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Exposição revive história dos linchamentos nos EUA

A face do ódio racial nos Estados Unidos está à mostra em uma nova exposição sobre linchamento, no momento em que o governo investiga um assassinato de 50 anos atrás no sul do país e o Senado prepara um pedido de desculpas formal pelas décadas que passou sem agir contra esse tipo de crime.

Ficou evidente na semana passada, durante a abertura da exposição, que as feridas de um país dividido pela cor estão longe de estar curadas. Devido à força da imagem, os organizadores removeram temporariamente uma fotografia do rosto dilacerado de Emmett Till — um adolescente negro torturado e morto em Mississippi em 1955 — quando trouxeram a família de Till para uma mostra particular antes da abertura da exposição.

As fotografias exibidas na Chicago Historical Society registram assassinatos abomináveis ocorridos em sua maioria no “cinturão do algodão”, no sul, mas vão também até Maryland (no leste) e Duluth, Minnesota, no norte.

Há uma foto de “Bootjack” McDaniels, amarrado sem camisa a uma árvore, açoitado com correntes e torturado com uma tocha antes de ser morto a tiros. E uma imagem de Rubin Stacy, com o corpo pendurado em uma árvore ante uma multidão sorridente que inclui crianças.

Há também uma do caixão aberto de Till, mostrando seu rosto mutilado, uma imagem que chocou milhões e ajudou a dar início ao movimento pelos direitos civis.

O linchamento refere-se de modo geral a qualquer assassinato cometido por uma multidão agindo fora da lei, embora muitos norte-americanos associem o termo a mortes com motivação racista, em particular enforcamento.

Fotos de muitas das mortes — parte de uma onda de violência que fez cerca de 4.742 vítimas ao longo da década de 1940 — foram reproduzidas em cartões postais e circulavam como souvenirs populares à época.

A exposição foi organizada em torno dos 50 anos da morte de Till. Também coincide com a recente exumação do corpo dele como parte de uma investigação do crime pelo FBI que pode levar a acusações contra outras pessoas que poderiam estar envolvidas no ato. Os restos mortais de Till foram enterrados de novo no sábado passado.

“Não consegui ir ao funeral há 50 anos…na semana passada tivemos a chance de ir ao enterro e encerrar um capítulo” vendo a exposição, disse Simeon Wright, 62, primo de Till que estava dormindo perto dele na noite em que foi sequestrado. “Isso traz de volta memórias tristes e revoltantes”, acrescentou ele.

Durante uma visita no verão a parentes no Mississippi, Till, na época com 14 anos e morador de Chicago, foi torturado e morto por supostamente ter assobiado para uma mulher branca. O corpo mutilado foi retirado do rio Tallahatchie e a mãe dele, Mamie Till-Mobley, insistiu que o caixão ficasse aberto para mostrar a brutalidade do assassinato.

Os dois homens acusados pelo crime foram absolvidos por um júri formado apenas por brancos no Mississippi, mas depois admitiram o assassinato em uma entrevista para a revista Look.

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Gazeta Admininstrator
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