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Dólares brasileiros “salvam” Orlando, Nova York e Las Vegas – Editorial

Os turistas brasileiros sempre foram uma presença marcante nos Estados Unidos. Ao longo dos últimos 30 anos, foram muitas as fases em que o volume de visitantes originários do Brasil nos principais centros e atrações norte-americanos se tornou extremamente relevante.

Foram “ondas” que se alternavam entre “altas”e “baixas” que flutuavam ao sabor dos pacotes econômicos e casuísmos políticos.

Estamos vivendo o auge de uma dessas “ondas”. O volume de visitantes brasileiros nos Estados Unidos superou 2 milhões de pessoas em 2011.

Somente entre novembro de 2011 e fevereiro de 2012 (computando as passagens e hospedagens já compradas), cerca de 600.000 brasileiros deverão entrar pelos 11 aeroportos internacionais norte-americanos que possuem voos diretos para cidades brasileiras: Miami, Orlando, Atlanta, Washington, Newark, Nova York, Boston, Chicago, Dallas, Houston e Los Angeles.

Isso sem contar os voos charters, especialmente para a Flórida, que se multiplicaram de forma geométrica nas últimas temporadas.

Os voos estão sempre lotados, e o preço das tarifas atingiu na atual temporada, valores recordes.

Não é por acaso que as empresas aéreas norte-americanas que operam para o Brasil (Delta, American, United, Continental e US Airways) têm ampliado constantemente suas frequências entre os dois países e mais não o fazem porque já atingiram o limite máximo permitido pelos acordos bilaterais.

E essa “invasão” brasileira ocorre justamente em um momento em que o turismo nos Estados Unidos sofre sua mais prolongada crise das últimas décadas. Os índices de quantidade de visitantes estrangeiros e gasto médio de cada um deles, nos EUA, se “arrastam” desde 2007, em um processo que ainda não está, nem de longe, acompanhando a melhoria lenta dos índices gerais da economia do país.

Três cidades, entretanto, se beneficiam enormemente da “febre brasileira” nos Estados Unidos. Orlando, Nova York e Las Vegas. Estive nessas três cidades nos últimos 60 dias e pude constatar “in loco”, “ao vivo e a cores” como se diz comumente, o efeito impressionante da presença dos brasileiros.

A começar por Orlando, região que desde os anos 80 se tornou o destino favorito dos viajantes internacionais brasileiros e suas famílias.

A presença verde e amarela nos parques, hotéis e restaurantes da “terra do Mickey” é tão avassaladora que se você fechar os olhos por alguns minutos e se guiar pelas conversas em torno, ouvirá quase que exclusivamente o nosso idioma, o português.

Em Nova York, do Times Square às barcas que levam à Estátua da Liberdade, do Central Park aos outlets de Hoboken (na vizinha Newark), do deck de observação do Empire State às vitrines espetaculares da 5ª Avenida, os brasileiros “ocupam” a “big apple” com sorrisos e, para alegria dos comerciantes, seus dólares.

Em Las Vegas, onde a presença do visitante brasileiro sempre existiu, mas de certa forma restrita a um segmento específico (os mais endinheirados e os mais aventureiros), a história agora é outra. Milhares de brasileiros ocupam hotéis, cassinos e shows da cidade, além de terem descoberto que fazer compras (esporte favorito do nosso turista) em Las Vegas, pode ser surpreendentemente melhor e mais barato do que em Nova York, Miami ou Orlando.

Sim, porque a meca do jogo se transformou não apenas na meca dos grandes shows e do entretenimento, mas em um poderoso centro de compras, com centenas de lojas das mais badaladas e sofisticadas grifes mundiais. E onde há grifes, consumo de luxo e barganhas, aí estarão nossos felizes e descontraídos “sacoleiros” – sem ironia. Há muito que se sabe que fazer compras como entretenimento é um esporte mundial dos tempos modernos, e nós brasileiros levamos essa ideia “ao pé da letra”.

É justamente “de olho” na consistência de um visitante brasileiro que está gastando em média 5 mil dólares durante sua visita ao país (em 2010 foram quase 10 bilhões de dólares deixados pelos nossos turistas nos EUA e essa cifra pode atingir 14 bilhões em 2011, quando forem fechadas as “contas”) que o governador e o prefeito de Nova York estão fazendo “campanha”, ao lado do governador da Flórida, para que seja abolida a necessidade de visto para os brasileiros. “Money talks”. E mais do que nunca, no império da grana, os dólares brasileiros estão falando mais alto do que nunca.

 

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