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“Crise” hipotecária nos EUA dispara alarme sobre as práticas bancárias

A grave crise enfrentada pelo mercado hipotecário deixou em alerta os Estados Unidos, por causa da possível repercussão negativa na economia do país e porque revelou o sistema deficiente de controle das entidades financeiras nos últimos anos.

Os alarmes dispararam ontem, quando a própria Associação dos Bancos Hipotecários alertou para o aumento da inadimplência, em um momento em que várias financeiras atravessam graves crises de liquidez.

A inadimplência nos créditos hipotecários aumentou 4,95% no último trimestre de 2006, o que fez com que a execução das hipotecas – que representa a perda do imóvel por parte do proprietário – subisse para 0,54%, um recorde histórico.

Esta situação não passou despercebida dos mercados, especialmente Wall Street, que ontem sofreu um duro golpe, a segunda maior queda em quatro anos, assustada pelas possíveis repercussões que a situação pode gerar para a economia mais importante do mundo.

Ontem, o Dow Jones Industrial, o indicador mais importante de Wall Street, caiu mais de 240 pontos, em uma queda que depois se espalhou para os mercados de renda variável europeus e asiáticos.

Hoje, em um dia instável, o indicador perdeu sua referência psicológica dos 12 mil pontos, algo que não ocorria desde 6 de novembro de 2006.

A situação lembrou aos investidores mais veteranos a grave crise de crédito acontecida nos EUA no final dos anos 90, e que curiosamente também teve como um de seus protagonistas a entidade New Century, que está de novo no olho do furacão.

Hoje a empresa teve sua cotação suspensa. A New Century é a segunda maior entidade especializada nas hipotecas de “alto risco”, ou seja, as concedidas a pessoas sem solvência financeira e com receita duvidosa, segmento que cresceu sem parar nos últimos anos.

A própria Associação Hipotecária reconheceu ontem que atualmente existem seis milhões de hipotecas do tipo, com um índice de inadimplência de 8%, quase o dobro das demais.

Para muitos analistas, é precisamente o auge deste tipo de crédito que alimentou a espetacular bolha no setor imobiliário registrada nos EUA nos últimos anos e que, de alguma maneira, já começou a esvaziar em muitos pontos do país.

Para a empresa de análise de risco Standard & Poor’s (S&P), a atual crise do mercado imobiliário revelou as práticas deficientes desenvolvidas por algumas entidades financeiras, especialmente as especializadas no “alto risco”.

A analista Victoria Wagner, da S&P, disse que ocorreu uma “tempestade perfeita”, motivada pela confluência de vários fatores de risco, pois consta que as entidades não pediam a seus clientes documentos sobre sua renda ou ativos.

Além disso, não se exigia uma entrada para o crédito ou que fossem dadas garantias adicionais, como também não era avaliado de maneira muito eficiente o histórico de crédito dos clientes.

Há apenas algumas semanas, o próprio presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, quis minimizar o tema das hipotecas de risco.

Bernanke reconheceu que esses empréstimos o preocupam, assim como o aumento das declarações de quebra, mas assinalou que não acredita que o problema terá um impacto no sistema financeiro e a economia em geral.

Mas a reação do mercado financeiro não acompanha as afirmações da máxima autoridade monetária, pois aumentou o medo de que o sistema hipotecário esteja entrando em uma crise de liquidez, como ontem mesmo disse à rede de televisão “CNBC”, o presidente-executivo da Countrywide Financial Corp., Angelo Mozilo.

Os investidores temem que, devido à alta inadimplência, as entidades financeiras endureçam as condições para outorgar créditos, o que provocaria um dos efeitos mais temidos na economia americana: uma redução da despesa dos consumidores.

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Gazeta Admininstrator
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