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Por Aloysio Vasconcellos* A elevação da temperatura no debate imigratório ganhou mais uma voz importante. Entrevistado pelo Financial Times, Joe Uva, presidente da Univision – a maior rede de língua espanhola dos Estados Unidos -, salientou ser a reforma imigratória mais um assunto econômico e de segurança do que político e policial. Na verdade, o executivo concorda com nosso ponto de vista. Está na hora (melhor seria dizer que já passou da hora) de o governo americano – Executivo, Legislativo e Judiciário – chegar a um denominador comum para se encontrar uma solução pacífica para um assunto que está sendo usado por políticos inescrupulosos para angariar votos junto a pessoas desinformadas. A falta de ação no momento adequado permitiu que se germinasse este sentimento anti-imigrante em um momento em que o país passa por uma severa crise econômica. Assim, os abutres estão aproveitando-se desta situação para instigar ódio e jogar nas costas dos imigrantes os problemas pelos quais os EUA estão passando. Uva enfatizou que a solução desta delicada questão seria benéfica para todos, concordando com o que falamos recentemente em outro artigo. Em vez de insistir nesta meta inalcançável de expulsar os milhões de indocumentados do país como se isto resolvesse todos os problemas. Isto não passa de cortina de fumaça para tentar tapar os olhos de pessoas com visões estreitas que são meros joguetes nas mãos dos farsantes. Mas, falemos de economia. Segundo o recente censo realizado no país, a população hispânica está em torno de 50 milhões de pessoas, isto é, cerca de 1/6 da população dos Estados Unidos. Se absorvida a população que está marginalizada, isto serviria como um importante fator de estímulo para a estagnada economia americana, injetando recursos que movimentaria a economia, reativando mercados moribundos como o imobiliário e o de bens duráveis, além de incrementar o setor turístico. Evidentemente, o dinheiro jogado na economia americana irrigaria as empresas e geraria mais postos de trabalho, suficientes para absorver a mão de obra americana, hoje desempregada, e mesmo os imigrantes recém-ingressados no mercado trabalhista. Além do mais, o governo angariaria uma boa soma de recursos que poderiam ser usados inclusive no reforço das fronteiras a fim de evitar o contrabando de pessoas, de armas e de drogas. Ou seja, as multas evitariam o sangramento do orçamento governamental ao financiar o próprio sistema de segurança. Por falar em segurança, vale destacar que os órgãos de segurança dos Estados Unidos passariam a ter cadastrados os perfis de todos os que vivem no país, ajudando a monitorar criminosos, terroristas e outros infratores. De quebra, passariam a contar com o inestimável apoio das comunidades imigrantes que não teriam medo de denunciar os maus elementos que as aterrorizam. Desta forma, haveria uma purificação saudável que beneficiaria sensivelmente o país. Do ponto de vista político, os que pensam em agradar o eleitorado atual estão agindo no curto prazo. Imaginam que aceitando as pressões de grupos de ódio minoritários garantirão suas cadeiras no Congresso Nacional. Isto até pode ser verdade, num primeiro momento, mas o país vem claramente mudando seu perfil racial, econômico e social e quem desconhece isto pagará o alto preço de ter virado as costas para o bom senso e a racionalidade. Evidentemente, quando se fala em imigrantes ilegais, a primeira imagem que vem à mente é a do latino de origem indígena – olha eu aí fazendo um profiling. Mas os imigrantes alcançam uma amplidão bem maior. Abrangem as pessoas do leste europeu, os asiáticos – sobretudo chineses e indianos – e até mesmo irlandeses que se confundem com americanos por falarem inglês e por seu biotipo. Todos, porém, sem exceção, têm muito a contribuir com o país. Um destaque especial merece a comunidade brasileira. Somos um pequeno grupo, calculado em cerca de 1,5 milhões de pessoas, que acaba sendo engolido pela enorme população hispânica. Mas devemos nos unir para atingir o bem comum – a legalização de todos os imigrantes – também nos unirmos como comunidade a fim de fazermos a diferença na sociedade americana e conquistarmos uma voz representativa. O sucesso para isto, só depende de nós..., como diz o verso da canção de Ivan Lins e Vitor Martins. Aloysio Vasconcellos é presidente do Brazilian Business Group/BBG e da Westchester International Corp., Boca Raton, Florida. e-mail: vasconcellos@westchesterintl.com |