Analisando, com um critério macroeconômico, este ano que se inicia, vemos claramente de que há uma palavra quase mágica que nos vem aos olhos e ao nosso racional gerencial.
Em geral, nós ainda ligamos produtividade mais à área industrial, por uma deformação acadêmica ainda do século passado quando tínhamos todo o ensino de gestão voltado para grandes empresas industriais e no que diz respeito à produtividade ainda estamos, de certa forma, ligados à doutrina de Taylor, que já fez centenário, há tempo!
Em um país como os EUA, em que a indústria já esta representando cerca de 10% do PIB, então, nem pensar nisto como a palavra do ano, em termos de solução nacional.
Em termos genéricos, serviços significam mais de 75% do PIB americano e nesta área, alguns itens se destacam:
- Serviços para o Governo
- Educação
- Saúde
Outros serviços chamam nossa atenção, como:
- Transporte
- Comércio
- Finanças
- Alimentação
- Viagens e Turismo
- Utilidade pública
Por que destaco estas áreas? Para chamar a atenção de nossos leitores para os segmentos que têm maior relevância na economia atual dos EUA e onde haverá maiores oportunidades e, em sendo os setores mais importantes, serão onde a batalha pela sobrevivência será mais dura e exigirá mais do empenho de seus proprietários, gerentes e onde também as portas se abrirão para aqueles que quiseram ou puderem levar novidades e propostas que realmente façam a diferença para o resultado das empresas.
Peter Drucker, o guru da administração moderna, disse que o recurso econômico básico no mundo contemporâneo – “os meios de produção”, para usar uma expressão dos economistas – não é mais o capital, nem os recursos naturais (a “terra” dos economistas), nem a “mão-de-obra”. Ele é e será o conhecimento. As atividades centrais de criação de riqueza não serão nem a alocação de capital para uso produtivo, nem a “mão-de-obra”. Hoje o valor é criado pela “produtividade” e pela “inovação”, que são aplicações do conhecimento ao trabalho.
Ora, e aonde isto nos faz chegar? Precisamos nos tornar e, no mais das vezes contratar, pessoas capazes de trazer este conhecimento para que nossas empresas se tornem competitivas e enfrentem o desafio de melhorar nossa performance, tornando-nos vencedores.
A velha regra de que em time que está vencendo não se mexe, seguramente foi a razão da desgraça de muitas empresas e quase tirou o campeonato nacional do Corinthians (observação pessoal).
Tudo tem que ser revisto e revisado a cada dia em nossa atividade empresarial, assim como em nossa vida pessoal e espiritual.
Convenhamos que o que estamos falando não é uma novidade. Sócrates citado por Platão na sua “Apologia de Sócrates” afirmou: “Só sei que nada sei”.
Ora, é extremamente petulante, para não dizer ignorante, afirmarmos já sabermos de tudo para a gestão de nossos negócios, pois se um método estava certo e perfeito ontem, nada nos garante que estará igualmente certo hoje, com os novos conhecimentos e num mundo integrado.
O economista e professor Paulo Nunes, diz que “produtividade é o indicador de eficiência de uma organização”.
A União Europeia em uma comunicação oficial em 2002, afirmou: “produtividade é a chave para a competitividade das economias e das empresas europeias”.
Profeticamente, mais adiante continua: “O recente abrandamento do crescimento da produtividade na UE conduz logicamente a um enfraquecimento da sua competitividade. As empresas só serão competitivas quando lograrem alcançar um crescimento sustentável da produtividade do trabalho e da produtividade total dos fatores que lhes permita superar outras empresas, no que diz respeito aos custos por unidade de produção e às características da sua oferta não associadas aos custos”.
“Além disso, a desaceleração da produtividade entrava o aumento do nível de vida”.
Quem acompanha a crise Europeia confirma esta “profecia”.
E aqui nos EUA, o que tivemos? Após um crescimento fantástico, menos pela ação do governo e mais pelas naturais consequências da entrada na vida empresarial de vários produtos desenvolvidos na área militar e que foram liberados para a vida empresarial após o fim da guerra fria, como a internet, deitou o país em seu berço esplêndido o que o levou a uma catastrófica desaceleração econômica no final do governo Clinton e que se agravou com o atentado de 11 de setembro e suas consequências em termos de gastos públicos em segurança e armamentos.
A história e o passado nos ensinam: quem não foca em produtividade tem vida efêmera e pode perecer profissional e gerencialmente.
Concentremo-nos em produtividade neste ano que se inicia.