Aloysio Vasconcellos
O ideal para todos que escrevem colunas regulares em periódicos é, na primeira semana do ano, fazer um balanço do período e, otimisticamente, prognosticar sucessos que deverão ocorrer ao decorrer do ano que se inicia. Tentaremos assim proceder, focando, evidentemente, naquilo que julgamos ser os principais pontos de interesse comum a nossa comunidade.
Estamos inseridos na maior economia do mundo onde, apesar de todos problemas continuamente enfrentados na árdua disputa pelo dia-a-dia, desfrutamos de elevada qualidade de vida, acessível a praticamente todos os indivíduos, em seus diversos matizes socioeconômicos.
Evidentemente o período que atravessamos não é de vacas gordas, já que destas usufruímos, ao excesso, nos últimos vinte anos, quando foram atingidos níveis de fartura e esplendor nunca antes vividos . A continuidade do processo de expansão de riqueza, que em seu bojo traz emprego, crédito, benefícios sociais e outras benesses materiais e existenciais, manteve sua forma de expressão cíclica e diminuiu sua marcha, a muitos deixando em situação menos favorecida. Muitos membros da comunidade brasileira do sul da Flórida, assim como de outras partes do mundo, ao Brasil retornaram na busca de melhores condições e preenchimento de seus objetivos de vida.
Não compartilhamos exatamente das colocações utilizadas por alguns, mas temos a impressão de que os que aqui ficaram, a grande maioria, são aqueles mais obstinados e seguros de suas metas pessoais e familiares, não se amedrontando ou enfraquecendo à frente de imediatismos. Aos EUA, o país mais forte do mundo, detentor de conhecimentos extraordinários, expressados através de constante e árdua atividade de pesquisa e elaboração de métodos, em diversas áreas da manifestação humana, ainda estarão reservados muitos anos de hegemonia e a comunidade brasileira, aqui radicada, somente poderá esperar dias de fartura e sucesso, pois participantes que serão do soerguimento desta grande nação ao nível inconteste que lhe está reservado.
Mas para se participar da glória que advirá não basta apenas ser bem comportado e cumpridor dos seus deveres. É pouco ser um grande número, ativo, dedicado e disciplinado. Há que se participar e doar-se ao trabalho comunitário de forma que a força de grupo seja igualmente ouvida e, assim, melhores e explícitos benefícios serão canalizados à comunidade.
Somos ordeiros e generosos, como grupo. Geramos taxas e contribuimos para o bem estar das cidades onde vivemos. Mas não nos entrosamos devidamente com a sociedade onde nos inserimos. Por que? Falta de visão ou sentimento de inferioridade ?
Não é nossa pretensão, neste início de ano, usar de nosso espaço para sumarizar um tratado socioantropológico sobre o indivíduo brasileiro, mas em poucas palavras podemos certamente afirmar sofrermos do mesmo mal social que se abateu sobre os brasileiros no período colonial e sucessivas predominâncias em nossa vida socioeconômica exercidas por potências estrangeiras, estas últimas exercendo um colonialismo invisível e menos dolorido, sem a força humilhante da chibata. Tudo, evidentemente agravado por duas ditaduras que , no século passado, usurparam o poder no Brasil durante 35 anos, atemorizando e corrompendo a sociedade.
O nosso terreno, ao contrário do aqui encontrado, não é fértil no atingimento de objetivos através da organização e planejamento, pois historicamente não somos donos de nossos futuros, para o sucesso ou insucesso. O sonho brasileiro, tradicionalmente, tem sido influenciado por forças externas e/ou internas que manipulam as condições locais ao bel prazer dos poderosos de plantão.
Mas por que esta incursão ao mundo sociopolítico brasileiro? Para deixar claro que nos EUA a história é outra, advinda de uma tradição democrática, em que o engajamento político-social carreia resultados positivos ao bem estar e anseios da comunidade.
Temos que reagir ao impulso que temos, como comunidade, de não nos envolvermos em grupos e/ou entidades que buscam a melhoria e o atingimento do bem comum e de nossa prosperidade como comunidade. Temos que nos tornar minoria ativa, participante nas atividades educacionais , sociais e políticas que nos impactam. Nossos jovens devem participar das inúmeras oportunidades de participação que lhes são abertas e oferecidas cotidianamente através das entidades oficiais, constituídas, e de inúmeras outras sem fins lucrativos que se ocupam da formação cidadã de seus jovens.
Sabemos que muitos na comunidade participam de alguns grupos. Questionem suas finalidades e a si próprios se estão engajados corretamente, isto é, se o grupo de que fazem parte é a resposta ao que acima alertamos. Nada impede a participação em mais de uma entidade. E lembrem-se sempre: o esforço de hoje, dispendido em termos de tempo, reverterá, certamente, em uma qualidade melhor de vida e, acima de tudo, traçará o caminho adequado a ser percorrido por seus filhos, maiores beneficiários desta conquista em terras estrangeiras.
Somente a integração com a sociedade prevalente, norte-americana, nos trará as melhores condições de vida que todos almejamos. O aprendizado da língua é o primeiro e fundamental passo que todos têm que dar. Não há desculpa humana que possa impedir o atingimento deste objetivo. Com a língua, o conhecimento dos costumes e seu entendimento florescerá, aplainando e abrindo os caminhos futuros. A família melhor reagirá. Os entendimentos familiares florescerão. E os melhores empregos e negócios surgirão.
Não podemos perder a oportunidade de interagir e nos beneficiar da maior economia do mundo, pois simplesmente nela estamos inseridos. Podemos e devemos manter nossas raízes, das quais nos orgulhamos, mas a interação inteligente e competente há que ser perseguida.
Que tal fazer desta a nossa resolução comunitária para 2012 ?