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Comunidade muçulmana se sente "sitiada".

A prisão de 24 pessoas acusadas de envolvimento em um suposto plano de militantes islâmicos para explodir aviões viajando entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos pode afastar ainda mais as autoridades britânicas da comunidade muçulmana do país, que teme estar sendo colocada “sob cerco”, disseram alguns líderes.

Autoridades afirmam que a polícia evitou um ataque que seria realizado dentro de alguns dias e que envolveria a ação de vários homens-bomba embarcados em aviões. Os agressores usariam artefatos explosivos disfarçados como líquidos inofensivos.

As prisões jogaram sob os holofotes, mais uma vez, a comunidade britânica de 1,7 milhão de muçulmanos, 13 meses depois de quatro jovens muçulmanos britânicos terem matado a si mesmos e a 52 passageiros em atentados suicidas realizados no sistema de transporte público de Londres.

Outros quatro tentaram, sem sucesso, realizar uma ação semelhante duas semanas após os ataques de julho do ano passado.

“Há uma mentalidade de cerco”, afirmou Abu Mumin, dirigente de uma entidade no leste de Londres que atende jovens. “Ficamos continuamente justificando as coisas que aparecem no noticiário. Queremos apenas continuar com nossas vidas e viver em paz”.

Muhammad Abdul Bari, secretário-geral do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, a maior entidade islâmica do país, disse que sua comunidade estava agora sob uma pressão ainda maior.

“Sempre há um perigo envolvendo esse tipo de notícia. Alguns vão tentar simplesmente demonizar os muçulmanos por causa do extremismo de alguns poucos”, afirmou Bari, na sexta-feira. “Mas acho que podemos superar isso”.

Alguns muçulmanos levantam dúvidas sobre a validade da operação policial, afirmando que outras ações de combate ao terrorismo, como se descobriu mais tarde, haviam sido realizadas com base em informações inconsistentes.

Em junho, 250 policiais, alguns deles usando roupas especiais de proteção, participaram da invasão de uma casa em Forest Gate (leste de Londres) respondendo a um alerta sobre uma bomba química.

No entanto, os dois muçulmanos detidos então, um deles depois de ter sido atingido por um tiro no ombro, acabaram sendo libertados. E a polícia admitiu não ter encontrado nenhuma bomba no local e que as informações recebidas estavam erradas.

No incidente mais grave, a polícia matou o brasileiro Jean Charles de Menezes, em julho passado, após confundi-lo com um homem-bomba.

“Culpado até prova e contrário”

“Na Grã-Bretanha de hoje, os muçulmanos são vistos como culpados até prova em contrário”, afirmou Anjem Choudary, ex-líder do grupo radical Al Muhajiroun, que elogiou os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

“Não ficaria surpreso se esse fosse mais um caso no qual uma operação policial, realizada com base em poucos indícios, deixa apreensiva a opinião pública”, disse.

Bari admitiu que opiniões como essa eram um problema.

“Há um certo nível de ceticismo entre alguns grupos, especialmente entre os mais jovens”, afirmou.

“Mas se ficar provado que jovens muçulmanos estão realmente tentando provocar esse tipo de dano para todos nós, a voz da nossa comunidade, de forma alta e clara, dará apoio à polícia”.

Os líderes da comunidade deparam-se com uma desconfiança disseminada em relação às autoridades da Grã-Bretanha e de outras potências mundiais.

Uma pesquisa com muçulmanos britânicos divulgada nesta semana mostrou que 45 por cento deles acreditavam que os ataques de 11 de setembro haviam sido resultado de um plano dos EUA e de Israel.

“Há esse cinismo por causa do que aconteceu em Forest Gate e com Menezes”, disse Fareena Alam, editor da revista Q-News, dirigida para os muçulmanos britânicos.

Abul Khair, que tem uma livraria islâmica perto da Mesquita do Leste de Londres, no distrito de Whitechapel, afirmou: “O governo diz que foram os muçulmanos. Mas isso é propaganda. Os muçulmanos não conseguem fazer coisas assim. Isso não é permitido”.

Muitos dos que foram interpelados pela reportagem na região da mesquita não quiseram nem mesmo se manifestar sobre o mais recente alerta.

“Há um grande esforço para negar essas coisas porque eles (os muçulmanos) sentem-se sitiados. Eles acreditam estar diante de um esforço para desviar a atenção do que está acontecendo com Israel,” afirmou Alam.

Reuters

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