Ano 16 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
   
Mulher Imigrante: A Superbrasileira

Sempre acreditei que os dias de celebração ou datas comemorativas têm uma importância especial. Embora muita gente critique a instituição dessas datas, creio que a sua existência tem um sentido essencial, que é o da reflexão. Nem todo mundo faz reflexão (deve doer a cabeça, não é mesmo?).

Mas para os que ainda prezam esse exercício, esse exame de consciência, eu quero falar sobre o Dia Internacional da Mulher, que se comemorou nesta segunda feira, em todo o mundo.

Sim, o dia Internacional da Mulher é Universal. Uma coisa extradordinária, porque desde sociedades onde a mulher já conquistou a plena igualdade como os Países Nórdicos a países que, ainda, dizem que por questões religiosas, mantém a mulher em uma condição de inferioridade, se comemora institucionalmente o “Dia Internacional da Mulher”. Nesse editorial eu quero falar da mulher brasileira imigrante. Um ser muito especial porque é, para mim, uma heroína em dobro.

O papel da mulher brasileira imigrante tem inúmeros níveis de relevância na nossa comunidade. Como mãe, esposa, irmã, amiga, profissional, agente de coesão e representando como ninguém o “bond” familiar que, por dom, natureza ou desígnio de Deus, foi dado à maioria das mulheres, exercer.

Mas de todos os papéis exercidos pela mulher brasileira imigrante o maior de todos é o emocional-
afetivo. Ser imigrante não é fácil. Vou “chover no molhado”, mas só mesmo com muita coragem e/ou espírito de aventura se deixa a própria terra para se aventurar total e completamente em terras alheias e estranhas. Por mais que nos adaptemos e – alguns – até com certo orgulho e considerem “americanizados” – o fato é que a imensa maioria dos imigrantes brasileiros morre de saudade do Brasil. Talvez de um Brasil que só existe em seus corações, sua saudade e sua imaginação. Mas existe como forte referência afetiva . Existe tanto que às vezes “douramos a pílula” e imaginamos que o que deixamos lá já não nos parece “tão ruim e difícil assim”.

A mulher imigrante brasileira, especialmente em seus papéis de esposa, mãe e amiga, representa um porto-seguro, uma referência de familiaridade incomparável. Quem vive intensamente a comunidade brasileira como nós vivemos, e em todo o país e outras partes do mundo, sabe como é totalmente diferente o núcleo comunitário brasileiro onde é grande a presença feminina, dos que têm uma preponderância apenas de homens.

Onde está a mulher imigrante brasileira, a família é um fato incontestável. Há mais coesão, mais senso de grupo e de ideal, mais paz e muito, mas muito mais alegria. Isso tudo resulta em comunidades muito mais felizes, humanamente mais bem resolvidas. Sempre em conversas com amigos e colegas, coloco um fato que surpreende a muitos: é a presença e poder decisório das mulheres imigrantes brasileiras que se torna um fator preponderante na permanência da maioria dos homens brasileiros imigrantes. É ela que estabelece prioridades como a educação, o bem estar e o futuro dos filhos, acima de qualquer ambição pessoal, saudade dos próprios pais ou outros elementos que são mais característicos do egoísmo masculino e nem tanto ao desprendimento feminino.

Não hesitaria em dizer, mesmo sabendo que há muitas exceções, que é a mulher imigrante brasileira quem aponta para o futuro da própria comunidade. Sem ela, a transitoriedade que ainda nos marca severamente como comunidade, seria muito maior. Como “chefa de família”, as mulheres brasileiras são agentes consumidoras de nossos produtos em nossos comércios, são grandes fãs de nossa mídia (TV, jornais, revistas), são as mais entusiasmadas por nossa cultura (música, eventos) e são de um patriotismo incontestável. Tanto que, em época de Copa do Mundo, se esquecem que odeiam futebol (a maioria) e se esguelam pelo Brasil como se fossem “peladeiras” desde a infância.

São as mulheres (apesar das piadas infames) quem menos se envolvem em acidentes de trânsito, menos cometem crimes, mais respeitam a lei e a ordem estabelecida, mais procuram a legalização e o cumprimento de seus compromissos.

São as mulheres que mais valorizam a educação e a cultura (os homens, via de regra, valorizam mesmo as práticas de sexo e esportes, não é mesmo meus colegas?), mais buscam a fé e a espiritualidade, mais se engajam na luta pela ecologia e meio ambiente. São fatos estatísticos e a mulher brasileria imigrante amplia de forma considerável essa preponderância, em uma comunidade marcada fortemente pela carência afetiva e de liderança.

Dentro e fora de casa. Isso sem falar que tem que lidar com algumas “características” que seus homens brasileiros trazem de casa e têm uma enorme dificuldade de se livrar, tais como a infidelidade e a instabilidade como provedores.

Sei que alguns homens vão detestar a sinceridade e clareza com que prezo as mulheres nesse texto. Não são perfeitas, são humanas como nós, homens, mas nesses ítens que aqui listamos, elas dão “show de bola” e são heroínas de fato e de direito. Vamos admitir e bater palmas. Dar nem que seja, um beijo, uma rosa, um simples cumprimento a cada mulher com quem lidamos ou tenhamos contato, durante esta semana. Nosso carinho, respeito e amor a todas as mulheres imigrantes brasileiras.

Nossas mães, esposas, filhas, irmãs, sogras, cunhadas, sobrinhas, noras, amigas, conselheiras, colegas de trabalho. Todas vocês se sintam homenageadas e recebam o agredecimento de quem, imigrante que é, sabe do papel extraordinário que vocês exercem na vida desse grupo de pioneiros que somos nós, imigrantes brasileiros.

Carlos Borges
carloscborges@gazetanews.com
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