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Farinha do mesmo saco?

Nada me dá mais constrangimento do que os estereótipos que se aplicam ao Brasil e aos brasileiros. Para ser sincero, nada me deixa mais “irado”, porque está se tornando comum, para uma grande parte dos brasileiros – de lá e daquí – “assumir” tais estereótipos como uma coisa “natural” de nosso povo, nossa Nação.
Por isso fiquei muito feliz em receber uma expressiva correspondência em função da publicação do editorial “Picaretas e Simpatizantes”, na edição passada do Gazeta.
O tema certamente apaixona e gerou uma série de e-mails e telefonemas de solidariedade, apoio e mais e mais denúncias. Ou seja: não estamos sozinhos nessa luta pela propagação de uma imagem positiva nos Estados Unidos e no exterior de uma maneira geral.
Foi muito encorajador receber o apoio de colegas da imprensa, de entidades representativas e até um e-mail curioso e especial, do Sr. Antonio Prates, residente em Kendall e que vive nos Estados Unidos há 47 anos. Reproduzo um trecho desse e-mail abaixo:

“A picaretagem e sem-vergonhice se tornaram status em nosso país. Lamentavelmente, em vez de aproveitarmos a imagem que temos de povo alegre, amante da Paz e da concórdia, estamos nos tornando o povo da libertinagem, roubalheira e corrupção”

Quando o foco é a ação desses predadores em nossa comunidade, as reações foram igualmente fortes, como a do Sr. José Maleski, que se expressou através de e-mail:

“Gostaria de cumprimentar esse conceituado jornal, e igualmente parabenizar o Sr. Carlos Borges pelo editorial acerca dos picaretas que cercam a comunidade brasileira, aproveitando-se da boa fé dos imigrantes que acabam sendo facilmente logrados. Como sugestão deveríamos começar uma campanha de higienização acabando com os oportunistas que enriquecem as custas da comunidade brasileira, prometendo “mundos e fundos” e acabam por nos enrolar. Deveríamos fazer uma campanha em todos os sentidos, desde advogados que prometem tudo facilmente, até pseudo-religiosos que enriquecem às custas do desespero de alguns que colocam na fé sua última salvação”.

E não pára por aí. A leitora Ana Maria Conde, de Deerfield Beach sugere algo inédito e curioso:

“…seria o caso de sugerir a um desses advogados que têm seriedade e credibilidade já comprovadas há anos de atuação correta em nossa comunidade, abrir um serviço de Denúncia do Consumidor, para que toda vez que um integrante da comunidade brasileira fosse ludibriado por espertalhões, tivesse como se defender, uma voz da Lei a seu favor. Muitos de nós, imigrantes, ficamos de mãos atadas, desejando denunciar e buscar nossos direitos, mas por não termos os papéis, temos medo das represálias. Um advogado que representasse essas causas seria uma forma de intimidar os picaretas, que estão em todos os lugares, cada vez mais e mais.

Pessoalmente acho que o Gazeta está fazendo sua parte. Cabe ao imigrante brasileiro “botar a boca no trombone” e, se estiver temeroso de eventuais represárias, como disse a Ana Maria de Deerfield Beach, contar com o nosso mais absoluto voto de lealdade e discrição. A Primeira Emanda da Constituição dos Estados Unidos nos protege e certamente a defesa dos interesses da comunidade lesada, sempre prevalecerá.

Refletindo sobre esse importante assunto, creio que é hora de cada um dos brasileiros sérios e que estão nos Estados Unidos com o propósito de construir uma vida decente e dentro da Lei, chamar a si a responsabilidade quanto a nossa imagem, como povo e Nação.
Houve um tempo em que, fora de nossas fronteiras, sabia-se pouco ou quase nada sobre o Brasil. As distorções eram de uma ignorância cômica, como os filmes em que o “mocinho” saia do hotel Copacabana Palace, pegava um “Jeep” e duas ruas depois estava encalhado em plena selva Amazônica.
Havia também aquela maldita história de que todo bandido, traficante ou fugitivo da justiça se “refugiava” no Rio de Janeiro. Bem anos 40, 50.
Com o crescimento da presença brasileira nos Estados Unidos, o nível de conhecimento aqui, do que somos, aumentou considerávelmente. Alguns de nossos ídolos, como Castroneves, Kanaan, Fittipaldi, Sônia Braga, Tom Jobim, Marisa Monte, Romero Britto, etc, são nomes conhecidos e celebrados. Já se sabe que o Brasil tem talento e força de trabalho.
Mas paralelamente ao crescimento desse aspecto positivo de nossa imagem, veio a mais enfatizada (a mídia vive de sangue, admitamos) que é a imagem da promiscuidade, prostituição, corrupção e acima de tudo, violência.
Essa não é a cara do Brasil. Mesmo admitindo claramente o delicadíssimo momento histórico e social vivido por nosso país, é bom que saibamos nós e saibam eles, esta, pelo menos não é a única cara do Brasil.

Cada cidadão carrega consigo, queira ou não, a bandeira de sua nação. É um representante de seu povo, de sua gente. Se deixarmos que só os criminosos se apresentem como a cara do Brasil e dos brasileiros, não poderemos reclamar mais tarde, de sermos todos considerados farinha do mesmo saco.

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Gazeta Admininstrator
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