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Epernay – A capital da Champagne

Tenho que confessar a minha ignorância.

Até pesquisar o roteiro para esta viagem eu nunca havia ouvido falar nesta cidade.

A cidade está localizada a 130 quilômetros a oeste de Paris e a 30 quilômetros de Reims e tem como atração principal a Avenida da Champagne, onde estão localizadas várias caves de champagne, como Moet Chandon, Mercier e De Castellane. Dizem que é a rua mais cara do mundo tendo em vista a enorme quantidade de garrafas de champagne armazenadas nas suas caves subterrâneas. Dizem que são mais de setecentas milhóes de garrafas em cem quilômetros de túneis por baixo da cidade.

Ouvimos várias vezes durante nossa estadia em Reims e Epernay que apenas o espumante produzido nesta região chamada Champagne, pode ser um champagne. O resto é espumante.

Uma connoisseur da Maison Tattinger ensina que a umidade relativa do ar alta, temperaturas mais baixas e verões curtos afetam o crescimento das uvas, dando um sabor particular ao produto. O solo diferente, meio farinhento, macio e poroso dão um sabor mineral a champagne.

O solo é calcáreo e no lugar existia um mar interno. Este é um dos grandes diferenciais do espumante produzido nesta região.

Difícil é decidir qual a Cave a visitar. Dizem que a Moet Chandon é linda e elegante, como a marca, mas tinhamos tempo para visitar apenas uma e a escolha foi pela Mercier, pela curiosidade de conhecer os túneis.

Mas fique esperto. As caves fecham ao meio dia e só abre as duas. Assim é preciso ficar atento para os horários e para sua programação, sob pena de prejudicar uma ou outra.

  • Cave da Champagne Mercier

A Mercier foi fundada em 1858. Era a detentora da marca Dom Perignon, mas a cedeu para Moet Chandon em 1927. Hoje a marca está no grupo LVHM do grupo Louis Vitton e é a marca mais vendida no mercado doméstico da França.

Graças a liderança e audácia deEugene Mercier(1838-1904) se tornou a marca poderosa que é. Ele foi um homem a frente do seu tempo.

Eugene Mercier(1838-1904)

Nada para ele era limite.Como fã de Marketing tenho que considerar que este senhor se superou.

Foi o primeiro a servir Champagne num balão de ar quente, pioneiro em colocar luz elétrica nas suas caves e chamado de louco quando decidiu levar um tonel de vinte toneladas, com capacidade para 200.000 garrafas de champagne, cinco metros de altura, para ser a atração da Exposição Mundial de Paris de 1889. E levou. O tonel foi a segunda atração do evento, juntamente com a Torre Eiffel. Mas para levá-lo foi uma saga. Foi preciso criar rodas especiais para uma carreta, abrir estradas e cortar edifícios. Literalmente teve que cortar cinco casas no caminho prá passar com sua carga. Precisou de vinte bois e dezoito cavalos para puxar o barril em locais de mais dificil locomoção.Ele se utilizou de tudo que tinha disponível na época de mais inovador para promover sua champagne, como o cinema, por exemplo. Foi a primeira campanha viral do mundo. Todo mundo só falava disto.

Hoje este tonel está na entrada principal da Cave e foi o primeiro de muitos impactos nesta visita.

  • Fazendo Champagne, da uva ao copo

A história da degustação no Balão de ar quente também virou viral. Foi montada uma sala de degustação dentro da gondola do balão. Num dia de vento forte, o balão se desprendeu com o bartender e vários clientes dentro e acabou pousando numa pequena vila da Bélgica, nao longe da fronteira. O policial que inspecionou o balão encontrou seis garrafas de champagne e o piloto ganhou uma multa por importação ilegal de alcool. Eugene Mercier disse que foi a campanha publicitária mais barata que já fez.

Foi dele também a primeira peça publicitária feita para o cinema. Chamava-se “Fazendo Champagne, da uva ao copo, produzida por ele mesmo com a ajuda dos irmãos Lumiére considerado os criadores do cinema Três milhões e setecentos e vinte mil pessoas assistiram o filme de cinco minutos que deu um trabalho incrível prá fazer, porque não tinham boas condições de luz para a filmagem dentro das caves e tiveram que reproduzir os locais fora delas, com luz adequada.

