DESDE 1994 SERVINDO À COMUNIDADE BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS.

Dores-de-cabeça do imigrante recém-chegado

Esta tem sido uma temporada em que, por força do trabalho, tenho viajado frenéticamente por todo o país e novamente em contato com as mais diversas comunidades brasileiras espalhadas pelos Estados Unidos. Não é novidade.

Venho fazendo isso sistematicamente desde 1991 e admito que apesar do cansaço, jet-leg, noites mal dormidas (a gente quando chega a uma certa fase na vida sente tanta saudade do próprio travesseiro quanto dos familiares e do animal de estimação) e inevitável correria, o prazer de interagir com a nossa comunidade em todo o país é algo incomparável.

Nessa contínua interação, me mantenho imerso nos conflitos de uma comunidade que está crescendo de uma forma incrível. Pena que esse crescimento esteja ocorrendo aos trancos e barrancos e a um custo cada vez mais complicado para as comunidades já estabelecidas.
O grande fato da comunidade brasileira nos Estados Unidos neste começo de século 21 é seu agigantamento quantitativo e temos que registrar – e tem gente que vai ficar surpreso com essa afirmação – também qualitativo.

Há uma explosão na presença de imediatos-candidatos a peão para ocupar os espaços nas tão carentes áreas de construção civil, hotelaria, restaurantes e limpeza. Mas há, paralelamente, ainda que em proporção menor, uma explosão na presença de profissionais liberais das mais diversas áreas, numa nova “onda” de desiludidos com as peripécias política e econômicas de nosso amado Brasil.
Esta é na verdade a “Terceira Onda” de profissionais qualificados e suas famílias que buscam uma nova possibilidade de sucesso, paz e equilíbrio num país que, na verdade, pensam que entendem, mas entendem pouquíssimo ou quase nada.

A “Primeira Onda” foi provocada pelo famoso “Plano Collor-Zélia”, aquele que meteu a mão nas poupanças dos cidadãos brasileiros, gerou falências e deStruiu a vida de muita gente. A “Segunda Onda” veio imediatamente depois da falência mais do que previsível do “Mandrake Plano Real”, aquele que tentou fazer a mágica de transformar 1 Real em 1 Dólar da noite para o dia. Very smart!!!!!

A “Terceira Onda” pode ser inicialmente batizada como a “Onda da Decepção Petista”, fundamentada na constatação – realmente ingênua, porque só os ingênuos podem achar que um governo apenas mudaria o Brasil – de que a ascenção de Lula ao Planalto não iria nem irá tirar o país da caótica complexidade em que se encontra imerso desde os anos 60.

Esta “Terceira Onda”, aqui está definida como restrita a pessoas que entram no país, em sua maioria com vistos de turista ou de estudante, apostando na possibilidade de, nestes meses de legalidade temporária, arranjar uma forma de permanecer legalmente.

Ao lado dela, em número bem mais gritantes, está uma “onda” que nem é primeira, nem segunda e nem terceira. É uma “Onda Constante” de brasileiros atraídos por amigos e familiares já aqui estabelcidos ou simplesmente ainda magnetizados pelo surrado “American Dream”.

Estes estão chegando aos borbotões, atravessando pelas fronteiras das formas mais perigosas ou até cômicas, mas superando em 10 para 1 o número dos que são presos ou repatriados. Essa multidão de recém-chegados brasileiros se espalha por diversas cidades e estados do país, vai mansa e pacíficamente (como é nossa tradição) ocupando os espaços e, também, fazendo alguns estragos, em função de seu total desconhecimento de causa.

Em várias regiões do país onde a presença do imigrante brasileiro é expressiva, o aumento das ocorrências policiais envolvendo nossos patrícios é alarmante. Sem querer citar locais, há condados tanto no norte quanto no sul e oeste dos Estados Unidos que já têm não apenas 1 ou 2, mas diversos policiais falando português para que possam lidar com os brasileiros cada vez mais constantemente envolvidos em ocorrências.
Esse é processo natural, lógico e até certo ponto – creio – inadministrável.

O que eu faço toda vez que tenho chance de conversar com um ou mais brasileiros “recém-chegados”, qualquer que seja a sua origem social, cultural ou econômica, é aconselhar a prestar atenção nas regras básicas desse país.

Não causar nenhum problema com a Lei.
Saber que, diferente do Brasil, aqui a Lei existe, é aplicada e no caso dos imigrantes, com bastante severidade.
Lembrar que, com raras exceções, o imigrante está aqui sem ser convidado e, se deseja ter seus direitos e esforços respeitados, o mínimo que deve fazer é cumprir primeiro com suas obrigações em todos os níveis.

Não é fácil mostrar aos brasileiros que aqui chegam, que a necessidade de respeitar as regras é fator básico e fundamental para sua rápida adaptação.

O sofrimento e a rejeição são altíssimos e somente um seleto grupo de “cabeças feitas” já desembarcam nos Estados Unidos predispostos e preparados para viver a realidade do país em sua (quase) plenitude.
Notei também muita impaciência e até “raiva” de setores brasileiros já estabelecidos no país, com relação ao que seriam os “maus modos” e “atitudes condenáveis” dos recém-chegados.

Esta é uma atitude igualmente condenável, apesar de até entendível. Uma das conclusões que cheguei de tanto “filosofar” sobre a imigração brasileira nos Estados Unidos é de que nosso mais inimigo somos nós mesmos. Nosso falso-elitismo e nossa incapacidade de pensar coletivamente, especialmente numa terra estranha, trabalham o tempo todo contra nós mesmos.

O ideal seria que cada brasileiro procurasse mentalizar uma atitude positiva em relação ao outro brasileiro que aqui está. Não precisa ser hipócrita nem socializar “de mentirinha”, mas que haja pelo menos a consciência política de que seja qual for a origem do imigrante brasileiro, com raríssimas exceções, ele jamais deixará de ser brasileiros e ser visto como brasileiro nos Estados Unidos.
Nosso melhor gol é fazer com que a imagem e nós brasileiros, como comunidade neste país, seja a melhor possível. Isso vai beneficiar a todos.

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Gazeta Admininstrator
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