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É por causa de Chávez que Bush vai ao Brasil

O povo brasileiro nunca foi de jogar tomates nem ovos em seus próprios políticos – apesar de uma grande parte deles merecerem muito mais que isso.
Muito menos o povo basileiro é de fazer manifestações grosseiras ou ameaçar a integridade física de chefes de estado que nos visitam. Por isso, que ninguém se ofenda com as anunciadas “medidas extraordinárias de segurança” que cercarão a visita do Presidente norte-americano, George W. Bush, ao nosso país, esta semana.
Tem tudo a ver com a paranóia anti-terrorista. E não estou dizendo que a paranóia não é sem razão de ser. Acho que tem fundamento.
Justamente há duas semanas fontes ligadas ao Pentágono (sede da inteligência militar norte-americana, em Washington) confirmavam o “crescimento preocupante” do que considera seja uma “presença marcante” de muçulmanos radicais ligados a grupos terroristas, na região entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A cautela quanto à segurança de Bush não visa proteger o mais impopular dos presidentes americanos nas últimas décadas de qualquer desagravo brasileiro. Há, sim, uma preocupação semelhante a que haveria numa visita de Bush à Inglaterra, onde vive uma imensa população muçulmana e provadamente, com laços terroristas.
Mas o que representa realmente a visita de Bush, um presidente que já está “mais para fora do que para dentro”, da Casa Branca?
Que impacto e que agenda norteiam a sua ida ao encontro de Lula?
Todos os indícios são de que Bush – que tem uma sincera admiração pela trajetória política do atual presidente brasileiro – vai ao Brasil para se certificar do que parece ser já um consenso na arena da política internacional:
Apesar das gracinhas e aparências, do marketing populista antigão e da prosódia do mercado comum sul-americano, o mundo já sabe por A+B que Lula não é Chávez e nem tem a menor intenção de ser. Que Chávez não é e nem nunca será Lula, isso todo mundo já sabia.
O ponto para o Departamento de Estado dos Estados Unidos é a bem sucedida exportação do “Chavismo” a países como Bolívia e Equador. O presidente venezuelano está seguindo a cartilha mal-revisitada do comunismo de Fidel Castro, que nos anos 60 acreditava piamente que poderia “exportar” a então poética e entusiástica revolução cubana, a todo o território latino-americano.
Enquanto muitos governos democráticos de países que realmente “contam” no cenário latino-americano (leia-se Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México) ainda vêem Chávez como “um desconforto sem conquências”, os especialistas em Washington tratam de se certificar que nenhum desses países “que contam” oferecerá qualquer tipo de “suporte” ao Chavismo em seus próprios territórios.
Tem muita gente nos Estados Unidos (governo e população) que defendem abertamente uma invasão e golpe para derrubar Chavez. Esse não é, e nunca foi, o ponto de vista dominante dentro do governo Bush, que até aqui tem mantido suas “querelas” com o linguarudo e mal educado presidente venezuelano, num tom de certo desprezo e ridículo.
Mas quem tem a perder não brinca em serviço.
Além de montado no lençol petrolíero da Venezuela, Chávez conseguiu, com seu carisma machão e destemido anti-americanista, angariar muitas simpatias pelo continente. Tem forte apelo popular (votos) e como se viu no Equador e Bolívia, tem capacidade de influenciar eleições em países que se não são “vitais” na arena continental, nem por isso deixam de ser importantes.
Bush quer ouvir de Lula que o Brasil é o Brasil, que o nosso “socialismo” é tão moderno e convivível quanto o chileno ou das democracias sociais européis. Que não há risco de uma aproximação maior com Caracas e mais: que o Brasil não vai abrir mão de sua “natural liderança” no continente.
Essa “natural liderança” que já foi um fato inquestionável há duas décadas atrás, quando o Brasil era o “paladino latino-americano” em confronto com o imperialismo norte-americano, é hoje muito discutível. E os norte-americanos têm razões para se preocupar.
Afinal, desde os “tempos do Onça” o Brasil sempre foi um aliado administrado com simplicidade e desprezo por Washington.
A partir dos anos 80, desenvolvemos uma política externa altamente independente, nao necessariamente latino-americanista, mas muito diferente da “sonhada” por Washington.
Bush quer, do antigo aliado-automático e hoje parceiro comercial independente, a sinalização de que o Chavismo no Brasil não tem futuro.
E para não dizer que não falou de flores, vai conversar sobre Bioenergia, programa do álcool e coistas más.
Mas o cerne da questão é o “comunismo caribenho” de Chavez. Isso sim, incomoda Washington como um pêlo encravado.

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