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Família de brasileiro morto quer auxílio do Itamaraty

A família do brasileiro Júnior Patrício de Sá, de 31 anos, assassinado por policiais no domingo(4), em Deerfield Beach, vai pedir auxílio ao Itamaraty para acompanhar as investigações e, se for o caso, entrar na justiça. Júnior foi morto a tiros depois de ameaçar com uma faca, o companheiro de apartamento Adonírio Silva, de 47 anos, no condomínio onde moravam Heritage Circle Apartment Complex, no 4300 da Northwest Ninth Avenue.

De acordo com Adonírio, única testemunha da morte, os dois policiais, que atenderam a um chamado de uma vizinha, que teria ouvido gritos, começaram a atirar logo que entraram no apartamento. – Escutei a polícia falar: “Open the door”. E eu disse pra polícia “take it easy. It’s ok”. Mas em segundos eles tacaram o pé na porta, e entraram. Não deu tempo de nada. Entraram e já foram tacando fogo. Eles poderiam entrar sem atirar. Não tinha necessidade disso. Mesmo que atirassem, poderiam ter atirado na perna, para ele cair, e um tiro só, e não vários tiros para matar”, disse Adonírio.

Adonírio também foi atingido com um tiro na barriga e um na mão direita. Em entrevista ao Gazeta o brasileiro, que permanece internado no North Broward Medical Center, disse que foi atingido no intestino e estômago. “Me abriram de cima a baixo aqui no hospital”, disse.

Os dois oficiais que participaram da ação foram afastados de operações externas e colocados em funções administrativas, até a conclusão das investigações. São eles: Vincent Campos, de 42 anos, e James Morrisroe, de 40 anos. Os departamentos de Assuntos Internos e de Homicídios do BSO estão investigando as circunstâncias do disparo que matou o brasileiro.

Itamaraty
O governador Aécio Neves, de Minas Gerais, solicitou ao Itamaraty que peça ao governo dos Estados Unidos, esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte do mineiro.
Em nota divulgada à imprensa, o governo de Minas informa que, por determinação de Aécio Neves, o assessor de Relações Internacionais e chefe do cerimonial do governo de Minas, conselheiro Nilo Barroso, reuniu-se, em Brasília, com o embaixador Manoel Gomes Pereira, diretor do Departamento das Comunidades Brasileiras no Exterior, do Itamaraty para discutir o assunto.

A irmã de Júnior, Neusa Neves, que trabalha como governanta em Indianópolis considera que o que aconteceu foi uma “brutalidade”. “Acho que todo erro foi da polícia. Se a polícia é chamada ao local em um caso desses, acho que teria que ajudar, e não fazer o que fez”, criticou Neusa. Ela confirma que o irmão tería “problemas nervosos”. “O meu irmão tinha problema nervoso. Uma vez no Brasil ele teve uma crise parecida com essa. A família lá me contou. E aqui nos EUA conhecidos me contaram que ele já teve uma crise também. Acho que na hora de uma crise dessas é que deve ter acontecido”, acredita Neusa.

Ela contou que o irmão ligou para ela cinco minutos antes de morrer. “Ele me ligou para chamar a polícia para ele. Me disse que era para chamar a polícia rápido porque tinha alguém querendo pegar ele”, conta Neusa, que agora está contratando um advogado criminalista para investigar a morte do irmão e tomar “as providências legais”. “Conversei com esse rapaz que está no hospital, e com um vizinho, mas as informações são contraditórias. O vizinho me disse que eles estavam brigando na varanda. Cada um fala uma história. Creio que só um advogado pode decidir tudo agora. Estamos tentando que o governo brasileiro colabore de alguma forma para ajudar na investigação. Isso foi uma brutalidade muito grande dos policiais”, conclui Neusa, que afirma não ter recebido qualquer apoio do Consulado brasileiro na Flórida.

(Leia a reportagem completa na edição impressa, que circula a partir de 3a feira, 13).

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