Parece que o neto herdou o gene, porque em 1950 promoveu uma corrida de carros da Renault dentro dos corredores da cave.

A Maison oferece um tour guiado de uma hora, que foi o que escolhemos fazer, começando com um audiovisual.

Uma miniatura do comboio que levou o enorme barril para Paris.

Comprei o ticket pela Internet, mas é possível comprá-lo na hora sem problema.

A seguir, entramosnum elevador musical que conta um pouco da história da casa em três dimensões ( neste hora já estava vibrando, porque nunca tinha visto uma montagem desta forma, feita por uma empresa privada para contar a sua história para passar posteriormente a visita da cave propriamente dita feita num trenzinho, terminando com uma degustação.

O passeio todo impressiona, tanto pela criatividade na apresentação quanto pela grandiosidade dos 18 kms de corredores dos quais apenas percorremos uma pequena parte.

O tour custa 16 euros com direito a um copo de champagne.

As pratelerias onde ficam as champagnes que vão trocando de posição, de tempos em tempos.

  • Aparecimento de Dom Perignon

Com o aparecimento de Dom Perignon que era um monge beneditino da Abadia de Hautvillers, situada nesta área de Epernay, em 1670, houve uma “revolução” na produção do champanhe. A Dom Pérignon, um estudioso da matéria, deve-se a descoberta dos cinco principais elementos que em muito contribuíram para o champanhe tal como ela é hoje:

  • A mistura de diferentes vinhos da região, conseguindo que o produto fique mais harmonioso. Atualmente, a lei permite apenas a mistura de três castas de uva: duas escuras (Pinot Noir e Pinot Meunier) e uma branca (Chardonnay)
  • Separação e prensagem em separado das uvas pretas que predominam em Champagne, obtendo assim um cristalino sumo de uva. Só serão utilizados os primeiros 2500 litros resultantes das duas primeiras prensagens. Apenas estes ganharão o direito a serem chamados de Champagne. Estes 2.500 litros serão divididos em 13 tonéis de 200 litros cada. Começa ai a primeira fermentação. Nas caves a 10 ou 20 metros de profundidade, o mosto se transformara em vinho. Depois há uma mistura de 10, 20 e até 30 safras diferentes. Isto se chamaLa Cuvee e este é o segredo maior de cada marca.
  • O uso de garrafas de vidro mais espesso para melhor permitirem a pressão da segunda fermentação em garrafa.
  • O uso da rolha de cortiça, vinda de Espanha, que permitiu substituir o anterior sistema, pauzinhos de cânhamo embebidos em azeite.
  • A escavação de profundas adegas, hoje galerias com vários quilômetros de extensão e usadas por todos os produtores, para permitir o repouso e envelhecimento do champanhe a uma temperatura constante.

A mistura definitiva, duas parte de vinho tinto e uma de vinho branco é colocada em garrafas previamente untadas com açucar de cana e fermento. Estará se iniciando o segundo processo de fermentação.La prise de mousse.

O açúcar se transforma em alcool e gás carbonico – surgem as borbulhas e a espuma. A principio as garrafas são colocadas na posição horizontal. Através de um método que se prolonga três meses, serão erguidas, passando de um cavalete para outro até ficarem de cabeça para baixo. Durante este processo as garrafas serão viradas um oitavo de volta. Esta operação é chamadaLe Remusge.O objetivo é fazer com que o depósito desça para o gargalo.

Com a pressão de 5 a 6 atmosferas dentro da garrafa, a champagne já existe, basta remover as impurezas e detritos.

Le degorgement é a o penúltimo ato. Com habilidade e um congelamento rápido, remove-se a rolha e o depósito que está junto com ela. A seguir é colocada a rolha definitiva. E as garrafas voltam para as caves.

Nos próximos quatro anos, pelo menos, as garrafas permanecerão nos túneis cavados.

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Silvana Mandelli
Silvana Mandelli
Brasileira/americana, Silvana Mandelli resolveu, na terceira idade, escrever sobre suas experiências de vida, principalmente sobre viagens, sua grande paixão. Em seu blog "De bobagens a viagens", também compartiha aprendizados, observações sobre aquele assunto que estiver na mente e experiências que deram ou não certo, podendo assim deixar um legado para sua neta. Blog: www.debobagensaviagens.com
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