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Existe vida além dos limites do trabalho.

Ainda considerado por algumas empresas como o profissional ideal, o workaholic (viciado em trabalho) é visto atualmente pela maioria dos profissionais de recursos humanos e especialistas em psicologia, como uma distorção no ambiente de trabalho. E, na maioria das vezes, nem sempre é tão produtivo quanto parece.

A globalização aumentou a concorrência e a pressão sobre o profissional, aliado a isso a vinda das novas tecnologias na área das comunicações como a Internet, faz com que o mundo não pare.

Diante da competitividade cada vez mais acirrada em todas as áreas de atuação, o workaholic tornou-se figura conhecida em todo o mundo e já inspirou até a formação do Workaholics Anonymous, entidade com sede na Califórnia e representação em 14 cidades americanas, inspirada nos mundialmente conhecidos Alcoólicos Anônimos.

Se você costuma esquecer de compromissos sociais como festas de família, encontro com amigos, horário no dentista, entre outras coisinhas, devido às horas a mais que permanece no escritório; ou se mesmo dormindo ou comendo sua cabeça continua a mil por hora com pensamentos voltados para o trabalho e ainda se empolga mais com suas atividades profissionais do que com qualquer outra coisa.

Cuidado! você pode ser um workaholic.

A brasileira Lígia Félix, que trabalha atualmente como vendedora da loja Nextel de Pompano Beach conta que sempre teve o hábito de trabalhar muito. Ela sempre encarou o trabalho mais como um hobby do que como uma fonte de renda. “Nunca trabalhei seis ou oito horas por dia. Já cheguei a virar quase 20 horas trabalhando sem parar, quando tive minha própria empresa de produção de eventos no Brasil”, conta.

Casada, mãe de uma jovem de 15 anos, Lígia confessa que quando sai do trabalho continua pensando nele.

“Outro dia fui à praia com minha filha, marido e um amigo, coisa que raramente fazemos e, de repente, em plena praia, lá estava eu vendendo para o nosso amigo. Meu marido e filha saíram de perto reclamando, e eu continuei vendendo. A minha filha reclama que eu só penso em trabalho, e eu não consigo entender porque”, brinca.

A cabelereira Lourdes Cunha diz que tornou-se viciada em trabalho desde que mudou-se para os Estados Unidos. Ela entende que o vício do trabalho não é positivo, e que trabalho não é tudo. “Trabalho normalmente das 9 da manhã às 8 da noite e no meu dia de folga, como estudo, sempre tenho o que fazer. Nunca fico sem fazer nada porque sempre acabo procurando algo para fazer”, explica.

Ela lamenta que, desta forma, acabe não tendo tempo para vida social, a exemplo do que tinha no Brasil, mas entende que este é o ritmo do país. “Acho muito estranho porque todos estão sempre ocupados e falam muito em dinheiro. Sinto falta do ritmo de vida que tinha antes no Brasil, mas entendo que aqui é assim que funciona”, comenta Lourdes que está certa de que o vício de trabalho tem cura. “Tenho certeza de que se retornasse hoje para o Brasil, voltaria a ser como era antes. Esse é um vício que tem cura, porque está na cabeça da gente”, conclui.

Cleida Cruz, que durante 13 anos trabalhou como jornalista no Brasil, acostumou-se às extensas jornadas de trabalho das redações de jornais, onde o trabalho só acaba quando a notícia permite.

Aqui, trabalhando como autônoma no ramo de financiamento de imóveis e proprietária de uma empresa de produtos promocionais, ela faz seu próprio horário. Mesmo assim, faz questão de ocupar todo o tempo livre que surge, e desconfia que é viciada em trabalho. “Eu acho que sou workaholic. Não conseguiria viver sem trabalhar, sem uma profissão”, explica.

Um dos sinais típicos de que a desconfiança de Cleida tem fundamento é aquela tentação incontrolável de dar pelo menos uma olhadinha no e-mail, mesmo que esteja de férias. “Quando viajo, nos dois primeiros dias é muito grande a tentação de ligar o celular e ver se há alguma mensagem de trabalho, ou o laptop para ver se há um e-mail, e eu acabo não resistindo”, confessa Cleida.

E se tivesse que escolher entre aceitar um convite do marido para umas férias relâmpago ou fechar um negócio no qual estava trabalhando há muito tempo? “Se meu marido dissesse – Vamos viajar. Eu diria não, vamos fechar antes o contrato e depois viajamos”, diz Cleida.

Como todo “não-viciado”, ela está segura de que está tudo sob controle. “Isso não atrapalha a minha vida pessoal e familiar. Eu conjugo bem”, assegura Cleida.

