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“Escolhi para morar um lugar que tem furacões. Nada é perfeito”

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Eu e minhas colegas trabalhando um dia depois do Katrina.

Tenho que confessar que estou com mdeo.

Estamos esperando a chegada do furacão Irma, que deverá estar por aqui no sábado.
Furacões são mais previsíveis que tornados, mas ainda assim vão mudando de situação na sua caminhada.
Aliás, furacão era uma palavra que não fazia parte do meu dicionário quando morava no Brasil. Foi um termo incorporado logo que mudei prá cá.

Já passei vários, alguns ficaram na ameaça e outros realmente bateram.
Pela minha experiência, tenho respeito aos furacões com nome de mulher. Lembro do Irene, do Katrina e o que mais me assustou foi o Wilma, em outubro de 2005.

Dormindo na cozinha: nada é perfeito!

Arrebentou uma janela no quarto do meu filho (foto) e ficamos uma hora nos revesando prá segurar a porta do quarto ouvindo alguma coisa bater nas paredes. Eram os aviõezinhos de coleção do Fred que literalmente voaram dentro do quarto durante aquela hora.

Este furacão também me ensinou que o pós-furacão as vezes é pior do que o próprio. Ficamos uma semana sem luz. Tentei fazer um omelete na vela. Um ovo, vinte minutos. Mais um exercício de paciência.
E banho frio?

Sempre falo que o meu maior castigo, se fosse presa, seria ter que tomar banho frio. Na época do Wilma, o diretor da empresa alugou um quarto de hotel que tinha luz, então passavamos lá prá tomar banho e ir pro trabalho. Meu reconhecimento eterno a ele.

Não dava para trabalhar porque não tinha luz. Uns poucos funcionários (foto ao lado) , dentre eles eu, foram trabalhar no day after Katrina. Ganhamos até uma medalha, porque a situação era complicada. Não tinha luz no escritório e ficamos no pátio brincando com as folhas que cairam

E quando o furacão passa a tendência é ir prá rua, ver os estragos. Porém não pode. Porque aquela calmaria é aparente. É o olho. Depois de um tempo passa o resto, que normalmente é o que trás chuva.

No Wilma, minhas janelas ainda não era a prova de furacão. Assim dormimos na cozinha que era o lugar que não tinha janelas.O dia seguinte é uma desgraça. Ai é tentar voltar ao normal, que as vezes, demora. Sem esquecer que é uma época de calor. Sem ar condicionado, tudo mofando e cheirando . Um horror!!!!

Não tem como passar um furacão sem inconvenientes. A água , pão e biscoitos somem das pratelerias. Você aprende o que é um shutter e como se instala.

Sem falar que você vira meteorologista. Passa os dias de olho nas informações que são postadas de 3 em 3 horas, as 8, 11, 2, 5, 8 da noite , 11, 2 e 5 da manhã.

Você passa a entender de pressão atmosférica, temperatura do mar e correntes marítimas.
E assimvamos aprendendo com cada detalhe que não tem ninguém, nem nada, que possa com a força da natureza.

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Silvana Mandelli
Silvana Mandelli
Brasileira/americana, Silvana Mandelli resolveu, na terceira idade, escrever sobre suas experiências de vida, principalmente sobre viagens, sua grande paixão. Em seu blog "De bobagens a viagens", também compartiha aprendizados, observações sobre aquele assunto que estiver na mente e experiências que deram ou não certo, podendo assim deixar um legado para sua neta. Blog: www.debobagensaviagens.com
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