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Cresce número de adeptos a grupos de ódio na Flórida

Ritual de candidatos a entrar no grupo KKK. Foto Anthony S. Karen.

Os grupos de ódio – conjunto que reúne pessoas intolerantes a determinada raça e\ou etnias-, cresceu tanto nos EUA quanto na Flórida, e o ataque de Charlottesville, na Virgínia, há quase duas semanas, mostrou como esses grupos estão ganhando adeptos.

A organização de direitos civis não-partidária Southern Poverty Law Center (SPLC) documentou um aumento explosivo no número de grupos de ódio desde a virada do século, impulsionado em parte pela raiva sobre a imigração latina e as projeções demográficas que mostram que os brancos não serão a maioria no país por volta de 2040.

De acordo com o SPLC, o aumento acelerou em 2009, o ano em que o ex-presidente Obama assumiu o cargo, mas recuou depois disso, em parte porque um grande número de extremistas usou mais a internet e se afastou de atividades nas ruas. Nos últimos dois anos, houve novo aumento, em parte devido ao novo governo que tem revelado ser a favor de ideias extremistas.

63 grupos de ódio ativos na Flórida

Segundo relatório do Southern Poverty Law Center, existem 917 grupos de ódio ativos em todo os Estados Unidos, bem mais que os 892 em 2015 e 784 em 2014. A Califórnia ocupa o primeiro lugar com 79 grupos e a Flórida segue em segundo, com 63 grupos de ódio ativos.

Quatro dos 63 na Flórida estão no sul do estado em Miami-Dade e dois estão em Fort Lauderdale: o Nation of Islam e os D. James Kennedy Ministries, anteriormente conhecido como Truth in Action e um grupo anti-LGBT. Em Boca Raton existe o Citizens for National Security – conhecido como nacionalistas brancos e em Lake Worth existe o The United West.

Em Miami, existem quatro grupos ativos: a League of the South (que teve membros envolvidos no ataque de Charlottesville, como um morador de Gainesville , James M. O’Brien, de 44 anos, que foi preso pela Polícia Estadual da Virgínia por transportar uma arma de fogo escondida durante o ataque); um grupo Neo-confederado e três grupos separatistas negros: o Nation of Islam, o New Black Panther Party e o Israelite School of Universal Practical Knowledge (Escola israelita de Conhecimento Prático Universal).

Contudo, a concentração de grupos de ódio é maior no nordeste do estado: Jacksonville lidera o ranking e aparece em mais de 5 categorias de grupos ativos, entre eles os de anti-muçulmanos, antigoverno, separatistas negros, em grupos de Ku Klux Klan e Neo-confederado.

Grupo de supremacistas brancos em Washington. Photo Credit CHRIS KEANE -Reuters

197% – porcentagem de aumento de grupos de ódio anti-muçulmanos a partir de 2015; 4 na Flórida

Todos os grupos de ódio anti-muçulmanos exibem extrema hostilidade em relação aos muçulmanos que são retratados por eles como irracionais, intolerantes e violentos, e sua fé é frequentemente descrita como sanção à pedofilia, juntamente com intolerância para homossexuais e mulheres. Esses grupos geralmente afirmam que o Islamismo não tem valores em comum com outras culturas, é inferior ao Ocidente e é uma ideologia política violenta e não uma religião. Na Flórida, os 4 grupos se concentram em Brevard County, Heathrow, Jacksonville e Palm Beach.

663 -número total de grupos anti-governo “patriotas” em 2016; 28 na Flórida

Geralmente, esses grupos se definem em oposição à “Nova Ordem Mundial”, se envolvem em teorias de conspiração infundadas, ou defendem ou aderem a doutrinas anti-governamentais extremas.

Na Flórida, existem 28 grupos do tipo nomeados: III% Security Force (em todo o estado); III% United Patriots*(em todo o estado); Agenda21Today em Shady Grove; American Coalition 4 Property Rights em St. Lucie; American Patriots III% (em todo o estado); Constitution Party of Florida em The Villages; Eagle Forum em Sanibel; Florida Constitutional Guard* em Gainesville; Florida Militia* nas áreas Central, Northeast, Northwest, Southern; Freedom Law School em Brooksville; John Birch Society (em todo o estado); KrisAnne Hall e Liberty First em Wellborn; Now the End Begins em Jacksonville; Oath Keepers em Alachua County; Sarasota Patriots e Southeast Constitutional Militia* em Sarasota; The Three Percenters- III%ers em Orange County; Tri-County Tea Party (FL) (Villages Conservative Action Group) em Lady Lake; Uncle Sam’s Misguided Children em Sarasota; We Are Change em Orlando, Palm Beach e Tampa; Wild Bill for America em South Daytona.

193 – o total do número de grupos de Separatistas Negros em 2015; 22 na Flórida

Os separatistas negros geralmente se opõem à integração e ao intercâmbio racial, e aspiram a instituições separadas – ou mesmo uma nação separada – para os negros na América. A maioria das formas contemporâneas de separatismo negro são fortemente anti-brancas e anti-semitas.

