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Cazuza, no auge, em frente à encruzilhada

No dia 14 de maio de 1987, poucos dias depois de saber que era portador do vírus da Aids, Cazuza subia ao então célebre palco do Teatro Ipanema para estrear a turnê do disco “Só se for a dois”, o segundo de sua carreira solo. O show, com canções que se tornariam clássicos e referências para a vida do país ( clique e ouça, com comentários ), chega às lojas esta semana, graças à quase miraculosa recuperação de um cassete, “a fita do Zeca”, como foi escrito pelo próprio Cazuza no envelope em que ela foi encontrada, no fundo de uma gaveta, na gravadora Som Livre.

O disco “Cazuza – O poeta não morreu” traz as 18 canções apresentadas naquela noite, dez delas desconhecidas do público na época, mas que se tornariam sucessos estrondosos. O álbum é a primeira das prováveis muitas homenagens ao poeta quando se completam 15 anos de sua partida. E vem bem a calhar no momento. Naquela noite, a canção “Brasil”, que seria gravada no ano seguinte, no disco “Ideologia”, fora tocada ao vivo pela primeira vez. Vale lembrar o refrão: “Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim / Brasil, qual é o teu negócio, o nome do teu sócio, confia em mim”. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Cazuza se foi, mas o país é o mesmo.

– Quando as pessoas ouviram Brasil, foi um escândalo maior do que o que temos visto nos últimos dias – lembra, ironicamente, o jornalista e produtor Ezequiel Neves, o Zeca, para quem a fita tinha sido dada por Cazuza.

Zeca foi o primeiro a saber que a gravação havia sido encontrada, há cerca de seis meses, na gaveta que lhe pertencera quando era produtor da Som Livre.

– Eu guardava muitas fitas ali. Eram cópias de monitor (do som do retorno dos artistas no palco) de shows do Barão Vermelho, de Paulo Ricardo, que ainda nem havia formado o RPM, e do próprio Cazuza. Mas eu não me lembrava dessas coisas, porque quando sou demitido deixo tudo para trás – conta.

Por sorte, o gerente artístico da gravadora na época da descoberta, Aramis Barros, se entregou à curiosidade e, ao encontrar a fita, a enviou a Ezequiel, propondo a produção de um disco-homenagem.

– Quando escutei a gravação, fiquei chapado: era maravilhosa, de uma urgência total. E repleta de simbolismos. O mais bonito e trágico é que estávamos ensaiando aquele show quando o Cazuza recebeu o resultado do exame que confirmaria a doença. Então, cada música é tocada como se fosse a primeira e última vez. Ele estava uma fera, o próprio bicho humano uivando – lembra Zeca, entre lágrimas, parafraseando o próprio Cazuza.

O guitarrista Torcuato Mariano, que naquela temporada de seis shows no teatro Ipanema integrava a banda do cantor, diz que Cazuza estava em plena forma e não demonstrava abatimento.

– Nós não sabíamos da doença ainda. Ele não disse nada. E estava cantando muito, maravilhosamente – elogia. – Conheci o Cazuza no Baixo Leblon, quando éramos adolescentes. Era um cara explosivo, inconseqüente, mas que falava um monte de loucuras legais. Quando fui tocar com ele, na época do “Só se for a dois”, conheci uma pessoa inteligentíssima, uma espécie de psicólogo coletivo – completa. ( Segue )

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Gazeta Admininstrator
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