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Família de Jean pede renúncia do chefe da polícia

Alessandro Pereira, primo de Jean Charles de Menezes, pediu nesta sexta-feira a renúncia do chefe da polícia de Londres, Ian Blair, a quem acusou de mentir e tentar esconder informações sobre a morte do brasileiro.
“Nós, da família, temos muitas perguntas a fazer. (…) Por que Ian Blair parou a investigação? (…) O que ele tentou esconder? Se não havia nada a esconder, por que a polícia disse à minha família que não haveria uma segunda autópsia?”, disse Pereira em uma declaração lida à imprensa.

“Minha família quer a verdade. Em nome de minha família, em nome da população de Londres. Em nome de Jean eu digo que aqueles responsáveis devem renunciar. Ian Blair deve renunciar.”

Essa é a primeira vez que um membro da família do eletricista morto pela polícia britânica em julho pede a saída de Ian Blair.

Alessandro leu sua mensagem acompanhado por ativistas de direitos humanos que acompanham o caso. Um deles, Asad Rehman – que se identifica como representante do grupo Justice4Jean (ou “Justiça para Jean”) -, também sugeriu que Ian Blair deve renunciar ao cargo.

Contatada pela BBC Brasil, a assessoria de imprensa da polícia de Londres disse, porém, que Blair não pensa em renunciar e vem recebendo apoio para permanecer no cargo nas últimas semanas.

“Eu e meus oficiais pensamos (na época da morte) que o homem que morreu era um suicida, e nós estávamos no meio da maior operação antiterrorismo” da história da Grã-Bretanha, disse Blair em uma entrevista anterior à BBC na qual também afirmou que não tentou esconder fatos sobre o caso.

“Angústia”

Na sua declaração, Pereira expressou a angústia da família de Jean em meio às informações desencontradas sobre o caso.

“Ian Blair nos deixou sofrer. Tivemos que ouvir mentiras e mentiras. Se fosse o filho de Ian Blair, ele não iria querer a verdade?”, disse Pereira.

“Queremos que os responsáveis sejam processados”, completou.

Nesta semana, o vazamento de documentos sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles mostraram que várias versões iniciais sobre o caso estavam erradas.

De acordo com documentos apresentados pelo canal de televisão ITV, o brasileiro não teria corrido da polícia, não estaria usando com um casaco pesado nem teria feito nada de suspeito antes de ser morto.

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Gazeta Admininstrator
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