O continente europeu abriga uma população de emigrantes brasileiros estimada em cerca de 1 milhão de atuais residentes, com as maiores concentrações no Reino Unido, Portugal, Espanha, Irlanda, Alemanha, Itália e França.
As características econômicas e sociais específicas da Europa (grande população concentrada em países territorialmente muito limitados, sentimento anti-imigrante em todos os países) sempre tornou a vida dos emigrantes brasileiros naquele continente mais difícil.
Apesar disso, foi na Europa que uma parte dos emigrantes brasileiros que deixaram os Estados Unidos, procuraram uma nova possibiliodade para seu sonho de sucesso fora do país. Parecia uma decisão lógica.
Afinal, para começo de assunto, cidadãos brasileiros têm acesso livre, sem necessidade de vistos antecipados, em qualquer um dos países da Comunidade Europeia. O fato de já existirem comunidades brasileiras mais organizadas e identificadas nesses países que citamos acima, ampliava a possibilidade de uma “acomodação” menos traumática.
Embora exista a exigência de vistos de trabalho e documentação para se poder trabalhar em qualquer país europeu, e mesmo havendo uma longa tradição de militância e sentimento “anti-imigrante”, o fato é que, comparando-se com a dureza do governo Obama na perseguição aos indocumentados, fazia da realidade na Eruopa, muito mais convivial do que tem sido em território norte-americano.
E assim vinha acontecendo esse processo de “transferência”, gerando entre 2008 e 2010 um “boom” claramente detectado em países como Inglaterra, Irlanda e Espanha, que registraram os maiores índices de crescimento de imigrantes brasileiros neste período.
Mas a vida na Europa sempre esteve muito longe das possibilidades e facilidades da vida nos Estados Unidos, e rapidamente esses brasileiros e suas famílias sentiram o enorme “baque” da mudança. Muitos, seguindo exemplo dos que retornaram daqui para o Brasil, tomaram o rumo “de casa” depois de passar por malogradas “experiência europeias”.
Com o aprofundamento da crise do Euro, e as economias de Portugal, Espanha, Itália, Grécia e até mesmo da França, encarando diferentes níveis de ameaça de colapso, imaginem qual o segmento da população que está mais sendo punido: os imigrantes.
E as perspectivas de curto prazo não parecem nada animadoras. Além de uma drástica redução nas ofertas de emprego em áreas que tradicionalmente favorecem os imigrantes em geral e brasileiros em particular, todos os governos da região encaram uma “onda” de fiscalizações rigorosas e alguns países como Holanda, Suécia e Espanha, anunciaram recentemente que estariam revisando suas políticas de entrada no país de visitantes de outras regiões do mundo, que não da própria Europa.
Como é a Economia quem rege toda a orquestra social do planeta, é exatamente o pânico de uma Europa repentinamente enfraquecida e à beira de uma prolongada e dolorosa recessão, que estaria gerando essa nova política anti-imigrante.
Do outro lado do Atlântico, no país que sempre se orgulhou de ser “uma nação de imigrantes”, tentamos acordar de um período que deverá ser lembrado no futuro como um dos piores, mais dramáticos e injustos, na história da relação do governo dos Estados Unidos com imigrantes neste país.
Ninguém discute que a questão dos 12 ou 14 milhões de imigrantes ilegais que permanecem vivendo nos Estados Unidos, é delicada e que envolve uma série de questionamentos.
O que, entretanto, não se pode deixar de denunciar, é a atual “criminalização de fato” dos indocumentados, sendo tratados como criminosos comuns, perseguidos em níveis que vão desde os abusos nas prisões do Arizona e Califórnia, ao cerceamento das opções jurídicas mais básicas em favor de sua história e sua contribuição a este país.
Esse talvez seja um legado amargo dos anos Obama. Isso fará com que muita gente não vote nele em 2012. A não ser que, em um “passe de mágica” – dos mais improváveis – o atual presidente resolva cumprir, “na boca da urna”, um de seus mais sérios compromissos de campanha, em 2008, quando anunciou que a reforma imigratória seria um de seus compromissos na presidência.
Ainda assim, vivendo essa fase de muita incerteza, os imigrantes brasileiros indocu-mentados nos Estados Unidos, ainda podem ter certeza de que suas vidas são menos difíceis do que as de nossos compatriotas que optaram pela Europa. Aqui, a economia vem, ainda que lentamente, retornando aos eixos. Lá, essa perspectiva é repleta de interrogações e nenhuma certeza.
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