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Figo versus Zidane: o último duelo dos campeões.

A meia-final do Campeonato do Mundo FIFA desta quarta-feira entre Portugal e França é mais do que o jogo que vai decidir um dos finalistas da prova. É o último duelo entre duas das maiores figuras do futebol mundial da última década, dois atletas que, na Alemanha, já provaram estarem dispostos a esquecer todos os títulos e distinções individuais em nome do esforço e da dedicação pelos respectivos países.

Falamos, claro, de Luís Figo e Zinedine Zidane, nomes máximos do futebol português e francês dos últimos anos e que têm, além disso, muitas outras coisas em comum. Ambos disseram adeus às respectivas selecções após o final do Campeonato da Europa de 2004 e ambos voltaram atrás na decisão para oferecerem qualidade, experiência e conhecimento às suas equipas e pisarem, pela última vez, o maior palco desportivo do Mundo.

Mas a história destes dois astros começa muitos anos antes. Figo e Zidane nasceram em 1972 e o futebol foi sempre a sua principal companhia na infância. Dos clubes de bairro em Almada, perto de Lisboa, e Marselha, no sul de França, passaram de imediato para clubes de grande expressão nos seus países. O extremo português foi o mais precoce, juntado-se à escola do Sporting Clube de Portugal quando tinha 11 anos, enquanto Zizou foi descoberto por um olheiro do AS Cannes aos 14. O talento era muito, o crescimento enquanto futebolistas foi rápido e, aos 17 anos, já brilhavam nas equipas principais, prontos a darem, definitivamente, o salto.

O médio gaulês brilhava nos relvados, mas, em 1990/91, não evitou a descida de divisão da sua equipa, transferindo-se de imediato para o Bordéus. Já Figo continuava a evoluir na equipa leonina, conseguindo em 1991 aquele que é, até hoje, o seu principal título em nível de selecções: o Campeonato do Mundo da FIFA Sub-20.

Poucos meses depois dessa conquista, o atleta português mereceu a sua primeira chamada à selecção principal, num particular com o Luxemburgo, estatuto que Zidane demorou mais três anos a conseguir. Demorou, mas quando o atingiu mostrou de imediato aquilo de que era capaz: assinou os dois golos que evitaram a derrota frente à República Checa, o primeiro de muitos passos que o conduziram até ao topo da história do futebol gaulês.

Títulos gauleses

Em seus respectivos clubes, a época de 1995/96 foi especial para os dois atletas. Figo transferiu-se para o FC Barcelona, onde se tornou de imediato um dos ídolos dos adeptos, enquanto Zidane conduziu o Bordéus à final da Taça UEFA, que abacaria por perder para o Bayern de Munique. Foi a antecâmara do Campeonato da Europa da UEFA, onde ambos os atletas estrearam nas grandes competições internacionais. Zidane ocupou o lugar da estrela Eric Cantona, mas um acidente de viação cerca de duas semanas antes do início da prova impediu-o de estar no seu melhor na Inglaterra. Ainda assim, esteve com a França até às meias-finais, fase em que os gauleses foram eliminados pela República Checa que, curiosamente, havia deixado Portugal fora de prova na ronda anterior, acabando com o sonho de Luís Figo.

Zidane transferiu-se então para a Juventus, onde atingiu o máximo do seu potencial, conquistando títulos italianos em 1997 e 98, antes de se sagrar Campeão do Mundo pela França naquele mesmo verão, uma prova na qual Portugal não participou. O francês espalhava o perfume do seu futebol e a FIFA escolheu-o como melhor jogador do Mundo.

Já depois de conquistar dois títulos espanhóis e uma Taça das Taças ao serviço do Barcelona, Figo chegou ao Euro 2000 em grande forma e a selecção portuguesa passeou classe até às meias-finais onde encontrou a França. Num duelo intenso, foi Zidane a decidir o vencedor, convertendo uma grande penalidade nos instantes finais do prolongamento, e levando a França ao título europeu, o que lhe valeu nova distinção como Jogador do Ano para a FIFA.

Transferências milionárias

Após a competição, Luís Figo marcou uma era do futebol moderno. Transferiu-se do Barcelona para o arqui-rival Real Madrid pela verba recorde de 59 milhões de euros e, um ano depois, foi escolhido pela FIFA como o melhor Jogador do Mundo, a primeira vez que essa distinção foi entregue a um atleta português. Era o início da fase dos galácticos espanhóis que, no início da época 2001/02, voltaram a bater o recorde de transferências ao assegurarem a contratação de Zidane à Juventus por 73 milhões de euros. O dinheiro investido teve retorno quase imediato, já que Figo e Zidane, juntos, foram peças fundamentais na conquista da UEFA Champions League de 2002.

Em 2002/03 a dupla conquistou o título espanhol no caminho para o Campeonato da Europa de 2004, onde Figo e Zidane sofreram desilusões idênticas à custa do mesmo adversário. A França foi eliminada pela Grécia nos quartos-de-final, que acabaria por reencontrar Portugal no jogo decisivo da competição disputada em solo luso. A vitória final pintou-se de azul e branco e marcou nova era na vida dos dois atletas. Zidane anunciou o fim da sua carreira internacional, enquanto Figo colocou em suspenso a sua, mas não estava escrito que os adeptos perderiam de imediato o prazer de ver estes artistas com as respectivas camisolas nacionais.

Os dois acabariam por regressar durante a fase de qualificação para o Mundial da Alemanha e chegaram a solo germânico dispostos a despedirem-se em beleza. Zidane, que já anunciou o fim da sua carreira após esta campanha, tem estado sublime no meio-campo gaulês, enquanto Figo, que diz adeus à selecção para se concentrar apenas no seu clube (Inter de Milão), tem demonstrado a força e o vigor de um atleta de 20 anos. Esta quarta-feira, em Munique, vão estar frente-a-frente num duelo de verdadeiros campeões de quem o futebol internacional vai ter, certamente, muitas saudades.

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