Estima-se que 5% da população economicamente ativa possui a síndrome do lazer que pode ser definida pela presença de crises de ansiedade, angústia, dores de cabeça e/ou musculares, náuseas e fadiga em indivíduos que encontram-se fora de suas atividades. O problema afeta homens e mulheres que apresentam um comportamento compulsivo pelo trabalho – workaholic – e por isso manifesta-se nos finais de semana, feriados prolongados e principalmente em períodos destinados às férias.

Querer crescer, prosperar é super positivo, mas na medida exata. Quando isso se torna exagero a ambição torna-se obsessão, o passo fundamental para a pessoa se recuperar é reconhecer e querer mudar, o que é muito difícil.

Maus hábitos

Teoricamente, qualquer empresa se interessaria em manter um funcionário que trabalhasse até 14 horas por dia, sem reclamar ou pedir remuneração extra, dispensasse o horário do almoço, dando preferência a um rápido sanduíche enquanto adianta algumas tarefas pendentes, levasse o trabalho para casa para dar uma adiantada e não fizesse questão de férias para não perder o ritmo.

Mas na verdade, grandes empresas, como o BankBoston, há alguns anos tentam modificar o hábito de seus workaholics, mostrando a eles que existe vida além dos limites do trabalho. Os coordenadores do programa de qualidade de vida do BankBoston acreditam que o ideal para seus funcionários é trabalhar oito horas por dia, fazer pausas para as refeições e aproveitar o tempo que antes era dedicado a horas extras para dedicar-se a atividades prazerosas como exercícios físicos, por exemplo.

Estudo recente publicado pela Industrial Society do Reino Unido, o Work-Life Manual (Manual Trabalho-Vida) alerta para a necessidade de um equilíbrio entre trabalho e lazer. O estudo revela também que até mesmo os trabalhadores marginalizam políticas favoráveis ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. De acordo com o estudo, o hábito de jornadas extensas de trabalho é um dos principais obstáculos à implementação de políticas de bem-estar para os trabalhadores.

Outro estudo realizado pela britânica Geminy Consulting na Europa e nos Estados Unidos aponta o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal como uma das três prioridades dos trabalhadores. De acordo com o levantamento noticiado pelo jornal inglês Financial Times, apenas um terço dos pesquisados adora a carga excedente de trabalho.

Os demais, segundo o jornal, sentem-se penalizados com a situação.

Entre as razões que levariam um profissional a tornar-se um viciado em trabalho estão, de acordo com especialistas, o perfeccionismo, detectado entre 52% dos entrevistados, a necessidade de ultrapassar limites, verificada entre 40% dos que responderam à sondagem, perfil pessoal agitado, entre 36%, sobrecarga de afazeres confirmada por 27% e estresse e tensões acumuladas, por 26%.

O teste a seguir foi elaborado por profissionais de Recursos Humanos com base nos princípios da Workahoolic Anonymous, e pode ajudar qualquer executivo a verificar se está ou não exagerando no trabalho. Outras dicas oferecidas pelo Workaholics Anonymous listam algumas das mais comuns características dos viciados em trabalho.

TESTE: VOCÊ É WORKAHOLIC?

1. Você normalmente trabalha mais de cinco dias por semana?

2. Você normalmente trabalha mais de nove horas por dia?

3. Você normalmente trabalha no horário do lanche?

4. Você costuma utilizar seu tempo de férias fazendo trabalhos em casa para o escritório?

5. Você já disse a si mesmo, pelo menos cinco vezes, que precisa ter vida própria além do trabalho?

6. Você alguma vez já cancelou suas férias porque tinha muito trabalho pra fazer?

7. Terminar um projeto ou fazer mais uma ligação de negócios é, tipicamente, mais prioritário para você do que chegar em casa na hora para o jantar?

8. Você está sempre no escritório na hora de dizer adeus para a última pessoa que sai?

9. O seu caminho de casa para o trabalho e do trabalho para a casa parece mais familiar quando é de noite?

10. Você freqüentemente está trabalhando quando começa o jornal da noite na TV?

11. Quando está jantando sozinho, você tem o impulso de fazer alguma atividade extra como ler ou trabalhar?

12. Quando assiste TV, você tem o impulso de aproveitar o tempo para executar outra atividade extra?

RESULTADOS

Se sua resposta foi sim para nove ou mais questões, você definitivamente é um workaholic.

– Oito sim – Você não é workaholic, mas trabalha com muito afinco.

– Sete sim – Você não é um workaholic mas deve prestar atenção ao seu comportamento.

– Seis sim – Você não é um workaholic e precisa seriamente examinar seus valores profissionais.

– Cinco sim – Você é um preguiçoso!

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Gazeta Admininstrator
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