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China é acusada de reprimir campanhas contra a Aids

Homossexuais na China ficam sem acesso a campanhas de prevenção
A organização de direitos humanos Human Rights Watch acusa o governo da China de perseguir ativistas que tentam controlar a crescente epidemia de Aids no país. Estima-se que a China tenha, daqui a 5 anos, 10 milhões de portadores do HIV.
No relatório, Restrição a Ativistas da Aids na China, a organização pede que o governo chinês “pare de impedir ativistas e integrantes da sociedade civil de fazerem o seu trabalho”.

Segundo a organização, que entrevistou integrantes da sociedade civil que trabalham principalmente com homossexuais, jovens e usuários de drogas, em campo ou pela internet, a maioria dos ativistas sofre perseguição e restrições burocráticas.

“Muitos estão sendo presos, com base nas restritas leis chinesas contra a pornografia”, avalia o documento de 57 páginas lançado pela Human Rights Watch em Hong Kong nesta quarta-feira.

Órfãos

Para a organização, o governo chinês peca de duas maneiras com as restrições: primeiramente porque já havia prometido encorajar movimentos sociais na China; e depois porque o país repete com isso uma tendência de esconder dados sobre a saúde de sua população e retardar o combate a doenças.

Foi o caso, por exemplo, da demora em responder à epidemia da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e da contaminação, na província de Henan, de milhares (ou talvez mais de 1 milhão, segundo estimativas) de chineses por meio de sangue infectado com o vírus HIV através de transfusões.

“Depois da Sars, o governo chinês prometeu mudar, tornando o combate ao HIV uma prioridade. E, para isso, o trabalho dos ativistas é fundamental”, disse Sara Davis, pesquisadora para a China da Human Rights Watch.

Segundo ela, os problemas mais visíveis estão na província de Henan. Os responsáveis pela transfusão do sangue contaminado não foram punidos e muitos foram até promovidos, segundo o relatório.

“Não há atendimento nem serviço adequado aos pacientes e campanhas de prevenção inexistem. Há mais de 100 mil órfãos da Aids somente na província”, afirma Davis.

O relatório cita ainda a proibição de inúmeros sites com informações sobre a Aids através da “campanha contra a obscenidade” do governo, que proíbe sites com conteúdo pornográfico e homossexual.

“Isso não é apenas discriminatório mas, no contexto da Aids, destrutivo”, avalia Davis.

Os organizadores do relatório afirmaram terem mostrado o levantamento às autoridades chinesas, que teriam tido um diálogo “franco e produtivo” com a organização sobre o tema.

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Gazeta Admininstrator
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