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Festival Coachella reúne 100 mil pessoas no deserto dos EUA

Provavelmente o mais significante (e tranqüilo) evento pop do mundo hoje, o emergente festival californiano Coachella Music and Arts passou o último fim de semana pregando no deserto que o importante é confundir.

Uma carga musical de deixar maluco, uma escalação de grandes atrações –tocando simultaneamente– de causar tristeza profunda (por perder) e alegria plena (por finalmente escolher uma opção), um visual paradisíaco de abobar (inteiramente gramado e cercado por palmeiras e montanhas de pedra) e uma reunião de celebridades na platéia que só reafirma o que o guitarrista Frank Black (Pixies) disse no ano passado, definindo o festival: “Todos os eventos jovens do mundo devem querer ser como o Coachella. Qualquer um, de qualquer lugar, seria capaz de matar para ter sua lista de atrações, sua lista de convidados e seu clima”.

A atriz Juliette Lewis se matando de dançar ao som do DJ Tiga. O ator e diretor Danny DeVito conferindo o show de Mike Patton (ex-Faith No More) e seu Fantômas. E este repórter poderia jurar que viu Gisele Bündchen arrastar a atriz Angelina Jolie para o meio do povo que pulava ao som do drum’n’bass do DJ brasileiro Marky. No deserto do Coachella, nem tudo é miragem.

O festival reuniu cerca de cem atrações e 100 mil pessoas nos últimos sábado e domingo, e as únicas coisas que estiveram fora da ordem foram um punhado de prisões por conta de “problemas relacionados com drogas” e algumas ocorrências médicas devido ao forte calor, além de uma grávida que entrou em trabalho de parto pouco antes de o grupo Weezer entrar no palco, no sábado.

Brindado por um sol de rachar em seu início, um final de tarde maravilhoso no meio e um friozinho perto de seu encerramento, a sexta edição do Coachella Music and Arts teve até… música. E música diversa, servida aos montes para o público que corria de uma tenda para outra (eram três), de um palco para outro (eram dois), dentro do clube de pólo do Coachella Valley, que abriga o festival.

Tão indie quanto o Curitiba Pop Festival, tão rock quanto o Claro Que É Rock, tão misturado quanto o Tim Festival, tão eletrônico quanto o Skol Beats e tão novas tendências quanto o Sonar Brasil, o Coachella 2005 era bem definido por uma de suas camisetas oficiais, cujo slogan estampado era: “Coachella: breaks, beats, riffs, melodies, hip hops, hooks”.

Até um velho gênero teve seu grande momento no Coachella: o heavy metal. Ou melhor, uma espécie de heavy metal. No epicentro do festival, numa das “atrações” que permite pôr o “Arts” no Coachella Music and Arts, havia uma instalação multiforme de metal, uma figura que parecia a carcaça enorme de uma bomba atômica que foi jogada no festival mas não havia explodido.

As pessoas, umas 20 por vez, recebiam uma baqueta de bateria, também de metal, e juntas espancavam como queriam a instalação, criando um som, cada grupo a seu ritmo. Acredite: do meio-dia de sábado à meia-noite do domingo, o ruidoso som minimalista dos rock stars de ocasião não parou nem um segundo sequer. Dos palcos de “verdade”, a mistura de estilos que saía realmente impressionava. Tudo ao mesmo tempo: enquanto em um palco os dinamarqueses do Raveonettes mandavam seu som romântico enfeitado atrás por uma cortina de guitarras barulhentas, o britânico Jame Cullum exibia seu jazz pop, tipo enfiando Cole Porter em um festival de rock, o DJ Petz (Perry Farrell) fazia estripulias rap e eletrônica e o combo nova-iorquino Radio 4 mostrava a quantas anda o punk funk.

Mas o engraçado de tudo isso é que, lá no fundo, o hit do Coachella 2005 pareceu ser um… funk carioca. “Bucky Done Gun”, da (mega) ovacionada rapper M.I.A., que apareceu até no set da DJ Miss Kittin, ecoou de diversas formas no festival e oficializou de vez o “nosso” funk como referência e som de vanguarda.

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Gazeta Admininstrator
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