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Cadeia de negócios

Uma das maiores forças do capitalismo americano é a capacidade empreendedora dos executivos, que são permanentemente encorajados a investir e a competir nas mais diferentes áreas da economia.

A crença irrefreável dos americanos nas virtudes do setor privado faz com que alguns negócios assumam proporções inéditas. Um exemplo é o mundo bilionário que se formou ao redor do sistema penitenciário – um setor delegado, em quase todos os países do mundo, à gestão pública. Os Estados Unidos têm a maior população carcerária do planeta, 2,2 milhões de pessoas. Como a legislação possibilita a ampla participação das empresas privadas, as companhias estão aproveitando a oportunidade para obter bons lucros. Hoje, elas são contratadas pelo governo para projetar e construir presídios, vigiar e reabilitar detentos e prestar serviços gerais, como limpeza das celas e alimentação dos presos. O resultado é um mercado de 37 bilhões de dólares, que deve continuar em expansão, pois o número de presos cresce à taxa de 3,4% ao ano desde 1995.
As leis que regulamentam o sistema carcerário variam de um estado para outro. Mas, em linhas gerais, elas dão autonomia para que empresas assumam o controle de uma casa de detenção (no Brasil, elas podem trabalhar em presídios servindo quentinhas e lavando roupas, por exemplo). Uma das gigantes americanas do setor é a Corrections Corporation of America (CCA). Quando foi fundada, em 1983, ganhou do governo do Texas o direito de cuidar de 650 presos. Duas décadas depois, a CCA faz negócios com 65 presídios americanos em 19 estados e vigia 72.500 condenados. Pelo serviço, recebe 1,2 bi-lhão de dólares por ano. As cifras impressionam mesmo quando alguns filões do mercado são analisados separadamente. A conta dos telefonemas feitos pelos detentos chega a 1 bilhão de dólares ao ano. A gastança despertou a atenção de gigantes como a AT&T, que fechou parcerias para instalar telefones fixos nos presídios. O nicho de novos serviços também vem cres-cendo. Exemplo disso é o personal trainer Steven Oberfest, perito em dar aulas de defesa corporal para condenados por crimes do colarinho-branco. Beneficiado pela recente onda de escândalos corporativos, Oberfest conquistou uma clientela de 30 pessoas, que lhe renderam em 2006 um faturamento de 600 000 dólares.
A privatização do sistema carcerário nos Estados Unidos teve início nos anos 80. Como o governo não conseguia cons-truir presídios na mesma velocidade em que prendia bandidos, a iniciativa privada entrou em cena para oferecer segurança. Os críticos da privatização acusam as empresas de fazer lobby por sentenças mais longas e batem na tecla de que a segurança pública é dever do Estado. Já os defensores insistem que os presídios privados são um mal necessário. Segundo a Association of Private Correctional & Treatment Organizations (APCTO), associação que representa o setor, a construção de uma casa de detenção pública pode demorar até cinco vezes mais e custar 25% mais caro. “Infelizmente, a população carcerária no país está crescendo”, afirmou Paul Doucette, diretor da APCTO. “Mas as empresas estão animadas com a demanda por novas vagas”.

O mercado do cárcere
Números do sistema penitenciário americano:

• 37 bilhões de dólares
Total de dinheiro movimentado em 2005 pelas empresas que atuam na área nos Estados Unidos

• 125000 presos
Cumprem pena em presídios privados

• 1,2 bilhão de dólares
Faturamento da Corrections Corporation America, a maior empresa do mercado de cárcere nos Estados Unidos

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Gazeta Admininstrator
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