DESDE 1994 SERVINDO À COMUNIDADE BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS.

Destinos traçados

Quem é que nunca – em pleno delírio de paixão – se perguntou por que aquela criatura que nos faz sentir calafrios veio parar na nossa vida? Destinos traçados antes mesmo da maternidade, almas gêmeas, simples acaso ou aquela boa amiga cheia de contatos que apresentou vocês? Seja lá como for, um não está na vida do outro à toa e há sempre uma explicação para esse encontro.

Ailton Amélio, professor de Relacionamento Amoroso da faculdade de Psicologia da USP, garante que as chances de uma relação dar certo dependem exclusivamente das duas pessoas nela envolvidas. “Não é bem alma gêmea. Para mim, isso não existe dessa forma, senão as pessoas não se apaixonariam várias vezes ao longo da vida. O que existe é que alguns relacionamentos têm mais chances de dar certo do que outros. É o que se chama de homogamia”, explica.

Em regras gerais, o que duas pessoas precisam para fazer vingar o relacionamento é encontrar o ponto de equilíbrio entre seme-lhanças e diferenças. “É fundamental ter o mesmo nível cultural, faixa etária, além de outros fatores dessa ordem para que haja compartilhamento. No entanto, é preciso também ter admiração e as pessoas admiram as coisas que elas não têm e que gostariam de ter. Aí entram as diferenças”, conta.

Mas, como todo mundo sabe, não é só disso que vive um relacionamento. Afinal de contas, ele precisa do corpo físico para se manter. “É preciso atração sexual e romântica. Outro detalhe importante é a esperança de ser correspondido. E essa certeza não pode ser muito grande, pelo menos no início”, afirma ele, confirmando as teorias de muita gente.

Para o astrólogo Nivaldo Figueiredo de Souza, do site Estrela Guia, é impossível descobrir quem vai ser o grande amor da vida de alguém. Ele explica que a astrologia considera apenas os fatores – uma conjunção de planetas e energias – que fazem com que as pessoas estejam propensas a se relacionar. É no ‘com quem’ que permanece o mistério. “Entretanto, é possível saber, com uma sinastria, se duas pessoas isoladamente combinam”, garante Nivaldo, descartando também as teorias de que duas pessoas estão eternamente fadadas a se encontrar.

Já alguns astrólogos que trabalham com Cabala acreditam em almas gêmeas, como acrescenta a astróloga Claudia Lisboa. “Para eles, essas pessoas se encontram mesmo que uma more no Japão e a outra no Brasil. Para isso, em linhas gerais, contariam com a ajuda dos anjos”, explica.

A teoria das almas gêmeas também é descartada pelo espiritismo. Para os kardecistas, essa é uma idéia que só serve para aprisionar. “O espírito é único, simples e indivisível. Por isso, nós vemos a alma gêmea como uma condenação. É você ficar eternamente fadado a uma busca, é uma idéia de que não há como escapar do destino”, diz o estudioso Fabio Perez. Para ele, ao reencarnar, o espírito sabe de todas as outras almas com quem ele irá se relacionar na vida que está começando. O que não significa que ele esteja predestinado. “É aí que entra o livre-arbítrio. Você tem metas a cumprir, provas a superar. Mas você pode desviar delas, de acordo com as atitudes tomadas. Quase todos nós temos alguém com quem vamos nos encontrar algum dia. Só que outra pessoa pode surgir antes e isso não vai significar que ela não seja a certa. São as mudanças que o livre-arbítrio faz que vão determinar isso”, afirma.

É uma visão parecida com a do I Ching. Segundo a estudiosa Cristiana Freire, o mundo se move quando a força de vontade humana entra em ação junto com os poderes da Terra e do céu. “Mas nós só podemos transformar as coisas dentro de limites impostos pela natureza. Algumas pessoas podem ter o direito de escolher com quem vão ser felizes, outras estão predestinadas. O que se pode fazer é modificar a nossa reação a esses limites intransponíveis que a gente chama de destino. Porque ele ninguém pode mudar”, acredita.

Sobre esse vontade humana, o candomblé tem outra visão. Embora defendendo a tese de que o tal destino pode ser mudado, a religião africana acredita que só os santos podem fazê-lo. “Tudo o que a gente faz é o destino. Existem sim duas pessoas predestinadas a se encontrar. Mas esse futuro é mutável, senão a vida das pessoas não seria palpitante e o candomblé não teria sentido. Justamente por isso, essa união pode ser cortada com trabalhos. É preciso estar muito forte para que essas coisas não tenham efeito”, conta Mãe Valéria de Oxossi. Predestinado ou não, escolhido por nós ou não, o que vale é que ele, o amor, seja sincero. E que quem sente seja eternamente feliz.

Baixe nosso app:

Comments

comments

Gazeta Admininstrator
Gazeta Admininstrator
156