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Torção Gástrica em Cães de Raça de Grande Porte – Saúde Animal

Torção Gástrica em Cães de Raça de Grande Porte – Saúde Animal

Existem diversas doenças ou condições que podem causar risco de vida ao seu cachorro e necessitam de tratamento de emergência. Entre elas está a dilatação gástrica, que pode predispor à torção gástrica complicando ainda mais a situação.

Para quem leu o livro ou assistiu o filme “Marley e Eu”, é um ótimo exemplo do estresse que o animal passa e a família também perante esta situação crítica. A dilatação gástrica costuma acontecer em cães de grande porte como Dogue alemão, ou cães que possuam tórax profundo como Greyhound e Doberman, ou cães com hábitos alimentares fora do normal, que foi o caso do Marley. No entanto, eu já vi casos de dilatação gástrica importante em cães de pequeno porte como Dachshund e Chiuaua. As três raças mais acometidas são: 1. Doque Alemão, 2. São Bernardo, e 3. Weimaraner.

Cerca de 20% dos casos de dilatação/torção gástrica ocorrem em animais que pesam mais de 99 pounds (45 kilos).

A dilatação gástrica, como o próprio nome já diz, ocorre quando o estômago dilata várias vezes o seu tamanho normal devido ao acúmulo de comida, água e gás. A distensão do estômago pode causar torção gástrica e obstruir o fluxo sanguíneo não somente do estômago mas de outros órgãos abdominais como o baço por exemplo, levando o animal ao choque e morte se não tratado imediatamente. A dilatação gástrica não complicada causa dor abdominal severa e colapso com igual risco de vida.

A situação mais comum é quando o cachorro come uma exagerada quantidade de ração (quando encontra o saco de ração e come livremente sem que o dono perceba) e faz exercício físico logo após. A maneira com que você maneja a alimentação do seu cachorro pode ajudar na causa da dilatação. Por exemplo, cães que comem apenas uma vez ao dia passam a maior parte do dia com fome e podem comer muito rápido e tomar muita água sempre que forem alimentados, causando congestão. O ideal é alimentar seu cachorro duas vezes ao dia com uma quantidade de ração controlada e evitar exercícios físicos logo após a refeição. Cães com dilatação gástrica nem sempre apresentam um abdômen distendido, o mais importante a ser notado na suspeita de dilatação gástrica são os diversos episódios de vômito, colapso (onde o cachorro deita-se e não consegue se mover) a respiração acelerada e muitas vezes síncope (desmaio).

A primeira coisa que o seu veterinário irá fazer é administrar grandes quantidades de fluido intravenoso para combater o choque, e ao mesmo tempo tentar esvaziar o estômago através da passagem de um tubo gástrico inserido pela boca até o estômago. Se não houver torção gástrica, o tubo passará sem maiores problemas e irá remover grande parte do conteúdo estomacal, reduzindo o tamanho e eliminando o gás. Em casos de torção, o tubo não consegue passar e o animal é enviado para cirurgia imediatamente. Na ausência de torção, a cirurgia continua sendo recomendada após o animal ter sido estabilizado pois uma vez o estômago distendido aumentam-se as chances de recorrência e torção. A técnica cirúrgica conhecida como Gastropexia é a preferida e envolve fixar o estômago à parede abdominal para evitar a torção, no entanto deve-se evitar qualquer situação que possa causar a dilatação gástrica pois esta tende a recorrer. Cães que tiveram dilatação gástrica e que não foram tratados cirurgicamente podem voltar a dilatar em 75% dos casos, cães tratados com cirurgia podem ainda recorrer, mas a porcentagem cai para menos de 6% dos casos.

É extremamente importante para donos de cães de grande porte conhecer mais sobre essa condição e estarem preparados, saber onde levar seu animal em caso de emergência, evitar exercício físico logo após a refeição e alimentar seu animal duas vezes por dia com quantidade apropriada de ração e evitar que seu cão tenha acesso fácil ao pacote de ração. A predisposição pode ser ainda maior em cães cujo os parentes tiveram dilatação. Muitos donos optam por realizar Gastropexia profilática (antes da primeira dilatação) para diminuir as chances de dilatação e evitar com que o estômago torça.

 
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Comentários (6)

  1. Marcos Gomes quarta-feira - 22 / 02 / 2012 Responder
    Realmente é muito traumático ter um animal acometido por tal problema. 30 dias atrás meu Hotweiller de 9 anos (o Thor) se alimentou e saímos para passear como de costume. Cerca de 2 horas após voltarmos ouvi-o tentando vomitar e percebi seu abdomen já dilatado. Não consegui ajuda veterinária para ele (era um domingo 22:30 H) e o probrezinho veio a falecer às 3:30 H da segunda-feira. Apesar de ele já estar com 9,5 anos esbanjava saúde e nunca havia dado nenhum sinal deste problema. Agora, mais informado sobre este assunto, vou redobrar a atenção com meu Bernese (o Otto). Infelizmente só ficaram as boas recordações do meu Thorzão !!!
    • Luiz Bolfer quarta-feira - 14 / 03 / 2012 Responder
      Marcos, obrigado por acompanhar a Coluna Saúde Animal. Sinto muito pelo o que aconteceu com o seu cão. Infelizmente mesmo com atendimento imediato dependendo da severidade da torção as consequências podem ser graves. Abraços Luiz Bolfer
  2. joao angelo sábado - 25 / 02 / 2012 Responder
    uma pator alemao mestrurada com vira lata com bitbull. te porecatu sete te maio
  3. Manuela Pinto sábado - 07 / 04 / 2012 Responder
    Infelizmente para o meu Ero [dogue argentino] foi tarde de mais no espaco de uma hora faleceu ,fazia agora 10 anos com saude teimoso como so ele sabia ser meigo nada previa isto e assim tao de repente,devia de haver mais informacao principalmente nos veterinarios para os donos estarem prevenidos.Foste ontem embora mas estas para sempre nos nossos coracoes Meu querido Ero,ficam as boas recordacoes meu Amigo.Ate um dia.
    • Luiz Bolfer terça-feira - 17 / 04 / 2012 Responder
      Manuela, Sinto muito em saber sobre o Ero. Infelizmente existem muitos casos que assim como o Ero não conseguem aguentar até que tenham atendimento veterinário. Obrigado por acompanhar a coluna Saúde Animal.
  4. Cássia quarta-feira - 25 / 04 / 2012 Responder
    Passei pela experiência de perder meu THOR um Kuvacz enorme que carinhosamente chamava de meu urso, era um cão com apenas 3 anos e hoje estou sofrendo com minha Boxer chamada JUMA que 3 horas após se alimentar começou a uivar e choramingar quando fui verificar o motivo ela estava muitíssimo inchada, corri levá-la para o veterinário onde após 1 hora de espera foi atendida e diagnosticada com torção, o veterinário deu o primeiro atendimento e só operou hoje, ou seja no dia seguinte, agora estou esperando as 24 horas após a cirurgia que são as mais críticas, rezo para que ela se recupere pois fazem 12 anos que é minha grande companheira!

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