

“Ele fez uma adaptação pouco ortodoxa, com cortes rápidos como os de Cidade de Deus. Mas não se pode comparar os dois. São filmes bem diferentes. O Jardineiro Fiel tem um orçamento muito maior e elenco internacional. É um thriller político, que trata das grandes indústrias farmacêuticas. É um história difícil, na qual ele não fez concessões”, acrescentou.

Saxon Bullock, colaborador de publicações especializadas como a revista de cinema britânica Hot Dog, afirma que o longa de Fernando Meirelles é “um filme muito, muito, muito impressionante”.

“É o tipo do filme que nas mãos de outro cineasta seria mais um thriller político convencional, com uma subtrama romântica. Mas este é diferente. Ao mesmo tempo, ele fala da exploração do Terceiro Mundo pelos países ocidentais e pelas grandes corporações e sobre um homem que só descobre quem era sua mulher e que tipo de relação ele tinha com ela após ela ter morrido. É uma dupla trama de mistério”, comentou.

Jonathan Romney, crítico de cinema do Guardian, adota um tom semelhante ao de seu colega. “O filme de Fernado é muito aguardado porque depois de Cidade de Deus parece que ele conseguiu de forma bem-sucedida usar um gênero bem britânico e torná-lo algo muito fiel ao seu próprio estilo.”

Outros destaques

A mostra de cinema londrina traz cerca de 180 filmes de 50 países. Além do filme de Meirelles, os críticos ouvidos pela BBC Brasil mencionaram diferentes produções como os pontos altos da mostra.

Jonathan Romney destaca o francês Rumo ao Sul, exibido no Festival do Rio 2005, Vendredi Ou Un Autre Jour, que qualifica como sendo “uma versão surreal de Robinson Crusoé, que poderia ter sido rodada por Orson Welles” e o australiano The Proposition cujo roteiro é assinado pelo cantor e compositor Nick Cave e que ele define como um filme “muito forte, quase ao estilo de Sam Peckinpah”.

Já Saxon Bullock lembra o britânico MirrorMask, de Dave Mckean, o colaborador constante de Neil Gaiman. A dupla responsável pela graphic novel Sandman levou sua parceria para as telas e, de acordo com o crítico, com o mesmo sucesso. Bullock comentou que o filme “não se parece com nada visto antes. É uma fantasia cheia de recursos gráficos gerados por computador, assustadora e bem esquisita”.

Derek Malcolm vai em uma linha oposta. Para ele, o filme mais importante do evento é uma produção despretensiosa e que não traz efeitos especiais: A Morte do Senhor Lazarescu, também exibida no Festival do Rio 2005, que ele qualifica como “um pequeno filme da Romênia que acumulou prêmios por todos os países em que passou”.

Baixe nosso app:

Comments

comments

Gazeta Admininstrator
Gazeta Admininstrator
152