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Crimes domésticos preocupam autoridades e comunidade

Embora não haja estatísticas oficiais específicas em relação à comunidade brasileira, os índices de violência doméstica na comunidade têm chamado a atenção das autoridades e de brasileiros em geral, que vivem nos EUA. Apenas neste mês, pelo menos três crimes graves chocaram os brasileiros na América.

Na sexta-feira(16), Viviane Bueno, de 31 anos, foi morta a facadas em Newark, New Jersey, pelo ex-marido, o também brasileiro Elias Prodelik, após uma discussão na porta de casa.

Viviane estava nos EUA há sete anos para onde veio, a exemplo tantos outros milhões de brasileiros, em busca de uma vida melhor. Os dois tinham uma filha, Gabriela, hoje com dois anos e meio. A separação do casal aconteceu há apenas um mês. A filha do casal, Gabriela, estava presente no momento do assassinato. Depois que o pai foi preso, a menina ficou sob guarda de um dos dois irmãos de Elias que mora na mesma cidade.

Na mesma semana, Nelita Gomes Nacif, de 41 anos, foi morta pelo marido, José Luiz Alves, de 42, em Bridgeport, Connecticut. De acordo com a polícia, os dois estariam limpando o apartamento de José, quando o namorado de Nelita teria ligado para seu celular. Aborrecido por José ter atendido o telefone, Nelita teria agredido o ex-marido com a mangueira do aspirador de pó. Armado com uma bengala de metal, o brasileiro teria batido no rosto e no corpo de Nelita e, em seguida, pego uma faca de cozinha, esfaqueando Nelita na altura do tronco. Segundo a polícia, foram mais de 40 facadas, a maioria no peito e nas costas. José foi imediatamente preso.

No início do mês, Júnior Patrício de Sá, de 31 anos, foi assassinado por policiais em Deerfield Beach, na Flórida, depois de ameaçar com uma faca no pescoço o companheiro de apartamento Adonírio Silva, de 47 anos, no condomínio onde moravam Heritage Circle Apartment Complex, no 4300 da Northwest Ninth Avenue.

De acordo com Adonírio, única testemunha da morte, os dois policiais, que atenderam a um chamado de uma vizinha, que teria ouvido gritos, começaram a atirar logo que entraram no apartamento. – Escutei a polícia falar: “Open the door”. E eu disse pra polícia “take it easy. It’s ok”. Mas em segundos eles tacaram o pé na porta, e entraram. Não deu tempo de nada. Entraram e já foram tacando fogo. Eles poderiam entrar sem atirar. Não tinha necessidade disso. Mesmo que atirassem, poderiam ter atirado na perna, para ele cair, e um tiro só, e não vários tiros para matar”, disse Adonírio. Ele também foi atingido por tiros no intestino e no estômago.

Em dezembro do ano passado, a atendente Patrícia Silva Santos, 22 anos, foi encontrada morta com um tiro no peito na agência de viagens Transbrasil Travel, onde trabalhava, em New Jersey. O suspeito do crime foi descrito, na ocasião, como um sujeito com aparência hispana e, de acordo com as investigações seria co-nhecido de Patrícia. A polícia suspeitou na ocasião do namorado da jovem.
Poucos dias antes, a estudante da 11a série da Olympic Heights High School, Jackline A. De Melo, de 17 anos, que vi-via com a mãe em Boca Raton, foi assassinada pelo ex-namorado Alfredo Oliveira, de 35 anos, com quem viveu durante algum tempo. A jovem havia terminado há pouco tempo o namoro com Alfredo que, de acordo com a família da moça, não se conformou com o rompimento. O crime aconteceu no apartamento onde Alfredo e Jackline viviam, na quadra 100 da Southeast Third Avenue, em Deerfield Beach. O corpo tinha sinais de espancamento.

Os crimes domésticos são uma realidade entre a comunidade latina que vive no país, ressalta relatório do Family Violence Prevention Fund de New York. De acordo com o estudo, 48% das mulheres latinas já passaram por algum tipo de agressão depois que imigraram para os EUA.

Os agressores, observa o estudo, muitas vezes usam a ilegalidade como uma arma, pois acreditam que a vítima não buscará ajuda devido ao status migratório fazendo constantes ameaças de que denunciará o parceiro à imigração, se ela reagir à violência ou não atender a seus desejos.

No entanto, mesmo estando ilegal, é possível se valer da Restraining Order e durante um ano, o agressor não pode se aproximar da vítima, telefonar ou enviar e-mails. Se a Restraining Order for violada, o agressor vai preso.

Para Heloisa Galvão, co-fundadora e presidente do Grupo Mulher Brasileira de Cambridge, uma das causas que contribuem para a instabilidade das relações entre casais pode estar relacionada à disputa pelo controle da relação entre os casais imigrantes, uma vez que nos Estados Unidos as regras podem mudar, principalmente na parte financeira.

“Uma vez nos Estados Unidos, quando a mulher brasileira atinge uma posição financeira superior à que tinha no Brasil isto pode desafiar a posição dominadora do parceiro. Longe de suas famílias no Brasil, a imigrante passa por experiências totalmente diferentes e, muitas vezes, bastante estressantes sendo um teste para o casamento. Acho também que a brasileira quando chega neste país, é exposta a todo tipo de informações e comportamentos culturais bem diferentes”, diz Heloisa.

O abuso do álcool e o uso de drogas também colabora com a violência doméstica. “Um homem deprimido e frustrado com a vida na América pode procurar refugio nas bebidas. O álcool é um grande depressor”, afirma. “O homem que agride a mulher e se arrepende entra no ciclo da violência, bate, se arrepende, pede perdão, chora. Então volta a agredir e se arrepende novamente. Isto leva a um ciclo interminável de agressões até que a denúncia seja feita”.

Para contactar a presidente do Grupo Mulher Brasileira, Heloisa Galvão, ligue para (617) 787-0556 Ramal 15.

A organização existe a mais de 12 anos e tem se destacado na defesa dos direitos das mulheres imigrantes.

Em todo o País o governo mantém uma linha de auxílio para vítimas de violência doméstica, chamada National Domestic Violence Hotline: 1800 799 7233. O atendimento é oferecido 24 horas, qualquer dia da semana. Basta pedir atendimento em português e a ligação será transferida para uma atendende em português.

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