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E se ?Katrina? atingisse o Brasil?

As imagens de destruição e desolação geradas pela catástrofe do furacão “Katrina” na Louisiana, mais especificamente na histórica e tão querida cidade de New Orleans trouxeram de volta emoções especiais e intensas para os brasileiros que vivem no Sul da Flórida há mais de 13 anos.

Exatamente há 13 anos, em 1992, o furacão “Andrew” atingiu de forma brutal a região Sul do estado, fazendo desaparecer uma cidade inteira – Flórida City – destruir praticamente outra cidade inteira – Homestead – destruiu totalmente 47 mil casas e edifícios e causou danos calculados oficialmente em 30 bilhões de dólares.

Eu, que viví esse momento em 92 com a tensão adicional de ter minha esposa grávida de seis meses, acreditava que tinha visto uma das cenas mais traumatizantes em termos comunitários e humanos, que se possa vivenciar.

Mas as cenas de New Orleans são ainda mais chocantes.
As imagens de milhares de residentes daquela incrível e original cidade norte-americana, esperando em gigantescas filas, depois de passar 3, 4 dias sem dormir e sem comer, por uma chance de entrar num ônibus escolar que os levasse para fora da cidade para destinos que nenhum deles sabiam qual seria, foram de cortar o coração.

Aquela região dos Estados Unidos está vivendo uma tragédia secular e de reflexos ainda difíceis de serem estimados, quanto mais mesurados.
Imediatamente me pus a imaginar o quão privilegiados são os brasileiros que vivem num país que, confiado numa idéia de que somos imunes a catástrofes da Natureza, nunca sentiram nem de longe o impacto de um fenômeno assim.

Já imaginaram a força destruidora de um furacão categoria 5 atingindo uma cidade como o Rio de Janeiro? Recife, cercada de rios. Salvador, quase uma ilha. São Paulo que já fica inundada com as costumeiras chuvas de março a maio ?
Só de imaginar, dá calafrios.

Em anos recentes, as chuvas no Sul do Brasil, que nem remotamente se comparam em termos de intensidade e violência às que vivemos na Flórida, causaram centenas de mortes, milhares de desabrigados. Pesa contra nós um tradicional despreparo para enfrentar qualquer tipo de calamidade pública, já que o país não tem mesmo lidado com calamidades públicas geradas por fenômenos da Natureza.

Nossas calamidades públicas quase sempre ocorrem nos gabinetes de Brasília ou nos palácios de governos e assembléias.
Nosso país tem mesmo é que agradecer a Deus, à sorte, ao que quer que seja, por não ser castigado impiedosamente pela Natureza. É a Lei da Compensação numa sociedade que em nenhum momento pensa no dia de amanhã.

O que vimos no Andrew, a massiva reação nacional em defesa dos residentes do Sul da Flórida, numa das mais eloqüentes demonstrações de solidariedade que já presenciamos, é o desafio a ser superado agora com “Katrina”, multiplicado por 10. No “aftermath” do Andrew, havia destruição, mas havia o trabalho imediato de recuperação, possibilitado pela ausência de inundações de porte. Em New Orleans, a cidade, literalmente, deverá passar meses para que possa “voltar a existir” para muito depois, “voltar a funcionar”. Anos até que possa “voltar a ser algo parecido com o que era antes”.

Algo “parecido” porque marcos históricos e logradouros estão destruídos para sempre.
Mas o assunto é mesmo o gigantismo dessa tragédia americana e que levou muitos dos cidadãos desse país a refletir sobre coisas que só mesmo uma colossal tragégia pode forçar: será que a América não está se metendo demais nos assuntos dos outros e se esquecendo dos seus próprios problemas?

Será que os bilhões e bilhões de dólares gastos na guerra do Iraque não teriam garantido há muito tempo um eficaz sistema de proteção a New Orleans, uma das cidades culturalmente mais ricas do mundo ? Pelo menos era…

Tenho visto, na TV, e ouvido em bate papos por aí, muito desse questionamento dos próprios norte-americanos diante dessa tragédia trazida por “Katrina”.

Temo que os Estados Unidos, no atual momento, possam estar perdendo também o bom senso na definição de prioridades. Me surpreendeu que uma cidade como New Orleans estivesse despreparada para uma eventualidade metereológica que é permanente, cíclica e todos sabem que vai acontecer, a dúvida é apenas saber quando e com que freqüência.

Vamos acompanhar mais essa lição de reconstrução e fé no futuro.

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Gazeta Admininstrator
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