Na Flórida, existem 22 grupos sendo eles: All Eyes on Egipt Bookstore em Orlando; Black Riders Liberation Party em Miami; The Israelite Church of God in Jesus Christ em Fort Myers, Miami, Orlando e West Palm Beach; Israelite School of Universal Practical Knowledge em Miami; Israel United In Christ em Miami, Orlando e Tallahassee; Nation of Islam em Fort Lauderdale, Gainesville, Miami, Pensacola, Pine Hills, Saint Petersburg e Tampa; New Black Panther Party em Jacksonville, Miami, Tampa e Tallahassee; New Black Panther Party for Self Defense em Tampa Bay.

Ritual do grupo Ku Klux Klan. Foto SPLC.

130 – grupos de Ku Klux Klan ativos nos EUA; oito deles na Flórida

Fundado em 1865, o Ku Klux Klan é o grupo de ódio mais antigo e perverso de que se tem conhecimento nos Estados Unidos e costuma atacar os negros, judeus, imigrantes, membros da comunidade LGBT e católicos. O número de adeptos ao KKK cresceu – estima-se um total de 3 mil adeptos em todo o país, segundo a Anti-Defamation League. Em 2014 havia 72 grupos locais, chegou ao auge em 2015 com 190 grupos e caiu para 130 em 2016, segundo a SPLC.

Na Flórida, existem atualmente oito grupos nomeados: Christian American Knights of the Ku Klux Klan em Cocoa e Bushnell; Georgia Knight Riders of the Ku Klux Klan em Live Oak; Knights of the White Disciples em Hudson; Ku Klos Knights of the Ku Klux Klan em Cape Coral, Hudson e Wauchula; Loyal White Knights of the Ku Klux Klan em Jacksonville.

Grupos Neonazi

Esses grupos compartilham o ódio pelos judeus e admiração por Adolf Hitler e a Alemanha nazista. Enquanto eles também odeiam outras minorias, homossexuais e até mesmo cristãos, eles percebem “o judeu” como seu inimigo cardeal e traçam problemas sociais para uma conspiração judia que supostamente controla governos, instituições financeiras e mídia.

Na Flórida existe o The Daily Stormer em Brandon e Orlando; e em todo o estado os grupos Endangered Souls RC/Crew 519; Gallows Tree Wotansvolk Alliance; National Socialist Movement.

Racist Skinhead

Os Racist Skinhead formam um elemento particularmente violento do movimento da supremacia branca e muitas vezes foram chamados de “tropas de choque” da revolução. O visual típico do skinhead é a cabeça raspada, botas pretas com laços vermelhos, calças jeans com suspensórios e uma variedade de tatuagens tipicamente racistas. Skinheads são migratórios e muitas vezes não são afiliados a grupos.

Na Flórida, espalhados pelo estado existem os grupos Confederate Hammerskins; Crew 38; Firm 22; Supreme White Alliance; Vinlanders Social Club.

Neo-confederado

Muitos grupos celebram a cultura tradicional do sul e o conflito dramático da Guerra Civil entre a União e a Confederação. Mas os grupos neo-confederados vão além e abraçam atitudes racistas em relação aos negros e brancos. Os grupos neo-confederados procuram reviver muitos dos princípios racistas do Sul antebellum.

Na Flórida existe o League of the South em Jacksonville, Lake City e Miami; e o Southern National Congress em Jacksonville.

Nacionalista branco

Os grupos nacionalistas brancos defendem a supremacia branca ou as ideologias separatistas brancas, concentrando-se frequentemente na alegada inferioridade dos não brancos. Grupos listados em várias outras categorias – Ku Klux Klan, Neo-Confederado, Neo-Nazi, Skinhead racista e Identidade Cristã – também podem ser descritos como nacionalistas brancos.

Na Flórida, existe o American Vanguard em Orlando e o Sons & Daughters of Liberty em todo o estado.

Brasileira vizinha de membro do Ku Klux Klan

A brasileira Edmeia Reis mora há 24 anos nos Estados Unidos e relata a experiência de ter tido um vizinho membro do Ku Klux Klan na Flórida. “Morei muitos anos em Boca Raton, onde meu vizinho era texano e fazia questão de ostentar a bandeira KKK na fachada da sua casa, mas nunca tivemos problemas com ele. Vivíamos pacificamente”.

Atualmente morando em Nashville, no Tennessee, o contato com membros de grupos de ódio aumentou, porque, segundo Reis, existem bem mais onde moram, mas também nunca tiveram problemas. “Aqui tem muitos americanos adeptos ao “white supremacy”, mas até hoje não tivemos problemas. E temos até alguns amigos que fazem parte e são bem radicais, mas com a gente, brasileiros, não criam problemas, nos aceitam e convivemos em harmonia. Estivemos trabalhando em Mississippi também e foi muito tranquilo. Eles assumem que fazem parte e usam a bandeira do KKK. Sinceramente nunca tivemos nada que tenham falado comigo ou com alguém da minha família que fosse uma ofensa”, destaca.

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Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.
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