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Dieta ajuda a evitar volta do câncer de mama

As chances de reincidência do câncer da mama são menores em mulheres que seguem uma dieta pobre em gordura, revelou uma pesquisa apresentada ontem no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que acontece em Orlando (Estados Unidos). É a primeira vez que um grande estudo científico consegue mostrar o impacto da dieta na recidiva do câncer.

Em janeiro, uma pesquisa realizada na Europa, com 285.526 mulheres, concluiu que não havia indício de que o consumo de frutas e verduras reduzisse o risco do câncer da mama. A diferença é que, no atual estudo, as mulheres já tinham sido vítimas da doença.

Segundo a nova pesquisa, que envolveu os maiores centros oncológicos dos EUA, mulheres que fizeram dieta de baixa caloria tiveram redução de 20% nas chances de recidiva do câncer no período de cinco anos em relação àquelas que mantiveram a dieta habitual.

Foram acompanhadas 1.462 mulheres. Dessas, 975 fizeram dieta de baixa caloria. Entre elas, a recidiva foi de 9,8%. A taxa sobe para 12,4% entre as 181 mulheres que não seguiram a dieta.

Em entrevista por telefone à Folha, o médico Rowan T. Chlebowski, do Instituto de Pesquisas Biomédicas (Califórnia), que participou da pesquisa, disse que os dois grupos estudados de mulheres já tinham feito tratamentos tradicionais (cirurgias parciais ou radicais da mama, quimioterapia, radioterapia e hormonoterapia) antes de ingressar no estudo.

“O benefício adicional da dieta é como se colocássemos no tratamento um novo medicamento”, afirmou Chlebowski. “É, potencialmente, uma boa notícia. Qualquer coisa que tenha impacto na recidiva do câncer da mama é de enorme valor”, disse David Hunter, professor de saúde pública da Universidade de Harvard.

O mastologista Larry Norton, do Memorial Cancer Center de Nova York, outro centro participante do estudo, disse que os resultados fizeram com que ele mudasse a recomendação às mulheres. “Antes desse estudo, eu dizia que não havia razão para uma dieta pobre em gordura. Agora eu digo que há um motivo para isso.”

Segundo o mastologista José Luiz Bevilacqua, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, do ponto de vista do rigor estatístico, os resultados do estudo mostram só que existe uma tendência de que essa observação seja real, mas que seria necessária uma amostragem maior de pacientes para que o resultado tivesse significância estatística ou comprovação científica.

“Como os benefícios da dieta com baixa gordura são óbvios para prevenir outras doenças, principalmente as cardiovasculares, esse estudo reforça a maneira como nós, médicos, deveríamos orientar a dieta das nossas pacientes após o tratamento de câncer da mama”, afirmou o médico.

Para Bevilacqua, é difícil diferenciar se os resultados são uma decorrência da dieta de baixo teor de gordura ou da diminuição do peso da paciente. “Outros estudos já haviam demonstrado que a perda de peso é importante no controle da doença.”

Para Donald Berry, do departamento de bioestatística do Anderson Cancer Center, em Houston (EUA), se o estudo envolvesse drogas, haveria outras questões a considerar. “Com dieta é diferente. Os pacientes não têm nada a perder. Se eu fosse paciente de câncer, certamente consideraria esses dados seriamente.”

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Gazeta Admininstrator
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