DESDE 1994 SERVINDO À COMUNIDADE BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS.

Em depoimento, Romário diz que jogou em time de Bem-Te-Vi

O depoimento do jogador Romário, marcado para a próxima segunda-feira, foi antecipado para esta quinta. Ele esteve na 21ª DP (Bonsucesso), acompanhado de um advogado, para explicar sua participação numa festa na Favela da Rocinha, em maio deste ano, na qual estaria o traficante Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi.

Foram 40 minutos de depoimento. Romário negou que seja amigo do traficante e afirmou que o evento era beneficente. Ele disse ainda que Bem-Te-Vi jogou no seu time durante uma partida de futebol mas que ele só o conheceu naquele momento. O jogador alegou que a partida era para arrecadar roupas e alimentos para crianças portadoras de Síndrome de Down. Romário contou que foi apresentado a Bem-Te-Vi, e que o bandido teria pedido para participar da partida. Mas ele só jogou dez minutos no time de Romário e o outro tempo no time local. O atacante disse que vai continuar freqüentando eventos em comunidades de baixa renda.

Em escuta telefônica feita pela 21ª DP, o nome do jogador foi citado na conversa de um taxista com um traficante da favela da Maré. Na ligação, o motorista diz que viu o atacante do Vasco numa festa onde também estava Bem-Te-Vi.

– O depoimento foi bastante convincente. A conduta do Romário não se enquadra em nenhum tipo penal, criminalmente ele não participou de nenhum ato ilícito – afirmou o delegado Jáder Amaral.

Outro depoimento importante no caso que apura a ligação de jogadores de futebol e celebridades, continua agendado para a segunda-feira: o do ex-cunhado de Romário, o advogado Marcelo Santoro de Carvalho. O irmão da apresentadora Mônica Santoro é apontado pela polícia como principal elo de alguns famosos com o criminoso Bem-Te-Vi, chefe do tráfico de drogas da Rocinha.

Pelo menos 11 famosos foram citados ou flagrados na investigação da Polinter sobre a Rocinha. Alguns deles foram protegidos pelos próprios criminosos que falavam sobre as celebridades usando apelidos ou códigos. Para a chefe do setor de investigação da Polinter, inspetora Marina Maggessi, o que interessa na investigação são os intermediários, como o advogado Marcelo.

Em gravações feitas com autorização judicial em junho deste ano, Marcelo aparece fazendo a intermediação do goleiro da Inter de Milão e da seleção brasileira, Júlio César, com o traficante. O chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, ressaltou que os intermediários das celebridades com os bandidos podem ter cometido crime:

– Caso fique comprovado que a ida dessas celebridades às favelas contribuiu para a venda de entorpecentes isso poderá caracterizar crime de associação para fins de tráfico da pessoa que faz o contato – disso Lins.

A chefe do setor de investigações da Polinter, inspetora Marina Maggessi, disse que além de Marcelo vai chamar para prestar depoimento o dono do radiotransmissor utilizado pelo cantor de pagode Gerson Dupan. O aparelho, usado para falar com o traficante Bem-Te-Vi, estava em nome de um homem chamado Gilson. Ele seria irmão do artista. O cantor também vai ser ouvido pela polícia para dar explicações sobre a conversa que teve com o bandido, quando disse que estava levando o vereador Jorge Mauro para um pagode na Rocinha.

Na quarta-feira, o advogado de Júlio Cesar fez contato com investigadores da Polinter. Ele vai informar se o goleiro estará no Brasil em breve. Assim, o atleta poderá prestar depoimento na delegacia ou por carta rogatória em Milão, onde vive.

O goleiro da seleção brasileira Júlio Cesar falou pela primeira vez nesta terça-feira, à TV Globo, sobre as gravações em que ele aparece conversando com o traficante Bem-Te-Vi, o chefe do tráfico da favela da Rocinha. Na gravação telefônica, Júlio Cesar avisa o bandido sobre um assalto que testemunhou em frente à Rocinha.

– A gente fica com medo de não atender. O cara quer falar contigo e não vou falar? Sei que as pessoas dizem que foi um ato irresponsável, entendo por tudo, mas a minha situação é essa, não tenho o que esconder, todo mundo me conhece, sabe a vida que eu levo, tenho uma família maravilhosa, uns pais maravilhosos que me educaram muito bem, não tenho que esconder nada – disse o goleiro.

O jogador Jorginho, da seleção brasileira de futebol de areia, prestou depoimento na Polinter nesta quarta-feira sobre seu suposto envolvimento com o traficante Bem-Te-Vi. Segundo a assessoria do atleta, ele considerou o depoimento tranqüilo e repetiu o que já tinha dito na véspera em entrevista coletiva.

Gravações telefônicas feitas pela polícia, com autorização judicial, revelaram que Jorginho foi até a uma festa de aniversário de um gerente das bocas-de-fumo da comunidade e pediu para Bem-Te-Vi chamar pelo radiotransmissor um outro amigo, que ainda não foi identificado. Na conversa, Jorginho chama o homem para a comemoração na favela. Segundo a inspetora Marina Maggessi, o atleta prestou depoimento como testemunha, para explicar que tipo de relacionamento teria com o traficante.

Segundo sua assessoria, Jorginho disse nesta quarta-feira já ter esclarecido tudo para a imprensa e para a polícia. Agora ele quer botar um ponto final no assunto e tratar de sua vida profissional.

– Hoje encerrei o assunto, não quero falar mais nisso. Quero voltar a focalizar minha profissão, que é jogar futebol – afirmou.

Novas escutas divulgadas pela Polinter mostram um outro jogador conversando com Bem-Te-Vi. O atleta, chamado Beto, fala diretamente com o traficante pelo radiotransmissor de um homem identificado apenas como Marquinho.

Baixe nosso app:

Comments

comments

Gazeta Admininstrator
Gazeta Admininstrator
164