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Envio de doações ao Brasil: aprendendo com erros

Marisa Arruda Barbosa

Os brasileiros que resolveram se unir em solidariedade às vítimas das enchentes da região serrana do Rio de Janeiro, que aconteceu há mais de um mês, uniram-se ao grupo de frustrados que já tentaram enviar doações ao Brasil.

Denise Schneider acabou se tornando a imagem do grupo que se mobilizou aqui no sul da Flórida, no qual várias pessoas que se envolveram preferiram manter seus nomes em sigilo. Por esse motivo, Scheneider, que no início recebia elogios, agora recebe todas as críticas.

Doações suficientes para lotar quatro contêineres vieram de todos os cantos da Flórida e até do Alabama. Foram doados contêineres e galpões para armazenamento.

Tudo parecia certo, e, segundo informações do grupo, a Cruz Vermelha do Rio de Janeiro cuidaria do processo burocrático – que não é simples – de aceitação das doações. Porém, há uma semana, uma notícia caiu como uma bomba: a Cruz Vermelha disse que não pode aceitar as doações, pois já receberam tanta roupa que os funcionários chamam de “entulho”. Agora o grupo se vê com toneladas de doações e um prazo curto para desocupar os depósitos.

A solução será entregar as doações para instituições locais, e Schneider busca ajuda e sugestões. “A responsabilidade caiu toda nas minhas costas”, conta Schneider. “Eu não sabia do processo burocrático, mas fui movida pela solidariedade. Agora recebo mensagens no Facebook de pessoas me chamando de irresponsável e nem sei o que dizer, estamos todos no mesmo barco”.

Não faz muito tempo que o Gazeta publicou a história, parecida com esta, do Angel of Hopes, uma organização sem fins lucrativos fundada em fevereiro do ano passado, com o propósito de ajudar o Brasil ou qualquer lugar que esteja passando por necessidades. Não foi difícil arrecadar bens a serem enviados, mas no momento da burocracia, tudo complicou.

“A lei para importação de doações existe no Brasil”, disse Rodrigo da Silva, do Angel of Hopes, que pesquisou no site da Receita Federal. “Mas quando você se depara com a burocracia é como se a lei não existisse. Você pode estar com toda a documentação e ainda haverá algo faltando, até que percebe que entra o lado a propina”.

Depois de quase um ano tentando enviar doações ao Brasil, o Angel of Hopes desistiu e doou para uma organização local, que lida com vítimas de violência doméstica (Aid to Victims od Domestic Abuse – AVDA).

E a resolução para o novo ano é de enviar somente ajuda monetária e assim evitar gastos, como o aluguel do galpão para manter as doações.

O Rotary Club doa 400 cadeiras de roda ao Brasil todos os anos, há oito anos, mas só conseguiu começar a entregá-las há cinco, por causa da burocracia. Quando as enchentes aconteceram, eles conseguiram
enviar seis mil barracas para os desabrigados.

“Para se fazer ação social tem que ser racional, nós avaliamos a necessidade e o que falta, para usar o dinheiro da doação com atenção”, disse Douglas Heizer, presidente do Rotary Club Boca Raton West.

Thiago Guimarães, gerente de desenvolvimento da Brasil Foundation, conta que a mobilização em New York foi imensa para o envio de doações, mas a Fundação só se envolveu com arrecadações em dinheiro.

Ele disse que os itens arrecadados aqui não satisfazem as necessidades dos desabrigados no momento, que precisam de bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos.

O prejuízo que os doadores da Flórida tiveram até agora foi de quase 6 mil dólares, incluindo os contêineres doados e armazenamento, segundo Schneider.

Já a Brazil Foundation arrecadou, em um mês, 30 mil dólares para o Instituto da Criança em Nova Friburgo e 14 mil para o Viva Rio, segundo informações de Juliana Luppi, gerente do escritório da fundação em New York.

O que fazer com as doações paradas

“Eu sugeriria que se fizesse um bazar para vender essas roupas e enviar o dinheiro ao Brasil”, disse Douglas Heizer.

“Mas também fazer uma doação tão grande a uma instituição americana daria repercussão na mídia, que enfatizaria esse grande problema de enviar doações ao Brasil.

Da Silva pensou em falar com Silair Almeida, que é um dos quatro representantes dos brasileiros no exterior junto ao Itamaraty, para que leve esta questão ao governo brasileiro. “Muitos poderiam estar ajudando muita gente e não podem (por causa da burocracia)”.

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