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O fim da mediocridade, a predominância da educação – Negócios & Empresas

Vale a pena ler o que o economista e articulista Thomas Friedmann escreveu no “The New York Times”, e foi publicado no dia 24 de janeiro. Para elaborar o artigo, ele recorreu a outros autores.

Num ensaio, intitulado “Fazendo na América”, publicado na última edição da “The Atlantic”, o autor Adam Davidson conta uma piada do país do algodão sobre o quanto uma fábrica moderna foi automatizada: uma tecelagem média hoje tem apenas dois empregados: “um homem e um cachorro. O homem está lá para alimentar o cachorro, e o cachorro está lá para manter o homem longe das máquinas”.

O artigo de Davidson é mais um entre várias anedotas que têm surgido recentemente para destacar o ponto de que o motivo pelo qual temos desemprego persistentemente elevado, e uma flacidez de renda da classe média, deve-se largamente à grande queda na demanda por causa da Grande Recessão, mas deve-se também à promoção de grandes avanços na globalização e à revolução na tecnologia da informação, que estão mais rapidamente do que nunca substituindo mão-de-obra por máquinas ou por trabalhadores estrangeiros.

Antigamente, trabalhadores com habilidades médias, fazendo um trabalho médio, ganhavam o suficiente para viver dentro de um estilo de vida médio. Mas, hoje, a média está oficialmente acabada. Ser médio não é mais o que costumava ser. Nem pode ser mais, no momento em que há muito mais empregadores com muito mais acesso à mão-de-obra média barata no Exterior, à robótica barata, ao software barato, à automação barata e ao talento barato. Portanto, todo mundo precisa encontrar seu diferencial — seu valor de contribuição único que faça com que eles se destaquem em seu campo de atividade profissional, seja ele qual for. A média está extinta.

Sim, a nova tecnologia está devorando empregos para sempre, e sempre continuará assim. Como se costuma dizer, se os cavalos pudessem votar, nunca haveria carros. Mas tem havido uma aceleração deste processo. Como enfatiza Davidson, “nos 10 anos, encerrados em 2009, as fábricas americanas dispensaram os trabalhadores tão rápido que apagaram quase todos os ganhos dos últimos 70 anos, aproximadamente um em cada três empregos na indústria — cerca de 6 milhões no total — desapareceram.”

E você ainda não viu nada. Em abril do ano passado, Annie Lowrey da Slate escreveu sobre a recém-criada “E la Carte” que deve reduzir a necessidade de garçons e garçonetes. A empresa “criou um tipo de iPad incrementado que permite ao cliente fazer o pedido e pagar a conta de sua própria mesa. A ideia original de um punhado de engenheiros do M.I.T., a invenção engenhosa, conhecida como Presto, poderá ser encontrada em breve num restaurante perto de você. Você escolhe o que quer comer e acrescenta os itens num carrinho. Dependendo das preferências do restaurante, o console pode mostrar informações nutricionais, lista de ingredientes e fotos. Você pode fazer pedidos especiais, como ‘molho à parte’ ou ‘um bacon a mais’. Quando você completar o pedido, a ordem vai diretamente para a cozinha, e o Presto dirá a você quanto tempo demorará para chegar à sua mesa. Você está enfadado com seus acompanhantes? Há jogos disponíveis na máquina. Quando terminou a refeição, você paga no console, dividindo a conta item por item se quiser ou pagando a quantia que desejar. E você pode ter o recibo enviado a você por email. Cada console sai por $100 mensais. Se um restaurante serve refeições oito horas por dia, sete dias por semana, custa 42 centavos por hora/mesa —tornando o Presto mais barato que o mais barato garçon que você contratar.”

O que o iPad não fizer de maneira básica, um trabalhador chinês fará. Considere este parágrafo do incrível artigo de Charles Duhigg e Keith Bradsher publicado em um domingo no “The Times” sobre como a Apple fabrica muitas de suas coisas na China: “A Apple redesenhou a tela do iPhone no último minuto, forçando uma revisão da linha de montagem. As novas telas começaram a chegar na fábrica chinesa por volta da meia-noite. Um chefe de trabalho imediatamente acordou 8.000 trabalhadores dentro dos dormitórios da empresa, de acordo com o executivo. Cada empregado recebeu um biscoito e uma xícara de chá, foi para sua estação de trabalho e, em meia hora, começou a trabalhar num turno de 12 horas montando telas de vidro em armações chanfradas. Em 96 horas, a fábrica estava produzindo mais de 10,000 iPhones por dia. ‘A velocidade e a flexibilidade são impressionantes’, disse o executivo. ‘Não há nenhuma fábrica americana que possa competir com isto’.”

E a automação não está vindo apenas para a fabricação, explica Curtis Carlson, executivo-chefe da SRI International, um laboratório de ideias do Silicon Valley que inventou o programa do iPhone da Apple conhecido como Siri, o assistente pessoal digital. “O Siri é o início de uma enorme transformação sobre como vamos interagir com bancos, seguradoras, lojas de varejo, prestadores de saúde, serviços de informações e de produtos”, afirmou.

Sempre haverá mudanças— novos trabalhos, novos produtos, novos serviços. Mas uma coisa é certa: cada vez mais, com o avanço da globalização e a revolução da TI, os melhores empregos exigirão trabalhadores que tenham mais e melhor educação para que eles fiquem acima da média. As mais recentes taxas de desemprego divulgadas pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho indicam que para os americanos com mais de 25 anos de idade, aqueles com um grau de escolaridade inferior ao ensino médio somam 13,8 por cento; aqueles com ensino médio mas sem universidade totalizam 8,7 por cento; aqueles que não se formaram em uma universidade ou pararam nas faculdades preparatórias contabilizam 7,7 por cento; e finalmente aqueles com formação universitária ou grau de escolaridade superior estão no percentual mais baixo da escala de desemprego, com apenas 4,1 por cento.

Num mundo onde ser médio está oficialmente acabado, há muitas outras coisas que precisam ser feitas para reforçar o emprego, mas nada pode ser mais importante do que aprovar algum tipo de G.I. Bill (uma lei criada em 1944 que deu apoio aos veteranos de guerra para formação educacional, treinamento profissional e recolocação no mercado de trabalho) para o século 21 que assegure a cada americano e/ou residente no País ter acesso a uma educação superior.

 

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