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Comentários de Fox aumentam o debate sobre reforma migratória

Os comentários do presidente do México, Vicente Fox, sobre o trabalho dos imigrantes e dos negros nos Estados Unidos provocaram uma onda de rejeição que prejudica o já polêmico debate migratório no país.
As declarações feitas por Fox na última sexta-feira, de que os imigrantes mexicanos realizam trabalhos nos EUA que “nem os negros querem fazer”, provocaram a repulsa de grupos pró-imigrantes e irritaram os que promovem uma reforma migratória.

Segundo analistas consultados hoje pela EFE, embora os comentários não tivessem nenhuma má intenção, têm um efeito contraproducente e servem de munição para os grupos conservadores que se opõem a qualquer flexibilização nas leis migratórias.

Pior ainda, servem de apoio a grupos com preconceitos contra os imigrantes mexicanos e que temem que sua crescente presença nos EUA ameace sua soberania e estilo de vida, disseram.

O próprio Departamento de Estado americano classificou de “insensíveis” e “inapropriadas” as declarações de Fox.

“Esperamos que eles (o governo do México) esclareçam suas declarações se tiverem a oportunidade”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.

Por enquanto, não tiveram efeito os esclarecimentos do governo mexicano de que Fox só quis destacar as contribuições dos imigrantes à economia americana.

Segundo os analistas, o “passo em falso” aconteceu porque Fox não levou em conta a hipersensibilidade que, por razões históricas, existe nos EUA sobre as relações raciais.

Embora os negros tenham maior peso político nos Estados Unidos, os hispânicos os superam em número como principal minoria no país e a concorrência por recursos (como empregos e fundos públicos) criou certo desconforto entre os dois grupos.

As palavras de Fox, independentemente de refletir ou não a realidade econômica dos imigrantes de baixa renda nos EUA, ganharam vida própria.

“Não é só o que (Fox) disse, mas o momento que escolheu para fazer os comentários, que alimentam os estereótipos raciais”, afirmou Armand Peschard-Sverdrup, analista do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Judy Golub, membro da Associação de Advogados da Imigração dos EUA (Aila), disse que Fox faria bem em se concentrar nos assuntos de seu país”.

“Já sabemos que nosso sistema não reflete nem responde às realidades econômicas dos EUA, mas seus comentários não ajudam em nada a avançar na reforma”, enfatizou.

Várias organizações civis, religiosas e sindicais dos EUA, entre elas o Fórum Nacional de Imigração e o Conselho Nacional da Raça, também rejeitaram as palavras de Fox, porque, segundo acusam, “enfrenta negros e hispânicos de tal forma que menospreza as contribuições de ambos os grupos à força de trabalho”.

Enquanto isso, um porta-voz do senador republicano John Cornyn (Texas), um dos legisladores mais atuantes na discussão da questão migratória nos EUA, garantiu à EFE que “continuará trabalhando para uma reforma migratória que represente os interesses dos americanos, não dos mexicanos”. EFE tg rgf/mo

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Gazeta Admininstrator
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