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Escaneamento facial é testado para identificar indocumentados nos EUA

O sistema está sendo testado em mais aeroportos dos EUA. Photo Credit Newsday J. Conrad Williams Jr.

Como parte de um esforço de décadas para aumentar a segurança e, principalmente, para identificar mais precisamente os imigrantes que ultrapassam seus vistos e permanecem ilegalmente nos Estados Unidos, conhecidos como “overstayedvisas”, o departamento de imigração do U.S. Customs and Border Protection, passou a testar e a comparar com mais frequência o escaneamento facial em passageiros que desembarcam em aeroportos do país.

A fotografia tirada ao passar pela imigração é comparada com um scan facial o qual os visitantes estrangeiros foram submetidos quando entraram no país ou quando fizeram o pedido de visto. Simultaneamente à identificação pela foto, os dados do visitante também são cruzados com dados da polícia e de agências de inteligência.

O departamento acredita que se os agentes conseguirem monitorar melhor quem deixou o país, eles poderão avaliar melhor quem ficou aqui além do limite legal de seu visto.

De acordo com o Department of Homeland Security, no ano passado um número estimado de 629 mil visitantes nos Estados Unidos—pouco mais de 1% de todos os viajantes—permaneceram no país depois de vencidos seus vistos de estudo, trabalho ou turismo, e eles representam uma porcentagem cada vez maior da população imigrante não autorizada no país.

John Roth, o inspetor-geral do DHS, disse que o número de pessoas que ficavam além do prazo de seus vistos representava um risco de segurança maior do que poderia parecer por ser um número relativamente pequeno, observando que dois dos sequestradores do 11 de setembro haviam ficado além de seus vistos.

Atualmente, os visitantes fornecem dados biométricos somente quando entram no país. Há muito tempo que o sistema biométrico de saída era um desejo das autoridades.Um decreto assinado em janeiro pelo presidente Donald Trump exige que todos os viajantes que fossem aos Estados Unidos fornecessem dados biométricos na entrada e na saída do país.

Tanto as administrações anteriores a de Trump já consideravam um sistema de saída biométrico como preferível aos documentos em papel para garantir a segurança nas fronteiras, porém, durante anos, a tecnologia para colecionar essa informação era lenta.

Agora, os dispositivos que reúnem informações biométricas, desde smartphones até sistemas de segurança, estão em uso generalizado.

O sistema de saída biométrica tem sido criticado por grupos de direitos de privacidade, que dizem que as varreduras de reconhecimento facial, embora aparentemente configuradas para garantir que os visitantes estrangeiros deixem o país, são uma forma invasiva de vigilância dos cidadãos americanos e que a agência não havia estabelecido diretrizes claras sobre como o sistema deveria ser usado.

Quase três dezenas de países, inclusive muitos na Europa, na Ásia e na África, coletam informações biométricas—impressões digitais, varredura de íris e fotografias que podem ser usadas para reconhecimento facial—de pessoas que saem de seus países. Mas os EUA ficaram para trás de outros países na adoção da tecnologia, apesar da ordem do Congresso. Um dos motivos era a forma como os aeroportos nos Estados Unidos foram projetados.

Terminais de entrada e saída para imigrantes

Na maior parte dos países, passageiros internacionais partem de um terminal separado onde agentes da imigração coletam informações biométricas daqueles que deixam o país. Mas nos Estados Unidos, passageiros para voos domésticos e internacionais muitas vezes ficam nos mesmos terminais, tornando difícil para os agentes coletar informações sobre pessoas que estão deixando o país—um voo para Jackson, Mississippi, pode estar localizado ao lado de um que vai para o Japão.

A Customs and Border Protection vem testando alguns programas biométricos em parceria com diversas companhias aéreas em Atlanta, Boston, Nova York e Washington, financiados por até US$1 bilhão (mais de R$3 bilhões) provenientes de determinadas cobranças extras de vistos ao longo dos próximos 10 anos.

John Wagner, vice-comissário executivo assistente da divisão de Operações de Campo da Customs and Border Protection, disse que o programa teria uma cara diferente em cada aeroporto. Em alguns casos as próprias companhias aéreas operariam o programa, incorporando o sistema biométrico ao seu processo de embarque.

Com informações do The New York Times.

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