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Casamentos inter-raciais crescem no País

Há 40 anos, era proibido. Hoje, é a prática que mais se populariza entre as jovens gerações. No dia 12 de junho de 1967, a Suprema Corte dos EUA anunciava a decisão histórica de tornar inconstitucional o estatuto que proibia o casamento entre americanos brancos e pessoas de outra raça, no estado da Virgínia.

A decisão derrubaria proibições similares em outros 15 estados americanos, tornando-se um marco do movimento pelos direitos civis nos EUA.

O último censo americano mostra que a estatística deste tipo de matrimônio é a que mais cresce, sobretudo entre os jovens. Um dos mais carismáticos presidenciáveis americanos, Barack Obama; um dos maiores colecionadores de títulos da história do golfe, Tiger Woods; e o capitão dos Yankees, o time mais popular de Nova York, Derek Jeter, são todos filhos de casamentos inter-raciais nos EUA.

Para o sociólogo, o país está mais diversificado. Os números do censo americano impressionam. Os casamentos entre brancos e negros passaram de 65 mil em 1970 para 422 mil em 2005. Especialistas calculam que 7% dos 59 milhões de casais americanos em 2005 constituíam uniões inter-raciais, comparadas com apenas 2% em 1970. Muitos acreditam que, por conta do constante e crescente fluxo migratório, esta onda de casamentos inter-raciais e a conseqüente formação de uma nova geração de filhos multirraciais estão produzindo um país mais diversificado e, ao mesmo tempo, menos estratificado com base no critério da origem ou da cor da pele.

O sociólogo Michael Rosenfeld, professor da Universidade de Stanford, que acaba de lançar “The age of independence”, tem uma nova teoria para explicar as mudanças no perfil das famílias americanas e seus efeitos sociais. Segundo Rosenfeld, as gerações da classe média pós-anos 60 saem da casa dos pais ao entrar na faculdade, mas demoram mais tempo para casar. A idade média do primeiro casamento nos EUA passou dos 19 anos na década de 50 para 26 anos na década de 90.

“Isto faz com que haja mais oportunidades para que os jovens encontrem parceiros longe do seu círculo restrito de amigos. Quem casa aos 19 anos, escolhe em geral um parceiro no seu círculo íntimo de amigos, alguém com quem se partilhou a formação e a adolescência.
Já aos 26 anos, o jovem já tem mais tempo de vida independente, torna-se menos sujeito à influência dos pais e tem mais chance de encontrar alguém longe de sua origem e, portanto, de outra cultura, raça ou condição social – diz Rosenfeld.

O que distingue a família moderna americana daquela de estrutura tradicional é exatamente esta nova independência conquistada pelos jovens adultos.

Segundo Rosenfeld, outra conseqüência importante desta mudança de comportamento é o fato de que se torna mais e mais difícil recorrer aos velhos critérios para definir e distinguir os tipos raciais que compõem a sociedade americana.

“As diferenças raciais tendem a se apagar e as velhas definições já não servem para explicar a diversidade hoje existente”, acredita o sociólogo.

“As pessoas também se tornaram mais conscientes de que são herdeiras de uma mistura de raças. Mais do que dobrou o número de pessoas que, de um censo para o outro, passou a definir seus ancestrais como pertencentes a mais de uma raça.

Até os anos 60, este tipo de reconhecimento era tabu. Os americanos tinham, tradicionalmente, desde os tempos da escravidão, muito medo de reconhecer que havia ancestrais na família que não fossem brancos anglo-saxões.

Quando o censo pedia para que se definisse racialmente a origem familiar, a imensa maioria respondia apenas uma raça e jamais reconhecia qualquer mistura.
Hoje, aumenta a cada ano o número daqueles que percebem mistura de raças em sua origem familiar.

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Gazeta Admininstrator
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