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EUA fecham cerco a tráfico de pessoas

O governo Bush vai reforçar o patrulhamento das fronteiras com o México: vai duplicar o número de guardas nas áreas consideradas mais vulneráveis, especialmente o Texas, e acaba de criar uma unidade especial vinculada ao Departamento de Justiça para combater o tráfico de imigrantes ilegais. Segundo o governo, 800 mil pessoas por ano atravessam ilegalmente as fronteiras internacionais, sendo que 17.500 são vítimas de tráfico humano nos EUA.

Os países latinos com maior número de casos são México e Equador, mas o Brasil, que teve acentuada queda no número total de imigrantes ilegais presos nas fronteiras americanas em 2006, aparece como um dos países mais vulneráveis ao tráfico humano com vistas à exploração sexual. No relatório de 2006 do Departamento de Estado, o Brasil entrou para a lista de países “que merecem observação atenta” – a chamada “watch list”.

“Consideramos o tráfico de seres humanos uma versão moderna da escravidão”, diz a promotora Grace Chung Becker, assistente do procurador-geral dos EUA, Alberto Gonzales.

“Adotamos uma nova estratégia que visa a punir as redes criminosas de contrabando e a tratar como vítimas os imigrantes ilegais que foram submetidos a fraude, força ou coação, dando a eles direito à assistência legal, médica e psicológica, podendo inclusive optar por ficarem nos EUA com um visto especial.

De acordo com recenseamento do Departamento de Segurança Interna, Ásia e América Latina são as regiões que mais enviam imigrantes ilegais aos EUA, muitos vítimas de contrabandistas, com uso de documentos fraudulentos. Depois de atravessada a fronteira, tornam-se alvos de chantagem, coação, abuso sexual e espancamento. De acordo com as autoridades de fronteira, asiáticos são as maiores vítimas de trabalho escravo após desembarcarem, e os latinos, sobretudo as mulheres, de exploração sexual.

“A América Latina teve aumento no número de casos de tráfico humano em 2006 e a região é uma das maiores fontes de vítimas deste tipo de crime, tendo como destino os EUA”, comenta Eleanor Gaetan, coordenadora do Escritório de Monitoramento de Tráfico Humano do Departamento de Estado.

O relatório afirma que cerca de 70 mil brasileiros, na maioria mulheres, se dedicam à prostituição fora do território brasileiro e estima-se que outros 25 mil, na maioria homens, sejam vítimas de trabalhos forçados.

“O Brasil reduziu o número total de imigrantes ilegais para os EUA por causa da mudança da legislação mexicana, que passou a exigir vistos para brasileiros, dificultando assim o acesso à principal rota para entrada em território americano”, diz Gabriel Garcia, chefe da unidade de combate ao tráfico humano do Departamento de Segurança Nacional e Controle de Fronteiras dos EUA.

Falhas

O relatório afirma ainda que a nova classificação do país na “watch list” se deve ao fato de que o governo brasileiro, apesar de ter feito grandes esforços para a redução da imigração ilegal, ainda tem falhas no combate ao tráfico de pessoas, sobretudo no que se refere à punição das redes criminosas de exploração sexual e aos recrutadores de trabalho forçado.

“O Brasil está classificado no grau 2, que indica números ainda elevados de imigrantes ilegais vítimas de tráfico e há uma tendência de crescimento desses números em função da aparente impunidade que os criminosos usufruem por causa das falhas das autoridades brasileiras no combate ao crime “, valia Eleanor Gaetan.

Os imigrantes submetidos a trabalhos forçados nos EUA são encontrados, na maioria dos casos, em grupos importados para servidão em grandes fazendas, quando se trata de região rural, ou em restaurantes e indústrias alimentícias, nas cidades médias e grandes. As mulheres que entram no mercado de prostituição são na maioria recrutadas como modelos e dançarinas. Todos são atraídos pela promessa de uma vida melhor, rápida legalização de documentos nos EUA e de um breve reencontro com familiares.

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