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Egípcios vão às urnas para eleger presidente nesta quarta

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, já está há quase 24 anos no poder e chega agora ao fim de seu quarto mandato tendo que fazer campanha pela primeira vez na vida.

Embora os egípcios tenham dez candidatos para escolher nas eleições desta quarta-feira –o primeiro pleito multipartidário da história do país– analistas são unânimes em dizer que é praticamente certa a vitória do presidente.

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Depois de mais de duas décadas de um governo centralizador respaldado de leis de emergência (que limitam a liberdade de expressão e de atividade política) não há figuras nacionais em condições de enfrentar Mubarak.

Os grupos islâmicos –em especial a forte Irmandade Islâmica – ainda teriam melhores chances, mas foram barrados das eleições porque não têm autorização para formar partidos políticos. E a maioria dos partidos de oposição decidiu boicotar as eleições argumentando que o sistema está todo montado para garantir a vitória do governo.

Apenas os candidatos dos partidos Al-Ghad, Ayman Nour, e Wafd, Noman Gomaa são considerados adversários de expressão nacional, enquanto os outros sete vêm de partidos sem qualquer representatividade.

Fraude

Nos últimos dias também aumentaram os temores de fraude, embora a maioria dos analistas considere que Mubarak não precisa disso para garantir a vitória.

“São muito perturbadoras as limitações que a Comissão Eleitoral está colocando ao monitoramento das eleições e a desorganização com que estamos chegando à disputa”, diz o cientista político da Universidade do Cairo, Mustafa Kamel al Sayed.

A Comissão Eleitoral Egípcia anunciou que não vai obedecer a determinação da Justiça de permitir a presença de observadores independentes nas seções eleitorais.

Al-Sayed diz acreditar que o governo vai conseguir pelo menos 60% dos votos sem necessidade de fraude.

“Não entendo por que o governo está colocando tantas dificuldades para o monitoramento. Temo que possa haver alguma intenção de manipular os percentuais que a oposição vai conseguir para dar a impressão de unidade nacional em torno do governo”, avalia.

Monitoramento

O primeiro-ministro Ahmed Nazif disse em uma entrevista coletiva nesta terça-feira que a Comissão Eleitoral tem o direito de decidir como quer que a votação ocorra.

“Existem várias maneiras de se garantir que as eleições sejam bem fiscalizadas. A Comissão optou por permitir que um representante de cada candidato fique na seção eleitoral durante toda a votação e isso vai ser suficiente para impedir qualquer tipo de fraude”, disse.

O presidente do Instituto para Estudos de Direitos Humanos do Cairo (IEDHC) e membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos (do governo), Bahey Din Hassan, discorda.

“Esta eleição é muito peculiar: a apuração vai ser secreta, mas a mesma garantia não existe para a votação”, disse.

O instituto que Hassan preside foi a única organização não-governamental a receber autorização para monitorar as eleições.

“Não estou nem um pouco satisfeito com isso. Queríamos outras entidades da sociedade civil trabalhando também na fiscalização”, disse.

Mesmo a entidade de Hassan, no entanto, não vai poder entrar nas seções eleitorais e só vai poder fazer o monitoramento de fora.

Lei eleitoral

A abertura das eleições neste ano foi entendida por analistas como uma resposta à pressão crescente, tanto de dentro do Egito como do exterior, por reformas democráticas no país.

Quando o presidente Mubarak anunciou em fevereiro a decisão de propor ao Parlamento a emenda constitucional tratando do assunto, a oposição foi pega de surpresa porque mesmo os mais otimistas acreditavam que não havia qualquer chance de mudança ainda neste ano.

Inicialmente, a decisão foi elogiada pelos oposicionistas, que depois começaram a criticar as muitas restrições que a nova lei eleitoral impôs para quem quisesse enfrentar o presidente.

O governo, no entanto, diz que a medida vem de uma intenção sincera de abertura do presidente Mubarak. Durante as três semanas de campanha eleitoral, o presidente fez das promessas de mudanças –inclusive o fim das leis de emergência– um de seus principais lemas.

Reformas

Governistas dizem que Mubarak entende a necessidade de abertura democrática mas que tudo tem que ser feito gradualmente em um país cheio de problemas e com 70 milhões de habitantes.

Analistas dizem que se Mubarak de fato ganhar com o voto da maioria dos egípcios –como é amplamente esperado– isso não vai significar que a população está satisfeita com as coisas como elas estão.

“Os egípcios querem mudanças e reformas mas acham melhor que elas venham pelas mãos de alguém conhecido do que arriscar num político novo”, diz Sayed.

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Gazeta Admininstrator
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