DESDE 1994 SERVINDO À COMUNIDADE BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS.

Comunidade: Paciência e Foco

A comunidade brasileira nos Estados Unidos está vivendo um moment, vamos admitir, meio confuso. Difícil em termos econômico-financeiros para a grande maioria, mas muito mais tenso no aspecto psicológico, com um certo desânimo tomando conta daqueles centenas de milhares que estão na expectativa de uma solução para seu problema imigratório.
Na verdade, a indefinição do governo e dos políticos norte-americanos quanto à questão dos 12 ou 14 milhões de indocumentados residindo no país, pode ser apontada como principal responsável pelo momento difícil.
Em todos os segmentos da comunidade, de Boston a Miami, de Atlanta a Los Angeles, de Seattle a Pompano, ouve-se o relatório de lideranças da comunidade, com as quais mantenho sempre estreita ligação, dando conta desse “banzo” generalizado.
Para quem nunca ouviu a palavra “banzo”, trata-se de um termo africano usado pelos escravos quando eram “atacados” por uma grande sensação de desânimo e incerteza.
Sem querer discutir os méritos e legitimidade desse sentimento, cabe a nós lembrar que o momento que estamos passando faz parte do “teatro da legalização”.
Não há mais a menor dúvida que a legalização virá. Os extenuantes e nada surpreendentes estudos efetivados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e pelo novato e polêmico Departamento da Segurança Interna, apontam finalmente para a impossibilidade de uma solução “melhor”.
A legalização do maior número possível de imigrantes indocumentados residindo nos Estados Unidos é em benefício do próprio país, da própria sociedade norte-americana.
Até mesmo a opinião pública que já foi 79% desfavorável a uma ampla legalização, há dois anos atrás, hoje já opina a favor em 53%. Ou seja, a maioria dos cidadãos norte-americanos já vêem essa medida como a mais adequada, a que melhor atende aos interesses da Nação.
E que ninguém veja nessa atitude algo “filantrópico” ou “humanista” dos norte-americanos. Isso reflete, sim, a objetividade desse mesmo povo que sabe distinguir como nenhum outro no planeta, o que favorece ou desfavorece seus interesses maiores.
A discussão agora já não é “se” vai haver a legalização e nem mesmo “como” será essa legalização. A discussão, fortemente política, se concentra num formato de legalização que não se transforme num “trunfo político” determinante nas próximas eleições presidenciais de 2008.
É senhores: a vida de milhões de famílias de imigrantes está sendo neste momento jogada como um “trunfo de competição” entre Democratas e Republicanos, digladiando-se para serem coroados como “pais da legalização” e com isso, pelo menos em tese, “colcoar no bolso” milhões de votos dos hispânicos, que hoje se tornaram o “bloco determinante” entre as minorias do país. Comos e sabe, 94% dos eleitores hispânicos são amplamente favoráveis a uma Anistia imigratória. Ampla, geral e (quase) irrestrita.
Pelo que podemos constatar na recente proposta de Lei Imigratória, levada ao Congresso norte-americano pelos……, sabe-se que nunca haverá a tal Anistia ampla, porque se levada ao pé da letra, beneficiaria criminosos, traficantes e ouytras mazelas que, ao lado de muita gente honesta e trabalhadora, também entrou ilegalmente nos Estados Unidos.
Evidentemente que a legalização será e tem mesmo que ser discriminatória. Para premiar os que andam dentro da Lei e respeitam as regras do país que, mais uma vez, estará dando uma incrível oportunidade aos imigrantes, também reconhecendo a nossa importância.
Enquanto a bonança não vem, vamos convivendo com o “teatro político” e com algumas arbitrariedades que se tornaram muito comuns nos últimos anos em Washington. Tal como a recente anunciada implementação de “Barreiras de Green Card”, nos aeroportos da Flórida. Essa novidade pretende barrar e deportar sumariamente do próprio aeriporto, todos os portadores de Green Card que tiverem qualquer tipo de antecedente criminal.
Certamente somos contra todos os tipos de crimes e todos os tipos de criminosos. Mas essa prática, se realmente efetivada, corresponde a uma violação dos direitos de quem conquistou seu Green Card e pode, por exemplo, estar “listado” como tendoi cometido um crime que não cometeu.
Não é de hoje que se sabe que os bancos de dados dos serviços de inteligência são altamente falíveis. O próprio Senador Edward Kennedy, anos atrás, foi “barrado” no Aeroporto de Washington porque o computador dizia tratar-se de pessoa ligada ao terrorismo. Enfim. Que haja paciência e foco para encarar essa fase complicada. Paciência dada pela certeza de que a legalização virá.
Foco determinado pelo empenho em trabalhar, cumprir a lei e manter mais vido do que nunca o nosso orgulho de sermos imigrantes brasileiros.

Baixe nosso app:

Comments

comments

Gazeta Admininstrator
Gazeta Admininstrator
156